Série Páscoa
Uma nova oportunidade
No domingo de Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho voltou a Êxodo 12 para lembrar que o povo hebreu dormiu escravo numa noite e saiu livre na outra, protegido pelo sangue do cordeiro. Em Jesus, o Cordeiro que venceu a morte, a Páscoa é transição: uma nova oportunidade de deixar toda escravidão e entrar numa vida livre, plena e eterna.
No culto de Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho trouxe a mensagem Uma nova oportunidade. O texto lido foi o da primeira Páscoa, em Êxodo 12, quando Moisés reuniu os líderes de Israel e deu as instruções para a noite da libertação. Quem esperava um texto sobre a cruz poderia achar que o pastor tinha errado a leitura. Não errou: essa é a mesma Páscoa que o povo de Israel continuou celebrando por gerações, e a mesma que Jesus celebrou.
Vão, escolham um cordeiro ou um cabrito para cada família e sacrifiquem o animal para a Páscoa. Deixem o sangue escorrer para uma vasilha. Tomem um feixe de ramos de hissopo e molhem no sangue. Usando o hissopo, passem o sangue nos batentes laterais e no alto das portas das suas casas. Ninguém saia de casa até o amanhecer. (Êxodo 12:21-22)
Um povo que nasceu escravo
Aquele povo não comeu a Páscoa depois de um café da manhã tranquilo. Eles eram escravos. A história começa com Abraão, a quem Deus disse que faria algo através da sua família. Depois vieram Isaque e Jacó, que teve o nome mudado para Israel. Um dos filhos de Israel, José, foi vendido pelos irmãos e acabou se tornando o homem mais importante do Egito. Deus já tinha dito a Abraão que os seus descendentes seriam escravos por um tempo e depois tomariam a terra prometida. José morreu, o faraó mudou, ninguém mais se lembrava daquela família, e o povo foi escravizado por mais de quatrocentos anos, várias gerações. Quem nasce escravo tem mentalidade de escravo. Nós também somos muito parecidos com os nossos pais, até quando juramos que nunca vamos fazer igual. A nossa história é uma repetição, e, se Jesus não entrou nela, é isso que continua acontecendo até hoje.
O sangue na porta
Deus levantou Moisés para libertar o povo, e vieram as pragas. Era uma batalha de deuses, porque o faraó era tido como deus pelos egípcios, e o filho dele seria o próximo. Deus mandou preparar pão sem fermento, porque não haveria tempo de o pão crescer. Cada família mataria um cordeiro sem defeito e passaria o sangue nos batentes da porta. Naquela noite os primogênitos do Egito morreram, e os hebreus foram salvos, junto com os estrangeiros que estavam dentro das casas protegidas. Houve uma morte naquela noite: um cordeiro morreu para que uma família inteira fosse poupada.
Não foi por acaso que Jesus se entregou justamente na Páscoa. Numa delas, já com trinta e poucos anos, Ele disse aos discípulos que a história ia mudar: aquele pão lembrava o Egito, mas agora o pão era Ele, e o vinho era o sangue que Ele derramaria por todos. Jesus não foi simplesmente morto: Ele se entregou e disse ao Pai que entregava o seu espírito nas mãos dele. No domingo, os anjos avisaram as mulheres que o corpo não estava mais no túmulo. A pedra não foi tirada para Jesus sair. Depois Ele apareceu aos discípulos com as portas fechadas e ainda comeu peixe com eles. Era o corpo glorificado. Sobre Jesus caiu o peso de todo o nosso pecado, e sem esse sacrifício não há salvação. Mas o mais incrível da Páscoa não é só a cena do sacrifício. Através dele existe a oportunidade de uma nova vida.
A Páscoa é transição
A partir daquela noite, o povo foi levado para uma vida que nunca tinha vivido. Os avós só tinham histórias de escravidão para contar. Talvez seja a nossa história também: estamos na igreja há bastante tempo e ainda somos escravos de algumas coisas. Escravos de opressão, das nossas opiniões, das situações, do pecado, e até de Satanás, mesmo dentro da igreja. A Páscoa deve significar transição: numa noite eles dormiram escravos, na outra saíram livres. Se o Filho nos libertar, seremos verdadeiramente livres (João 8:36).
Deus levou o seu povo para uma terra que manava leite e mel, onde dois homens precisaram carregar juntos um único cacho de uvas (Números 13:23). Jesus não nos chama para passar a vida chorando pela sexta-feira em que Ele morreu. Ele nos chama para entrar na salvação, no lugar onde os nossos pecados são perdoados, e a partir dali viver uma nova vida de verdade.
A morte foi vencida
Em 1 Coríntios 15:20-24, Paulo diz que Cristo ressuscitou como o primeiro fruto da colheita. A morte entrou no mundo por um homem, e por um homem começou a ressurreição: em Adão todos morrem, e todos os que são de Cristo receberão nova vida quando Ele voltar. Somos passageiros aqui. A terra para onde fomos libertos não é uma cidade como Jerusalém, e sim a nova Jerusalém que a Bíblia mostra em Apocalipse. Mesmo que morramos fisicamente, viveremos para sempre. Jesus não ressuscitou para que tivéssemos um culto ou uma filosofia, mas para que tivéssemos vida eterna.
Mais adiante, nos versículos 54 e 55, a Palavra diz que a morte foi engolida pela vitória: onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está o seu aguilhão? Esse é o motivo da nossa Páscoa. Ela fala da transição de um povo escravo para um povo que conquista uma herança, de uma cultura de escravidão para uma cultura de liberdade, do nosso passado para algo novo de Deus que nem conseguimos imaginar.
Jesus é o Deus conosco, perto de nós, e prometeu que estaria conosco para sempre. Foi a graça, o amor de Deus, que levou Jesus à cruz no nosso lugar. Mas existe algo depois da sexta-feira. O povo celebrava a Páscoa para nunca esquecer que tinha sido resgatado e que agora vivia na terra prometida, num tempo de milagres. Há uma transição disponível para nós também: uma vida livre de verdade, de filhos e filhas de Deus, desde já. Quem prova da ressurreição de Jesus perde o medo da morte. Se a morte já não pode nos vencer, o que vamos temer?
Jesus em toda a Bíblia, e vivo em nós
Já no Éden houve um sacrifício que apontava para Jesus. Em Gênesis 3:21, Deus fez roupas de pele de animais para Adão e sua mulher, e para isso um animal foi sacrificado. Tudo o que Deus podia fazer, Ele já preparou para nós. Agora é o tempo de respondermos. O evangelho não nos coloca no centro: o centro é Jesus. E toda essa história existe para que possamos nos aproximar com confiança do trono da graça (Hebreus 4:16) e ter acesso a uma vida plena. Jesus está na Bíblia inteira, mas precisa estar vivo em nós. Você está vivendo essa vida plena? Você é livre de verdade? Já viveu essa transição?
Uma nova transição na vida da igreja
Com a igreja de pé, o pastor disse que a nossa vida cristã precisa de uma nova transição. Diante da ceia, a decisão é: vou comer do pão, tomar do suco e jamais serei o mesmo. Na minha casa o anjo da morte não vai entrar, porque ali o sangue do Cordeiro tem significado. Ele perguntou se Jesus é o nosso único Deus, ou se ainda existe outro, e lembrou que podemos ter mais dias aqui na terra, mas vida eterna só existe em Jesus. Na oração, a igreja declarou que não aceita mais ser escrava do pecado, pediu que todo medo do Egito cessasse e que todo olhar para trás fosse trocado pelo avanço, porque há uma terra para conquistar. O Senhor prometeu estar conosco até o fim dos tempos (Mateus 28:20).
Em seguida, a igreja celebrou a ceia. Cada um orou pela pessoa ao lado, declarando sobre ela um tempo novo, a melhor estação da sua vida. O Pr. Vitor encerrou orando por cada família: que o medo fosse substituído pela fé, a dúvida pela fé, a solidão pela certeza de que o Senhor está conosco, que houvesse cura e libertação, e que a semana fosse sobrenatural, com experiências novas na presença de Deus e salvação chegando a quem ainda não o conhece.
Esta ministração foi parte do culto de 9 de abril de 2023. Assista ao culto completo.