Série Páscoa
Um encontro com Jesus vivo
No culto de Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho contou a história do apóstolo João, um menino que cresceu ouvindo a história da Páscoa à mesa e teve a vida encontrada por Jesus. Ninguém tem como se justificar diante de Deus, e o sacrifício de Jesus não pede justificativa. Mas Ele não ficou no túmulo: quem encontra Jesus vivo nunca mais é o mesmo.
Na noite de Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho começou com a história de um menino chamado João. Num jantar diferente, com convidados em casa e cordeiro à mesa, os pais disseram a ele que aquela era uma festa que Deus tinha estabelecido na família, e que era dever deles ensinar o que ela queria dizer. Para entender essa festa, a igreja abriu a Bíblia em Êxodo 12.
O Senhor disse a Moisés e a Arão no Egito: De agora em diante, este mês será para vocês o primeiro do ano. Anunciem a toda a comunidade de Israel que, no décimo dia deste mês, cada família escolherá um cordeiro ou um cabrito para fazer um sacrifício, um animal para cada casa. Se a família for pequena demais para comer um animal inteiro, deverá compartilhá-lo com outra família da vizinhança. (Êxodo 12:1-4)
Uma história contada de pai para filho
Depois de nove pragas, antes de o povo ser expulso do Egito, Deus mandou cada família fazer uma ceia e passar o sangue do cordeiro em volta da porta. Onde houvesse sangue, a morte não entraria. Na décima praga morreram os primogênitos do Egito, inclusive o filho do faraó, que os egípcios tinham como o próximo deus. Ficou claro que existe um Deus que reina sobre toda a terra. E Deus mandou que essa história fosse contada de geração em geração: um dia o Senhor, com mão poderosa, nos tirou do Egito, onde éramos escravos, e nos levou para a terra que tinha prometido a Abraão.
No Brasil, nos acostumamos a ver na Páscoa o sacrifício de Jesus. As apresentações da paixão de Cristo, em Maringá e no mundo inteiro, terminam na sexta-feira, quando Jesus se entrega na cruz. Mas isso é apenas uma parte da Páscoa. Ela foi estabelecida muito tempo antes, no tempo de Moisés, e Jesus escolheu se entregar justamente no período em que essa história era contada nas famílias.
O menino que nenhum mestre quis
O João cresceu ouvindo essa história todo ano. Quis ser discípulo de um mestre da lei, e ninguém o aceitou. Quem não passava nessa seleção seguia a profissão do pai, e João e o irmão viraram pescadores. Até que um dia apareceu um mestre e disse: vocês não serviram para os outros, mas servem para mim, me sigam. Uns três anos depois, numa Páscoa, esse mestre disse que agora ela seria diferente: o pão era o seu corpo, entregue por toda a humanidade, e o cálice era o seu sangue, a nova aliança. Esse é o apóstolo João, um rapaz judeu cuja vida foi encontrada por Jesus e nunca mais foi a mesma. A Páscoa fala de transição. De escravos para livres, governados agora por Deus. De morte para vida. De um passado de opressão para algo novo de Deus. Jesus chama os cansados e sobrecarregados para irem a Ele (Mateus 11:28). E, assim como Moisés tirou o povo do Egito, apontando para quem Cristo é, Jesus nos tira de toda escravidão e nos dá uma cultura nova, em que as regras são de Deus.
Ninguém tinha como se justificar
O pastor contou três histórias. A mulher samaritana, de um povo desprezado pelos judeus, que tinha tido cinco maridos e vivia com outro, e através de quem a cidade conheceu Jesus (João 4). O filho pródigo, que pediu a herança com o pai vivo, gastou tudo e voltou querendo ser empregado, mas recebeu o anel e o lugar de filho (Lucas 15). E a mulher pega em adultério, trazida diante da multidão para colocar Jesus numa armadilha (João 8).
Então Jesus se levantou de novo e disse à mulher: Onde estão os seus acusadores? Nenhum deles a condenou? Não, Senhor, respondeu ela. E Jesus disse: Eu também não a condeno. Vá e não peque mais. (João 8:10-11)
Nenhum dos três tinha o que oferecer a Deus, e nenhum de nós tem. Estamos acostumados a desconfiar de quem faz algo sem esperar nada em troca, porque não existe almoço grátis. Na Palavra é o contrário. O sacrifício perfeito de Jesus não precisa de justificativa para ser aceito. Não precisamos chegar prontos diante dele: a caminhada vem depois.
Mas Ele não ficou no túmulo
Se Jesus só tivesse morrido, já bastaria. Mas ninguém tirou a vida dele: Ele entregou o seu espírito (Lucas 23:46), e no terceiro dia decidiu ressuscitar. Em João 20, escrito pelo mesmo João, Maria Madalena vai ao túmulo ainda no escuro, com medo, porque os discípulos esperavam uma revolução política e o líder deles estava morto. A pedra tinha sido removida. Pedro e João correm, e João, que escreve sobre si mesmo como o outro discípulo, chega primeiro. Eles veem as faixas de linho e o pano da cabeça dobrado e colocado à parte. O pastor lembrou um costume da época: o pano dobrado na mesa queria dizer que o senhor não tinha terminado, ia voltar. Maria Madalena, de quem Jesus tinha expulsado sete demônios, chorava e pensou falar com o jardineiro, até ouvir o próprio nome e reconhecer Jesus. Ele apareceu aos discípulos trancados numa sala e disse duas vezes: a paz seja com vocês. Mostrou as marcas nas mãos e no lado, e depois deixou Tomé tocar nele. Toda a criação esperou por esse Messias, que não só morreu, mas ressuscitou.
Um sacrifício de uma vez por todas
Moisés construiu o tabernáculo segundo o modelo que viu no monte (Hebreus 8:5). Ali o perdão vinha pelo sangue de animais, e uma vez por ano o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo pelo pecado do povo inteiro. Quando Jesus morreu, o véu que separava aquele lugar se rasgou, e as pessoas passaram a ter acesso à presença de Deus.
Cristo entrou naquele tabernáculo maior e mais perfeito no céu, que não foi feito por mãos humanas nem faz parte deste mundo criado. Com o seu próprio sangue, e não com o sangue de bodes e bezerros, entrou no lugar santíssimo de uma vez por todas e garantiu redenção eterna. (Hebreus 9:11-12)
Quando a última tentativa não deu certo
Por causa do sacrifício e da ressurreição de Jesus, temos esperança além desta vida. Ele é o primeiro a ressuscitar dos mortos, o primeiro de todos os que vão estar com o Pai. Muitas vezes, antes de conhecer Jesus, fizemos várias apostas para a vida dar certo. A última aposta de João era pescar. Zaqueu estava cansado de roubar (Lucas 19:8). Marta e Maria tinham perdido o irmão e toda a esperança. Às vezes o que morreu foram os nossos sonhos, a esperança de ver a família restaurada, o sentido da vida. Mas, sejamos o filho pródigo, a samaritana, a mulher adúltera ou Zaqueu, quando encontramos Jesus vivo a nossa vida muda para sempre. E não precisamos nos justificar, porque Ele já pagou.
Dois discípulos voltavam para casa decepcionados quando um terceiro entrou na conversa. Eles achavam que Jesus era o Messias, e tudo tinha dado errado. Em casa, quando Ele partiu o pão, os olhos deles se abriram, Ele desapareceu, e eles disseram que o coração ardia enquanto Ele falava (Lucas 24:32). Jesus perguntou a Maria por que ela chorava, e a pergunta é para nós também. Ele continua aparecendo até hoje. O pastor orou para que, por um toque do Senhor, voltasse a viver o que estava morto e a esperança voltasse a quem a tinha perdido, porque não estamos aqui para construir uma religião nem o nome de uma igreja, e sim para falar dele.
O Cordeiro que está de pé
Na ceia, o pastor voltou ao mesmo João, agora já idoso, em Apocalipse. Ele vê no céu um livro selado que ninguém é digno de abrir, e começa a chorar (Apocalipse 5:4). Um dos anciãos manda olhar para o outro lado, e ele vê um Cordeiro que parecia ter sido sacrificado, mas estava de pé diante do trono. O céu inteiro se prostra e canta ao Cordeiro. No fim, João vê a nova Jerusalém, onde não haverá mais maldição, porque o trono de Deus e do Cordeiro estará ali (Apocalipse 22:3). O nosso Deus está vivo, e esse é o motivo da nossa alegria.
A igreja provou uma erva amarga, parte da ceia de Páscoa do povo hebreu: o pecado pode parecer gostoso, mas depois fica amargo. Um gole do suco mudou o gosto, e o sangue de Jesus é suficiente. Deus entregou o seu Filho, e a nossa resposta é entregar a nossa vida. Depois de a igreja orar reconhecendo que precisa do sangue de Jesus, o Pr. Vitor orou por cura do corpo e da alma, por restauração de relacionamentos e de sonhos, e pediu que o Espírito Santo enchesse a igreja e revolucionasse a história de cada família.
Esta ministração foi parte do culto de 31 de março de 2024. Assista ao culto completo.