Série Páscoa
Páscoa é Jesus
No domingo de Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho explicou o que é, afinal, a Páscoa: a festa em que Deus livrou o seu povo do Egito pelo sangue de um cordeiro, cumprida em Jesus, o Cordeiro que fez o sacrifício de uma vez por todas e nos deu acesso ao Pai. Como Ele ressuscitou de verdade, a vida eterna é real, os nossos problemas são passageiros e temos uma boa notícia que não dá para guardar.
No domingo de Páscoa, a Comunidade Cristã Zoe Maringá começou a manhã com um café juntos e inverteu a ordem do culto: primeiro o louvor, depois a Palavra, e a oferta ficou para o final. O Pr. Vitor Coutinho abriu lendo Isaías 59 e 60:10. Houve momentos na história em que parecia não haver solução para o ser humano, e Deus mesmo decidiu intervir para nos reconciliar com Ele. Na sexta-feira, é comum o brasileiro assistir à encenação da morte de Cristo. Mas muitos morreram, e só um ressuscitou dentre os mortos. Por isso este é um dia de festa. Em seguida, a igreja leu o relato da ressurreição em João 20, escrito pelo apóstolo João, provavelmente um dos discípulos mais novos de Jesus.
Admirou-se porque ninguém se apresentou para ajudar os oprimidos. Então ele mesmo interveio para salvá-los com seu braço forte, e sua justiça o susteve. (Isaías 59:16)
O pano dobrado e a pedra removida
Maria Madalena encontrou a pedra removida e correu para avisar Pedro e o outro discípulo. Os dois correram ao túmulo, e João, com bom humor, registra que o outro discípulo chegou primeiro. Pedro entrou e viu as faixas de linho e o pano que cobria a cabeça de Jesus dobrado e colocado à parte. O pastor contou o que se diz por aí, deixando claro que não está na Bíblia: que, no costume judaico, quem dobra o pano está dizendo que vai voltar. Ele também confessou que por muito tempo achou que a pedra precisou ser rolada para Jesus sair. Mas o próprio texto de Lucas mostra que Jesus não precisava que ninguém abrisse porta nenhuma para Ele.
Não é um fantasma
Em Lucas 24, dois discípulos voltavam para Emaús tristes, porque esperavam um Messias que libertasse Israel do domínio de Roma e o viram morrer. Um terceiro homem entrou na conversa e começou a explicar as Escrituras. Na bifurcação, fez como quem ia seguir outro caminho, e eles insistiram para que ficasse. Quando Ele partiu o pão, os olhos deles se abriram, e Jesus desapareceu. O nosso coração não ardia enquanto Ele falava? Eles correram para contar aos discípulos, que estavam trancados numa sala, com medo. Enquanto contavam, Jesus apareceu no meio deles, e eles pensaram que era um fantasma. Ele mostrou as mãos e os pés e comeu um pedaço de peixe assado diante de todos (Lucas 24:36-43). O que importa não é por onde Ele saiu, e sim que Ele está realmente vivo.
Afinal, o que é a Páscoa
Muita gente briga dizendo que a Páscoa não é coelho nem chocolate. O pastor pediu que a igreja não entre em confusão por coisa pequena, e sim saiba explicar o motivo da nossa fé e ensinar aos filhos o verdadeiro significado da Páscoa. Ela é uma festa instituída por Deus para o povo hebreu. O Egito, que muitos tratam como figura do diabo, foi a grande provisão de Deus para a família de Abraão: José foi vendido, injustiçado e preso, mas interpretou o sonho do faraó, guardou alimento nos anos de fartura e trouxe a família para lá. O problema é que os descendentes acharam que o Egito era o lugar deles, e se tornaram escravos por mais de quatrocentos anos.
Então Deus chamou Moisés. Em Êxodo 11, o Senhor anuncia a última praga: morreriam os primogênitos do Egito, do filho do faraó ao filho da serva mais humilde. O faraó era tido como um deus, e o seu primogênito seria o próximo. Em Êxodo 12, Deus manda cada família sacrificar um cordeiro sem defeito, passar o sangue na porta da casa, assar a carne sem deixar sobrar e comer com roupa de viagem. Naquela noite, as casas cobertas pelo sangue foram protegidas. E a festa seria um memorial para sempre: todo ano os pais contariam aos filhos que Deus, com braço forte, os tirou da escravidão. Séculos depois, na semana da Páscoa, Jesus reuniu os discípulos e deu um novo significado ao pão e ao cálice: a nova aliança.
Ninguém podia chegar perto
No deserto, o povo teve medo da glória de Deus no monte e pediu que só Moisés fosse. Moisés recebeu a revelação do tabernáculo do céu, e o povo construiu uma cópia, com o ouro que os egípcios tinham dado e pelas mãos de Bezalel, o artesão cheio do Espírito. Havia sacrifícios e regras, e ninguém podia chegar diante da arca, a representação da presença de Deus. Quem tocou nela para que não caísse morreu. A arca ficava no Santo dos Santos, atrás de um véu grosso, e só o sumo sacerdote entrava ali, uma vez por ano, para a expiação dos pecados de toda a nação. Aquele rito não dava ao povo a consciência de estar perdoado.
Em Hebreus, vemos que o Cordeiro que o próprio Deus providenciou entrou e fez o sacrifício de uma vez por todas. Isso é Páscoa. Páscoa é Jesus. Ele e o Pai decidiram que o sacrifício seria na Páscoa e em nenhum outro dia, para entendermos que fomos libertos da escravidão de Satanás. O pastor contou que, na adolescência, fazia votos achando que Deus o amaria mais. Mas o máximo que Deus podia fazer, Ele já fez: entregou o próprio Filho, morto como um cordeiro na sexta-feira da Páscoa e ressuscitado no domingo. Quando Jesus morreu, o véu se rasgou de cima a baixo. Agora qualquer um pode fechar os olhos, dobrar os joelhos e ter acesso a Deus, chamá-lo de Aba, Pai (Hebreus 10:19). Do mesmo jeito que Ele amou o pastor, amou cada um de nós e o nosso vizinho.
Vivos para sempre
A morte de Jesus foi necessária para o sangue ser derramado, mas a ressurreição é a garantia de que a vida eterna existe. Ainda que um dia paremos de respirar, estamos vivos para sempre. A gente tem medo de morrer e se agarra a coisas que a traça e a ferrugem vão consumir. Paulo entendeu que morrer é lucro (Filipenses 1:21). Ainda temos trabalho e contas para pagar, e tem gente indo para o inferno sem ouvir a boa notícia. Mas não dá mais para viver triste por problemas passageiros, sejam de saúde, emocionais, de relacionamento ou financeiros. Quem encontrou o Cristo ressurreto sabe que o seu tesouro não está aqui.
No monte da transfiguração, Pedro, Tiago e João tiveram uma revelação de quem Jesus é, e isso mudou a vida deles. A pergunta do pastor foi: você tem uma revelação de Jesus, ou só repete o que ouviu da avó, da tia ou do líder? Jesus prometeu que jamais nos deixaria (Mateus 28:20). Ele é o primeiro a ressuscitar, e nós também ressuscitaremos (1 Coríntios 15:20). Ele foi preparar um lugar para nós e vai voltar para nos buscar (João 14:1-4), e subiu ao Pai para enviar o Espírito Santo, cinquenta dias depois. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Diante do nome que está acima de todo nome, os nossos problemas parecem pequenos (Filipenses 2:9-11).
Uma boa notícia não se guarda
Com a igreja de pé, o pastor leu Lucas 24:44-49. Jesus abriu a mente dos discípulos para entenderem as Escrituras e mandou que esperassem na cidade até serem revestidos de poder. Hoje o Espírito Santo já foi derramado. E é impossível receber uma boa notícia e não contar a ninguém, como uma notícia de gravidez. Mas para contar o evangelho precisamos de poder, e o poder não é o quanto somos bons, a nossa formação ou o tempo de igreja: é o Espírito Santo que vive em nós. Às vezes haverá cura, às vezes libertação, mas o principal é o arrependimento dos pecados. Jesus voltou para o céu e deixou a missão com os discípulos. Agora a responsabilidade é nossa, a começar por quem encontrarmos amanhã no trabalho.
Sim, está escrito que o Cristo haveria de sofrer, morrer e ressuscitar no terceiro dia, e que a mensagem de arrependimento para o perdão dos pecados seria proclamada com a autoridade de seu nome a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas. (Lucas 24:46-48)
No fim, com a igreja de olhos fechados, o Pr. Vitor agradeceu a Jesus, que sofreu sem merecer, entregou o próprio espírito e, no terceiro dia, ressuscitou e deixou o pano dobrado, como quem diz que vai voltar. Deus não enviou o Messias para restaurar um reino político, e sim a comunhão que tínhamos no jardim. Ele orou para que a igreja tenha uma revelação de quem o Senhor é, porque não queremos ser convencidos, queremos ser convertidos. Orou por quem chegou com aflições e pediu que entendêssemos que a nossa maior alegria é estar vivos para sempre, porque Jesus, o único Filho do Pai, ao ressuscitar, se tornou o primeiro de uma família enorme, da qual fazemos parte. E a igreja renovou o seu compromisso com o Senhor.
Esta ministração foi parte do culto de 5 de abril de 2026. Assista ao culto completo.