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Série Páscoa

A Páscoa está chegando

Pr. Vitor Coutinho, 6 de abril de 2025, 1 Timóteo 1:8-16

A caminho da Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho falou sobre a verdadeira graça de Deus. Ela nos aceita do jeito que estamos, sem justificativa, mas não é licença para viver no pecado: é o poder que nos transforma dia após dia. O evangelho é simples, e simples também é a nossa resposta: render a vida a Jesus e servir ao Reino.

Num culto de domingo à noite, a igreja recebeu com festa os homens que voltavam do Encontro com Deus. Desde os domingos anteriores, e até o domingo de Páscoa, a Comunidade Cristã Zoe Maringá vinha refletindo sobre a própria devoção: como está a nossa caminhada com um Deus vivo, a nossa santificação, a nossa vida longe do pecado, e se ouvimos a voz de Deus nesta semana. Muitas vezes vamos à igreja, oramos e abrimos a Bíblia de modo automático, e a rotina esfria a nossa sede por Deus até ficarmos insensíveis ao que Ele quer fazer. Mas a obra que Deus começou em nós ainda está no começo, e Ele é fiel para completá-la (Filipenses 1:6). Por isso, nesse período, o Pr. Vitor Coutinho falou sobre a verdadeira graça de Deus.

Uma graça ensinada de forma errada

Imagine um casal em que um sabe que é amado e, por isso, trai, certo de que vai ser perdoado. Ninguém chamaria isso de saudável nem de normal. Mas muitos caminham assim com Jesus: o Senhor me ama, então vai me perdoar, e eu vivo a minha vida tranquilo. Quem pensa assim não entendeu o amor de Deus. Existem filosofias, que o pastor nem chama de teologia, dizendo que, como Jesus já fez tudo na cruz, não é mais preciso viver longe do pecado. É a chamada hipergraça, uma pregação que anula o evangelho. O correto não é falar mal de quem ensina errado, e sim ensinar corretamente.

Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas por isso mesmo alcancei misericórdia, para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza da sua paciência, usando-me como um exemplo para aqueles que nele haveriam de crer para a vida eterna. (1 Timóteo 1:15-16)

Venha do jeito que você está

Antes desse texto, Paulo fala da lei de Moisés: ela é boa, mas foi feita para os transgressores (1 Timóteo 1:8-10). A religião da época acreditava que a lei salvava, e pela lei a pessoa tenta se justificar. Paulo, ao contrário, diz que o pior dos pecadores foi amado com paciência. A graça é um atributo de Deus, parte de quem Ele é, e é ela que permite que sejamos aceitos como filhos. Se dependesse de justificativa, ninguém poderia salvar a si mesmo. A graça diz: venha do jeitinho que você está, eu vou te amar assim, e vou te transformar durante a caminhada. Ela nos atrai como um ímã, e quando chegamos com o coração sujo tentando nos justificar, o Senhor diz que não precisa: vem cá, vamos caminhar juntos.

Jesus mostrou isso na parábola do filho pródigo (Lucas 15). O filho pediu a herança com o pai vivo, gastou tudo e chegou a desejar a comida dos porcos, o fundo do poço para um judeu. Voltou para casa ensaiando o que ia dizer para se justificar, mas o pai correu ao encontro dele, pôs o anel no seu dedo, o recebeu como filho e fez uma festa. Muitos de nós vivemos à margem do que Deus tem, não por falta de Deus, mas porque Satanás nos engana dizendo que não somos dignos. Nunca vamos estar bons o bastante. O caminho é dizer: Senhor, eu tenho esse pecado, me arrependo, e preciso que o Senhor me ajude a vencer a minha carne. O pastor deixou claro que não prega um evangelho triunfalista, em que tudo sempre vai bem, porque isso também não é bíblico.

A graça é poder para vencer o pecado

Enquanto ainda estávamos no pecado, a graça de Deus veio e nos alcançou. Na cruz, Jesus disse: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lucas 23:34). No primeiro encontro com o Senhor, não tínhamos justificativa nenhuma, mas depois de um tempo de caminhada começamos a procurar uma. A graça está disponível, mas não para vivermos uma vida de pecado. Ela nos atrai para Deus, nos transforma a cada dia e é um antídoto para vencer o mal, com a força do Espírito Santo. Judas escreveu que queria falar da salvação, mas precisou escrever contra quem transformava a graça de Deus em licença para a imoralidade (Judas 3-4). E Maria Madalena, de quem Jesus expulsou sete demônios, não voltou à vida antiga, porque entendeu que podia viver uma vida santa.

Por isso, em vez de perguntar o tempo todo se algo é pecado, ou o que ainda posso fazer, devemos buscar o que agrada o Senhor e o que enche o nosso tanque espiritual, porque não somos mais escravos do pecado. Jesus disse: tome a sua cruz e siga-me. Naquela época, a cruz era pena de morte. Tomar a cruz é dizer a todos que você morreu e passar a viver uma vida nova.

A Páscoa e uma obra que só está começando

A Páscoa é um memorial que Deus estabeleceu no tempo de Moisés: vocês eram escravos no Egito, e eu os tirei com mão forte para levá-los à terra que prometi a Abraão. Jesus se entregou justamente no período da Páscoa, porque veio nos resgatar com mão forte da vida de pecado, de tristeza e de vícios, para vivermos uma vida plena. Olhamos para as dificuldades e achamos que Deus desistiu de nós, mas se Ele não poupou o próprio Filho, o que não pode fazer na nossa vida? Não é para pedir todas as coisas, e sim uma vida abundante, guiada pela Palavra e não pelas emoções e opiniões, que são como areia movediça: quanto mais lutamos, mais afundamos. A coisa mais poderosa que Deus pode fazer é nos dar vida eterna e nos reconciliar com o Pai por meio de Jesus.

A simplicidade do evangelho

A mensagem de Jesus é tão simples que às vezes queremos gourmetizá-la para parecer mais profunda. Mas quem entendeu tem que praticar (João 13). Queremos curar enfermos e ressuscitar mortos, como Jesus mandou, sem deixar que Ele nos liberte do pecado, e assim muita gente segue convencida, mas não convertida. A Palavra é clara sobre o que Deus não admite: os covardes, os incrédulos, os imorais, os feiticeiros, os idólatras e os mentirosos terão o seu lugar no lago de fogo (Apocalipse 21:8).

Nela jamais entrará algo impuro, nem ninguém que pratique o que é vergonhoso ou enganoso, mas unicamente aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro. (Apocalipse 21:27)

Vemos Deus fazer coisas lindas nos cultos e esquecemos que o evangelho é mudança de vida e de atitudes. O Pai nos tirou das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado (Colossenses 1:13), e isso custou a vida de Jesus. Abandonar o que desagrada a Deus não deveria ser pesado. Quem quer uma revelação maior sobre os cravos nas mãos e nos pés recebe uma resposta simples: precisamos mudar de vida, abandonar os nossos desejos e viver pelo desejo de Cristo. O convite é deixar os enfeites de lado e dizer: Senhor, me perdoa por não te levar a sério, é simples, é eu morrer para mim mesmo e viver para ti.

Duas respostas

Deus nos deu a vida eterna para levarmos outros com a gente. Sozinhos não conseguimos, mas com o Espírito Santo somos a esperança da glória. Os homens e as mulheres que foram ao Encontro fazem parte dessa visão: uma pessoa vale mais para Deus do que tudo, e as nossas mãos podem ser usadas para tocar vidas que hoje caminham para a morte. Diante da Palavra, há só duas reações. A primeira é se render: Senhor, quero uma vida simples e devota, muda em mim o que tiver que mudar. A segunda é perguntar: como posso ser útil ao teu Reino? Às vezes Deus nos usa com uma palavra, um abraço ou uma oração com alguém. Com a igreja de pé, o Pr. Vitor convidou quem se sentia distante a se reconciliar com Deus e orou para que cada um vivesse comprometido com a graça, numa vida santa e cheia do Espírito Santo, e que a igreja fosse usada na sua simplicidade, assim como Jesus foi simples, para destruir as obras do mal.

Esta ministração foi parte do culto de 6 de abril de 2025. Assista ao culto completo.