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Série Páscoa

O Ressuscitado nos deu uma missão

Pr. Vitor Coutinho, 20 de abril de 2025, Lucas 24:1-9

No domingo de Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho lembrou que a obra de Cristo não parou na cruz. Jesus ressuscitou, nos deu esperança para além desta vida e, como nenhum morto pode dar uma missão, o Ressuscitado nos enviou para levar essa boa notícia. Por isso a resposta da igreja é se alegrar, assumir a missão e viver com os olhos no Cordeiro que está vivo no trono.

No domingo de Páscoa, a Comunidade Cristã Zoe Maringá começou o dia com um café da manhã juntos e um culto diferente do normal, para celebrar a vitória de Jesus. O culto abriu com a leitura de Isaías 53. Havia algumas semanas a igreja vinha falando sobre a Páscoa: que toda a Palavra fala de Cristo, que a Páscoa é um convite para sair da morte para a vida e que este é o melhor período do ano para um cristão. Neste domingo, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que a Páscoa fala da vida que devemos levar hoje e da vida que levaremos um dia, a partir do relato da ressurreição em Lucas 24.

Porém ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades. Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu. (Isaías 53:5)

O evangelho não para na cruz

Isaías foi um profeta messiânico, usado por Deus para profetizar sobre o Messias. Ele descreve um homem desprezado e rejeitado, que conheceu o sofrimento, foi maltratado e humilhado sem abrir a boca (Isaías 53:7), e foi sepultado com os ímpios e com um rico na sua morte (Isaías 53:9). Sem o castigo que caiu sobre ele, não teríamos paz com Deus nem salvação. Mas muitas vezes paramos na sexta-feira, olhando para o Cristo ferido. A cruz é essencial, e a igreja ia celebrar a Ceia logo depois, mas a obra de Cristo não parou ali. Jesus trouxe esperança para quem encontra a morte todos os dias. Quem já perdeu alguém querido, um bebê ainda na barriga, ou quem trabalha na saúde e vê um paciente partir, sabe que a morte deixa marcas. E Jesus vem de repente e muda toda a história.

Um minuto antes não faria diferença

Voltando de viagem na noite anterior, numa cidade pequena do interior, o pastor ultrapassou o único carro que andava devagar na avenida principal. Depois pensou: ganhei um segundo, e isso não mudou nada. Em Lucas 24, as mulheres foram ao sepulcro bem cedo no domingo, porque o sábado era o dia do descanso dos judeus. Jesus tinha sido colocado às pressas num túmulo cedido por um homem rico, cumprindo a profecia de Isaías, e soldados guardavam a pedra. Elas encontraram a pedra removida e não acharam o corpo. Talvez tenham pensado que, se chegassem um minuto antes, teriam impedido que levassem o corpo do Senhor. Não faria diferença.

Hoje, um dos poucos lugares em que um segundo muda tudo é a Fórmula 1, em que uma troca de pneus que levava catorze segundos agora leva dois ou três. Mas a obra de Cristo não se resume ao tempo do relógio. A ressurreição não foi só um acontecimento de domingo de manhã: era uma promessa desde o Jardim do Éden, de que o Senhor proveria um sacrifício para restaurar a nossa intimidade com Ele. E Jesus fez algo novo: levantou-se dentre os mortos.

Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? Ele não está aqui! Ressuscitou! Lembrem-se do que ele lhes disse, quando ainda estava com vocês na Galileia: É necessário que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia. (Lucas 24:5-7)

As primeiras testemunhas

Por que os anjos anunciaram a ressurreição primeiro às mulheres? O pastor deixou claro que não faria piada sobre isso, porque a igreja respeita o ministério das mulheres, e em todos os ministérios há mulheres e homens servindo. Naquela sociedade, a palavra de uma mulher não tinha peso como testemunho. Não faria sentido os discípulos registrarem isso como prova, nem mesmo Mateus, que escreveu para mostrar aos judeus que Jesus era o Messias. Mas eles registraram. A primeira coisa que Jesus faz depois de ressuscitar é restaurar o que tinha perdido o valor, e o valor da mulher. Não se trata de machismo nem de feminismo: algo diferente aconteceu naquele dia, tão poderoso que pessoas que estavam mortas foram vistas andando em Jerusalém (Mateus 27:52-53).

Esperança para além desta vida

Jesus se entregou, o véu do templo se rasgou e nós ganhamos livre acesso ao Pai. Mas a ressurreição vai além: ela nos dá esperança para depois desta vida. Paulo diz que, se a nossa esperança em Cristo é só para esta vida, somos os mais dignos de pena (1 Coríntios 15:19). Muitos de nós estamos como os discípulos no caminho de Emaús, andando sem entender nada. Há quanto tempo o nosso coração não queima enquanto o Senhor fala? Há quanto tempo deixamos de sonhar com o dia em que Ele virá nos buscar? Estamos só tentando ganhar tempo e diminuir as nossas perdas, quando o Senhor quer fazer uma obra de ressurreição em nós.

Nenhum morto dá uma missão

Se entendermos que Jesus realmente ressuscitou, a nossa vida vai ser diferente, porque Ele nos deu uma missão, e nenhum morto pode dar uma missão a alguém. O Ressuscitado disse: eu fiz a minha parte, agora vocês vão, curem os enfermos, preguem as boas novas. Mas também mandou que não fossem antes de receber poder do alto, o Espírito Santo, o Consolador. Em Mateus 28, os discípulos o encontram no monte e o adoram, e Ele os envia.

Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos. (Mateus 28:18-20)

Muitas vezes clamamos para que o Senhor fique conosco nos dias difíceis, e Ele já prometeu que estaria, enquanto estivermos na missão. Pelo quarto domingo, o pastor perguntou: como está a sua devoção a um Deus vivo? Lembramos da obra de Cristo, mas não sentimos o poder da ressurreição em nós, não conseguimos nos santificar nem ouvir a voz do Senhor. Na primeira Páscoa, no tempo de Moisés, o povo saiu do Egito, mas ainda havia uma terra para conquistar. Também nós temos um caminho pela frente, com dias difíceis e aflições, mas Jesus disse: tenham ânimo, eu venci o mundo (João 16:33). Não podemos nos perder no deserto.

Três coisas para viver a Páscoa

Primeiro: se alegrar

Não é mais tempo de tristeza. Nós somos as pessoas que têm a melhor notícia da história: um Deus que se entregou por nós, ressuscitou, está vivo à direita do Pai e prometeu estar conosco até o fim. Se você está passando por dificuldade em casa ou no trabalho, é aí que vai ver a glória de Deus, porque Ele não está indiferente e não está sem poder para tocar a sua vida.

Segundo: lembrar que temos uma missão

O povo atravessou o Mar Vermelho, passou pelo deserto e cruzou o rio, e em nenhum momento foi desamparado. Agora caminhamos para a Nova Jerusalém que João viu descer do céu, reservada a quem vive em santificação e intimidade com o Senhor, e que visita os pobres, os enfermos e os presos e dá comida a quem tem fome. O Senhor não ressuscitou para fazermos culto ou termos uma vida bonitinha. Ele foi preparar um lugar para nós (João 14:2-3) e, enquanto isso, nos deu uma missão: não agradar as pessoas, mas obedecer ao que Ele mandou. Você está conseguindo acompanhar alguém e levar a mensagem de Jesus? Hoje é um bom dia para renovar esse compromisso.

Terceiro: olhar para o Cordeiro que está vivo

Com a igreja de pé, o pastor leu Apocalipse 4 e 5. João vê um trono no céu, e os vinte e quatro anciãos, que estariam ali para aconselhar um rei, lançam as suas coroas diante dele. Ninguém era digno de abrir o livro selado, e João chorava muito, até ouvir que o Leão da tribo de Judá tinha vencido. Então viu um Cordeiro que parecia ter estado morto, de pé no centro do trono. A lembrança que temos de Jesus é de um homem ensanguentado num madeiro, mas Ele não está mais na cruz, nem na manjedoura. Ele está glorificado e já é adorado no céu, e diante do seu nome todo joelho vai se dobrar (Filipenses 2:10-11). Ele não precisa da nossa glória, e nos envia não porque não pudesse fazer sozinho, mas porque enxergou valor em nós. Um dia Ele vai entregar ao Pai todos os que comprou com o seu sangue, e não haverá mais morte nem choro. Mas hoje ainda há muita gente chorando, e somos nós que levamos a boa notícia a elas.

Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor! (Apocalipse 5:12)

Refazer a aliança

Jesus prometeu estar onde dois ou três estiverem reunidos em seu nome (Mateus 18:20). Por isso, a maior celebração de Páscoa que podemos fazer é nos alinhar de novo com o Senhor e refazer os nossos votos: Ele não precisa de mim, mas decidiu contar comigo. Fomos comprados por preço de sangue, e Jesus faria tudo de novo, mas não precisa, porque foi feito uma vez por todas. Não vivemos uma corrida contra o tempo, mas há um tempo para cumprir a missão. Deus não está atrasado; talvez nós é que estejamos. Enquanto a igreja cantava, o Pr. Vitor orou agradecendo pela vida de Jesus: pela sua morte temos salvação e pela sua vida temos esperança. Pediu que não fôssemos egoístas guardando essa esperança só para nós, e a igreja se comprometeu a levar essa mensagem adiante. Em seguida, todos participaram da Santa Ceia.

Esta ministração foi parte do culto de 20 de abril de 2025. Assista ao culto completo.