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Série Páscoa

O que realmente significa a Páscoa?

Pr. Vitor Coutinho, 5 de abril de 2021, Êxodo 12 e Lucas 22

Na noite de Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho voltou a Êxodo 12 para mostrar que a Páscoa nasceu como memorial da libertação do Egito, quando o sangue do cordeiro nas portas livrou o povo da morte. Em Jesus, o verdadeiro Cordeiro, esse memorial ganhou novo sentido: libertação do pecado, livre acesso a Deus e vida eterna pela ressurreição.

Na noite de Páscoa, o Pr. Vitor Coutinho começou com uma pergunta: o que a Páscoa representa para você? Para uns, é Jesus morrendo. Para outros, é Jesus ressuscitando. Muita gente gasta energia na internet lutando contra o coelho, mas esse não é o caminho, porque há muitas pessoas perdidas, procurando uma direção e uma palavra de Deus. Para responder à pergunta, ele voltou ao texto em que a Páscoa nasce, Êxodo 12, e depois à última Páscoa de Jesus com os discípulos, em Lucas 22.

Mas o sangue nos batentes das portas servirá de sinal e marcará as casas onde vocês estão. Quando eu vir o sangue, passarei por sobre aquela casa, e a praga de morte não os tocará quando eu ferir a terra do Egito. (Êxodo 12:13)

Uma festa da família de Jesus

Os hebreus foram para o Egito porque havia fome em toda a terra, e só lá havia comida, num tempo em que José governava abaixo do faraó. Depois que José morreu, o povo foi escravizado e assim ficou por cerca de 430 anos. Mesmo depois de tanto tempo, Deus cumpriu a sua palavra. Ele nunca se esquece de nós: ainda que uma mãe se esqueça do filho, Ele não se esquece, e o nosso nome está gravado nas mãos dele (Isaías 49:15-16). Deus levantou Moisés e Arão, e depois de nove sinais o faraó continuou com o coração fechado. O faraó era tido como deus, e o primogênito dele herdaria o trono. Então Deus mostrou que só existe um único Deus: os primogênitos do Egito seriam levados, e aquela libertação se chamaria Páscoa. É uma festa de uns 3.500 anos, que nasceu na história dos hebreus. Não é uma festa brasileira nem da nossa família: é uma festa da família de Jesus.

O cordeiro, o sangue e a pressa

Em Êxodo 12, Deus deu as instruções. Aquele mês passaria a ser o primeiro do ano. No dia dez, cada família escolheria um cordeiro, e a família pequena demais dividiria o animal com o vizinho. O sangue seria passado nos batentes e no alto das portas, e a carne seria assada no fogo e comida com ervas amargas e pão sem fermento, sem deixar sobras para o dia seguinte. O povo comeria vestido para a viagem, de sandálias nos pés e cajado na mão, com pressa. Naquela noite, onde houvesse sangue na porta, a morte não entraria.

Deus mandou celebrar a Páscoa todos os anos, como um memorial. É como o aniversário ou o fim do ano, datas em que paramos e lembramos. Deus queria que, milhares de anos depois, os filhos dos filhos soubessem que foi Ele quem os libertou, e não a força, a sabedoria ou o trabalho deles. Trabalhar mais, querer ganhar três vezes mais ou mudar a aparência não são coisas erradas, mas não são o objetivo da vida. A Páscoa nos lembra que sem Deus nada podemos fazer, e que, quando Ele decide agir na nossa história, faz algo sobrenatural e nos liberta da escravidão.

O dono da sala no andar de cima

Em Lucas 22, Jesus manda Pedro e João prepararem a refeição da Páscoa. Lucas era médico e escreveu a partir de quem conviveu com Jesus, por isso traz detalhes que não aparecem nos outros evangelhos. Jesus diz que eles encontrariam um homem carregando um pote de água, que deveriam segui-lo e pedir ao dono da casa a sala onde o Mestre comeria a Páscoa. Era uma sala grande, no andar de cima, já arrumada (Lucas 22:7-13). Não sabemos o nome desse homem, mas sabemos que ele estava disponível para Deus num tempo em que quase ninguém estava. Numa época em que todo mundo quer postar o bem que faz, a pergunta do pastor foi: você está disponível para Deus te usar no silêncio, até para limpar uma sala, onde ninguém vai saber o seu nome?

Jesus é o Cordeiro

Na ceia de Jesus, o texto fala do pão e do vinho, mas não fala de cordeiro, porque o cordeiro era o próprio Jesus, que tira o pecado do mundo (João 1:29). Essa é a diferença da Páscoa cristã: não precisamos mais sacrificar nada, porque Ele se entregou por nós. Os hebreus deixaram de ser escravos numa terra estranha. Nós, por Jesus, deixamos de ser escravos do pecado. O amor de Deus passa a fazer sentido, descobrimos que somos filhos de Deus e para que fomos criados. O sangue nas portas dos hebreus é figura do sangue de Jesus sobre a nossa vida.

A morte de que se fala aqui é outra. Jesus veio para nos dar vida, vida plena, vida em abundância (João 10:10). Nós nos animamos com carro, casa e salário, mas estamos de passagem. Adão foi criado para a eternidade, desobedeceu, e desde então todos nós um dia vamos morrer nesta terra. Mas quem tem Jesus vive para sempre. Paulo considerou esta vida como esterco diante do que esperava (Filipenses 3:8), e Jesus disse que quem tenta ganhar a própria vida a perde, e quem a perde por Ele a encontra (Mateus 16:25). Quando Jesus está sobre a nossa vida, o anjo da morte não entra: não quer dizer que não morreremos aqui, e sim que temos vida eterna.

Um memorial com novo sentido

A sexta-feira em que Jesus se entregou já era o período da Páscoa. Ele tomou o cálice, agradeceu e o repartiu, tomou o pão, partiu e disse que aquele era o seu corpo, entregue por nós, e que fizéssemos aquilo em memória dele. Depois tomou o cálice da nova aliança, confirmada com o seu sangue (Lucas 22:17-20). Até ali, o memorial lembrava o Egito. Agora lembra que Jesus nos resgatou de uma vida vazia e sem esperança para uma vida com propósito. E no domingo Ele ressuscitou. O mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos vive hoje em nós, e o nome dele é Espírito Santo (Romanos 8:11). Não existe situação que o Senhor não possa resolver, e, mesmo quando a resposta não vem como queremos, a nossa esperança não é deste mundo. Jesus é o primeiro de todos os que vão ressuscitar (1 Coríntios 15:20). Pelo sacrifício dele, também temos livre acesso a Deus: dá para se ajoelhar ali mesmo, na frente do celular ou da TV, e falar com Ele.

Ritual ou mudança de vida

Por isso não precisamos atacar o coelho nem o que as pessoas fazem. Quem não conhece Jesus vive de rituais, de dias que passam como outros quaisquer. Para quem conhece Jesus, essa é a celebração mais importante. A Páscoa significa que Jesus nos liberta do pecado, da depressão, dos vícios e de tudo o que nos afasta de Deus, não porque somos fortes, mas porque Ele se entregou. O pastor convidou quem estava assistindo a entregar o coração a Jesus e a fazer daquela a primeira Páscoa em que entendeu o seu real significado. Mesmo quem frequenta a igreja pode ainda não ter despertado para um relacionamento com o Senhor. E convidou cada um a parar na segunda-feira e lembrar que Jesus está vivo, que a alegria do Senhor é a nossa força (Neemias 8:10) e que Ele está conosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mateus 28:20). A nossa esperança é uma pátria superior (Hebreus 11:16).

A ceia em casa

Em seguida, a igreja celebrou a ceia em casa. Quem tinha o kit de Páscoa recebeu pão sem fermento, ervas amargas, suco de uva e um chocolate, e quem não tinha usou pão e suco. A ceia é de Jesus, não de uma igreja, e foi Ele quem a ordenou. O pastor explicou que a igreja usa suco, e não vinho, por cuidado com quem foi liberto da bebida e de outros vícios. Antes de comer, orou pedindo que Deus mostrasse o pecado de cada um, para ser confessado, e consagrou os elementos. Primeiro o pão. Depois a erva amarga, para lembrar como era amarga a vida sem Jesus. Por fim o cálice, para sentir a diferença que a presença de Jesus faz quando Ele vem. Na oração, pediu que o Senhor nos ensine a contar os nossos dias (Salmo 90:12) e a viver com os olhos na eternidade.

No fim, o Pr. Vitor contou que a família atravessava um tempo muito difícil: o pai dele tinha falecido poucos dias antes, de forma repentina. Ele agradeceu à Comunidade Cristã Zoe Maringá pelas orações e mensagens, e disse que a família tem a certeza de que o pai está com Jesus. Pensou em se afastar por um tempo, mas lembrou que o maior desejo do pai era vê-lo firme com Jesus. Foi em casa que ele aprendeu a amar Jesus, e os filhos veem o quanto os pais amam o Senhor. Mesmo no luto, há a alegria de saber que Jesus está vivo e cuida de nós. Ele encerrou abençoando a semana de cada um, para que fosse uma semana de experiências com Deus, de cura e de alegria.

Esta ministração foi parte do culto de 5 de abril de 2021. Assista ao culto completo.