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Série O Cenáculo

Voltar ao cenáculo

Pr. Vitor Coutinho, 18 de maio de 2025, Atos 1:3-14 e Lucas 22:7-12

Abrindo a série sobre o Cenáculo, às vésperas dos 21 dias de jejum, o Pr. Vitor Coutinho explicou o que era o Pentecostes e por que Jesus mandou os discípulos esperarem pelo poder antes de sair. O cenáculo foi para eles um lugar de obediência e de visão superior. É para esse lugar que o nosso coração precisa voltar, se queremos ser cheios do Espírito Santo e enviados por Deus.

Com este culto, a Comunidade Cristã Zoe Maringá abriu a série sobre o Cenáculo: quatro ministrações que acompanharam os 21 dias de jejum de 2025, até o domingo de Pentecostes. O jejum começava no dia seguinte, como um tempo de busca coletiva para alinhar o coração. O Pr. Vitor Coutinho começou pela base: para falar do cenáculo, é preciso entender o que era o Pentecostes. Não somos judeus nem seguimos a cultura judaica, mas Jesus era judeu e cresceu dentro dela.

O que era o Pentecostes

O Pentecostes era uma ordenança de Deus, celebrada pelo povo uma vez por ano: a festa das semanas, ou das primícias. Era um povo que vivia da plantação. Quando as árvores começavam a dar fruto, cada família separava o primeiro fruto, e a tradição conta que amarravam nele uma fitinha, para saber que estava consagrado a Deus. Cinquenta dias depois da Páscoa, esse fruto era levado para ser apresentado ao Senhor. Entre as festas que Deus ordenou estavam a Páscoa, quando Jesus se entregou por nós e ressuscitou, a festa dos pães sem fermento, durante sete dias, e a festa das primícias, que terminava no Pentecostes.

Do Sinai a Atos 2

O pastor comparou a entrega da lei no Sinai (Êxodo 19 e 20), que chamou de primeiro Pentecostes, com o Pentecostes de Atos 2. No Sinai havia fogo, raios e trovões, e quando Deus chamou o povo para se aproximar, eles disseram a Moisés: vá você, porque se nós formos, vamos morrer. Em Atos 2 também há fogo, mas agora sobre a cabeça dos discípulos. No Sinai, a voz de Deus soou como trovão. Em Atos 2, homens simples da Galileia falam das maravilhas de Deus no idioma de quem veio do outro lado do mundo. A lei foi escrita em pedra, e no Pentecostes, como Deus tinha prometido, o Espírito a escreve no coração. Em Êxodo 32, por causa da idolatria, três mil pessoas morreram. Em Atos 2, três mil foram salvas.

Mas, antes de tudo isso acontecer, Jesus tinha dado uma ordem aos discípulos:

Depois do seu sofrimento, Jesus apresentou-se a eles e deu-lhes muitas provas indiscutíveis de que estava vivo. Apareceu-lhes por um período de quarenta dias, falando-lhes acerca do Reino de Deus. Certa ocasião, enquanto comia com eles, deu-lhes esta ordem: Não saiam de Jerusalém, mas esperem pela promessa de meu Pai, da qual lhes falei. Pois João batizou com água, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo. (Atos 1:3-5)

Antes de ir, receber poder

Jesus passou quarenta dias com os discípulos, dando provas de que estava vivo. Depois subiu aos céus, e dois homens vestidos de branco perguntaram por que eles continuavam olhando para o céu: esse mesmo Jesus voltará da mesma forma como o viram subir (Atos 1:11). A volta de Cristo está próxima, mas a ordem não foi para ficarmos preocupados com o jeito como ela vai acontecer. Foi para buscarmos poder e cumprirmos o propósito para o qual ele nos designou. Atos continua o Evangelho de Lucas, um médico que pesquisou e ouviu testemunhas. No fim do seu Evangelho, e também em Marcos, Jesus manda anunciar o Reino e pregar o evangelho a toda criatura. Mas antes de sair de Jerusalém, eles não podiam ir sozinhos. Enquanto Jesus estava com eles, estavam debaixo da cobertura dele. Agora precisavam levar a mensagem com poder.

A sala de cima

Para esperar essa promessa, os discípulos foram ao cenáculo. A palavra quer dizer sala de cima, um quarto no andar superior, uma sala de refeições. É a sala ampla e mobiliada onde Jesus celebrou a última ceia (Lucas 22:7-12), e foi para lá que eles voltaram depois da ascensão. Ali todos se reuniam sempre em oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele (Atos 1:12-14). Não ficavam vinte e quatro horas sem comer nem conversar: dormiam, comiam e até decidiram quem ocuparia o lugar de Judas. Mas havia uma postura e uma reverência naquele lugar.

O cenáculo era um lugar de intimidade, de comunhão e de celebração. Foi onde Jesus apareceu aos discípulos, que estavam de portas fechadas e com medo, e mostrou as mãos e o lado (João 20). Esse ambiente precisa ser vivido de novo por nós hoje. Vivemos numa sociedade líquida, em que tudo é descartável e nada tem valor por muito tempo. Mas Deus é o mesmo que criou Adão, que ressuscitou Jesus e que virá nos buscar. No trabalho, na rua e no ônibus, perdemos a reverência pelo que é santo, e Deus passa a fazer parte da vida, mas não é mais o primeiro.

Um lugar de obediência

A primeira marca é que os discípulos fizeram do cenáculo um lugar de obediência. Jesus mesmo orou: Pai, se possível, afasta de mim este cálice, mas seja feita a tua vontade. Os discípulos já tinham provas suficientes para sair anunciando, mas escolheram obedecer e permanecer até receber o poder. Muitos de nós preferimos dar velocidade às coisas, porque já sabemos como o poder de Deus se manifesta. Mas Deus não nos chamou para viver da manifestação do poder, e sim para andar na sua presença. Por isso, não faça no automático o que deve ser feito pelo Espírito: a célula, o culto, a oração pela sua casa.

Às vezes queremos poder porque começamos algo sem Deus, não esperamos nele, e agora precisamos de um milagre para sair da enrascada. A obediência não é simples nem comum, mas produz um efeito que só os obedientes vivem. O Salmo 40, lido na hora do louvor, diz que Deus não pediu sacrifício nem oferta. E Samuel disse a Saul, quando o reino lhe foi tirado, que o Senhor quer obediência, não sacrifício (1 Samuel 15).

Um lugar de visão superior

A segunda marca é permanecer no lugar onde a visão é superior. O cenáculo ficava acima do chão, e quem olha de cima enxerga mais longe. O pastor comparou com a janela de casa, de onde consegue ver longe, enquanto na rua não enxerga além de uma parede. Ele lembrou que, num dos primeiros cultos online da pandemia, falou do que Deus estava lhe ensinando: mudar a perspectiva e olhar do céu para a terra. Somos bons em prever as coisas como homens e em comentar as notícias. Quem tem a lente eterna percebe que fomos chamados para viver a partir do sobrenatural, e até o motivo para obedecer muda.

Depois de cheios do Espírito, os discípulos nunca mais foram intimidados. Muitos de nós estamos intimidados pelas circunstâncias. Para vencer isso, é preciso voltar ao lugar de obediência, à visão do céu e ao lugar secreto. Um tempo de jejum da igreja costuma ser uma virada de chave, e ninguém precisa ficar de lado. Todos queremos que Deus nos use, mas, pelo princípio que Jesus estabeleceu, só é enviado quem está cheio de poder. Pedir para ser enviado é pedir para ser cheio do Espírito Santo.

O coração de volta ao cenáculo

Às vezes estamos tão indiferentes que nada disso toca mais o coração. Não é sobre a Palavra, é sobre nós: o coração precisa voltar ao cenáculo. Na oração final, o Pr. Vitor lembrou que o Espírito Santo não é uma emoção nem um arrepio no culto, é o próprio Deus. Não precisamos de luzes e efeitos, e sim de um ambiente de obediência e de fome por mais dele. Ele orou contra toda intimidação, consagrou o jejum da igreja e pediu que o Espírito tocasse quem chegou achando que Deus já tinha desistido, para um tempo de muitas salvações e de vidas vividas como embaixadores do Reino.

Esta ministração foi parte do culto de 18 de maio de 2025. Assista ao culto completo.