Série O Cenáculo
Fogo, propósito e dons
No domingo de Pentecostes, último dia dos 21 dias de jejum, o Pr. Vitor Coutinho lembrou que Pedro chegou a voltar a pescar, até ser restaurado por Jesus. O homem exterior se desgasta, mas o interior é renovado dia após dia, e o Pentecostes traz fogo, propósito e dons. O desafio é crer, ativar a fé e voltar a sonhar com o que Deus falou.
No domingo de Pentecostes, a Comunidade Cristã Zoe Maringá chegou ao último dia dos 21 dias de jejum e ao último culto da série sobre o Cenáculo, começada em 18 de maio. Na abertura, a igreja agradeceu em oração por esse tempo de consagração. O Pr. Vitor Coutinho relembrou o caminho da série: o cenáculo como lugar de visão superior, de obediência, de perseverança, de unidade e de ouvir a voz de Deus. O Pentecostes era a festa que os judeus celebravam em Jerusalém cinquenta dias depois da Páscoa, e foi nela que Deus visitou os discípulos que permaneceram.
Quando Pedro voltou a pescar
Jesus preparou os discípulos como numa pós-graduação, para uma missão que pode custar a vida inteira. O pastor contou uma conversa com a filha pequena sobre o dia em que Jesus vai voltar: ela achava que isso só acontece com quem já está bem velhinho. Pode ser hoje, e precisamos estar prontos. Mas, depois da cruz, os discípulos se sentiram abandonados. O sentimento engana, e mesmo dentro da missão haverá dias em que vamos nos sentir sozinhos e esquecidos por Deus. Em João 21, Pedro diz que vai pescar, e os outros vão com ele. Para eles, pescar não era passatempo, era o sustento. Passaram a noite inteira e não pegaram nada. E Pedro tinha acabado de negar Jesus três vezes, e o Senhor tinha olhado nos olhos dele (Lucas 22:61).
De manhã, um homem na praia perguntou se tinham peixe e mandou lançar a rede de novo. A rede encheu tanto que não conseguiam puxar. João reconheceu: é o Senhor. Pedro vestiu a capa, pulou na água e correu, deixando os amigos com o barco. Ele deixou Jesus tocar o coração dele, foi restaurado e recebeu uma missão: cuidar das ovelhas. Para Jesus restaurar a nossa vida, precisamos ter fome e sede da presença dele.
O homem exterior e o homem interior
No cenáculo eram cento e vinte (Atos 1:15). Muitas vezes pensamos que Deus só está onde há movimento e multidão. Mas a árvore plantada junto ao rio que sai do trono de Deus dá fruto todos os meses do ano (Apocalipse 22:2). Para quem está plantado na presença do Senhor, a mudança de estação não muda o fruto.
Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno. (2 Coríntios 4:16-18)
O homem exterior passa por estações: se desgasta, é apertado e é confrontado. O Pentecostes é para o homem interior. Somos corpo, alma e espírito, e no Salmo 103 Davi ensina a própria alma a bendizer o Senhor e a não se esquecer de nenhum dos seus benefícios. A vida do homem é como a relva, mas o amor do Senhor é eterno para os que o temem. O homem exterior não pode nos convencer de que nascemos para pescar peixes. Ele precisa ser lembrado de que o Senhor nos deu um propósito.
Discípulos e visitantes
No Pentecostes havia dois tipos de pessoas: os discípulos que permaneceram e os estrangeiros que vieram para a festa, cumprindo um rito, alguns conhecendo Deus só pelo que os pais contaram. Para quem estava na missão, o Espírito veio para dar poder, como Jesus disse: esperem até receber poder. Para quem não estava, veio como um convite. Em Gênesis 2:7, Deus sopra e o homem se torna ser vivente. Em Atos 2, Deus sopra sobre a igreja, e um grupo sem poder se torna uma igreja poderosa. A pergunta é: quem somos nós hoje no cenáculo?
Fogo, propósito e dons
O pastor destacou três marcas do Pentecostes. A primeira é o fogo. O fogo de Deus santifica: não esperamos estar prontos para servir, porque é o fogo dele que purifica o que precisa ser purificado. E o fogo chama atenção, porque quem está pegando fogo não passa despercebido. A segunda é o propósito. Quem perseverou na presença tem clareza do que Deus quer. Os alunos do Mestre passaram a ser professores, e Pedro nunca mais voltou a pescar peixes: tornou-se pescador de homens.
A terceira são os dons, ferramentas que o Espírito Santo dá para edificar a igreja. Um martelo serve para bater e arrancar prego. Dá até para apertar um parafuso com ele, ou com uma faca, mas fica malfeito e a ferramenta se estraga. Cada um recebeu ferramentas para a obra, e a igreja perece quando ficamos de braços cruzados esperando estar bons o bastante. Para o discípulo, o fogo empodera a missão. Para quem ainda não é discípulo, o fogo vem para santificar, trazer um propósito novo e, depois, os dons.
Três desafios
O primeiro desafio é crer em Cristo e ser discípulo dele, seja para uma cura, seja para uma transformação em casa. Muitas vezes ficamos cansados e entediados porque não fomos feitos para este mundo, e sim para glorificar a Deus de forma sobrenatural, mesmo em dias simples. Quando Jesus abriu o rolo de Isaías 61 e leu que o Espírito do Senhor estava sobre ele para levar boas notícias aos pobres, cuidar dos quebrantados e anunciar liberdade aos cativos, ele disse que aquilo se cumpria naquele dia (Lucas 4). Se somos discípulos, essa também é a nossa missão.
O segundo é ativar a fé. O crente que mais desanima é o que acorda só para pagar boletos, ou que jejuou só para não ficar de fora. Quem não desanima está focado na missão, e o trabalho de segunda a sexta passa a fazer parte desse propósito. Em 2 Reis 13, o rei bateu as flechas só três vezes, e o profeta se indignou, porque ele poderia ter ido muito além. Muitas vezes a nossa fé está no que nós podemos fazer, no dinheiro e na nossa sabedoria, e não no que Deus pode fazer.
O terceiro é voltar a sonhar com o que Deus um dia falou. Na primeira Páscoa, os hebreus comeram com roupa de sair (Êxodo 12): permanecemos no cenáculo, mas prontos para agir, buscando primeiro o Reino (Mateus 6:33). São sonhos grandes, que vêm do coração do Pai: ver a cidade, uma geração inteira e o Paraná aos pés do Senhor. E o grande dia da nossa vida será quando virmos Jesus voltar para buscar a sua igreja. Na oração final, o Pr. Vitor pediu que o Espírito Santo restaure os sonhos, transforme quem estava só como visitante, tire o medo de anunciar o evangelho e faça de nós um povo com propósito claro, que sabe usar as ferramentas que recebeu. Ele anunciou que os próximos cultos seriam sobre os dons.
Esta ministração foi parte do culto de 8 de junho de 2025. Assista ao culto completo.