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Série O Cenáculo

Vasilhas prontas para serem cheias

Pr. Vitor Coutinho, 25 de maio de 2025, 2 Reis 4:1-7 e Atos 2

No segundo culto da série sobre o Cenáculo, durante o jejum da igreja, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que o azeite que encheu as vasilhas da viúva em 2 Reis 4 aponta para o Espírito Santo. Deus já preparou o ambiente para derramar o seu azeite, mas pergunta se queremos mesmo ser cheios. O cenáculo é um lugar de permanecer, de se alimentar da fonte certa e de viver em unidade.

No domingo seguinte à abertura da série sobre o Cenáculo, a Comunidade Cristã Zoe Maringá estava no meio do seu período de jejum, que começou junto com a série. O Pr. Vitor Coutinho lembrou o que é o jejum bíblico: abster-se de algum alimento para dizer ao próprio corpo que preferimos a presença de Deus. Deixar a TV ou o celular pode ser um bom propósito, mas não é jejum bíblico. Ele relembrou o que é o Pentecostes, a festa em que o povo levava a Jerusalém os primeiros frutos da colheita, cinquenta dias depois da Páscoa, e o que aconteceu em Atos 2: judeus vindos de todo o mundo ouviram homens simples da Galileia falando as maravilhas de Deus nos seus próprios idiomas (Atos 2:7-8). Na semana anterior, a igreja tinha visto o cenáculo como lugar de obediência e de visão superior. A pergunta agora era: por que Deus fez isso num cenáculo, e não no templo?

O novo de Deus não é garantia material

Neste tempo de busca, o pastor disse perceber que Deus quer fazer algo novo nas nossas vidas. Mas, quando ouvimos falar em algo novo, logo pensamos em ganhar: salário melhor, carro melhor, casa melhor. Jesus promete uma vida plena, abundante e cheia de alegria, mas não há garantia de que este tempo vai virar a chave da nossa vida material. Pode ser até que as coisas comecem a dar errado. A pergunta é se, ainda assim, queremos o novo de Deus, porque entendemos que Ele é tudo o que podemos ter. Ele lembrou o dia em que Jesus deu uma palavra dura a uma multidão que só queria ver mais milagres, e muitos foram embora. Em vez de correr atrás de quem saiu, Jesus perguntou aos que ficaram se eles também queriam ir. Pedro respondeu: Senhor, para quem iremos? Só em ti encontramos palavras de vida eterna (João 6:66-68). É nesse ambiente, o do quarto de cima, que o Espírito se move.

A preocupação rouba a semente

Todos queremos que Deus nos use, e a missão que Ele nos deu é clara: levar a mensagem, pregar o evangelho, ensinar, batizar e ajudar as pessoas a permanecerem. Mas, como na parábola do semeador, a preocupação rouba o que Deus tem para nós. Uma boa semente germina e dá fruto, mas, se é roubada, vai embora toda a expectativa de que um dia ela vire uma árvore bonita.

O pastor contou um testemunho da própria igreja. Um pastor amigo tinha falado de um lugar com vidros na frente, e, depois de muita procura sem sucesso, a igreja deu um passo de fé e alugou o espaço onde se reúne hoje. Desde então, as contas fecham no limite, e houve dias em que ele chegou a pensar que tinha sido loucura. Até que um grupo de visitantes de outro país, que ninguém da igreja convidou, veio conhecer o trabalho, e no meio da conversa um deles perguntou sobre o terreno ao lado da igreja. Ele deixou claro que não conta com o que ainda não tem, mas sabe que alguém chegou sem ser convidado e que Deus vai fazer do jeito que Ele quiser.

Somos poucos diante do tamanho da cidade, mas, se Deus colocou uma semente no coração, Ele vai fazê-la germinar: a salvação da casa, uma libertação, uma cura que parece impossível. A nossa parte é permanecer no ambiente em que Ele se move. Quando corremos atrás do recurso, da cura e da salvação pela nossa força, não é obra de Deus. Deus é espírito e age de um jeito diferente do que a nossa cabeça entende, por isso precisamos estar cheios do Espírito Santo para viver a partir da perspectiva do céu. E perguntou se sabemos o que Deus sonhou para nós. Contou a história, ouvida num curso, de um homem que trabalhou a vida inteira pelo sonho de ter uma Ferrari. Uma semana depois de comprar o carro, ele procurou um psicólogo com urgência: tinha conseguido o que queria e se sentia vazio, sem nenhum propósito para viver.

A viúva e as vasilhas

Certo dia, a mulher de um dos discípulos dos profetas foi falar com Eliseu: "Teu servo, meu marido, morreu, e tu sabes que ele temia o Senhor. Mas agora veio um credor que está querendo levar meus dois filhos como escravos". "Como posso ajudá-la?", perguntou Eliseu. "Diga-me, o que você tem em casa?" E ela respondeu: "Tua serva não tem nada além de uma vasilha de azeite". (2 Reis 4:1-2)

Naquela época, sem o marido, quem sustentava a mulher eram os filhos. Se fossem levados, ela morreria de fome. Eliseu não pagou a dívida: perguntou o que ela tinha nas mãos e mandou pedir muitas vasilhas emprestadas aos vizinhos, fechar a porta e derramar o azeite em cada uma. O azeite só parou de correr quando não havia mais vasilhas. Com ele, ela pagou a dívida, e ela e os filhos viveram do que sobrou (2 Reis 4:3-7).

O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo na Bíblia. A palavra para a igreja é preparar as vasilhas para que Deus derrame o azeite: os ministérios, as células e a escola estão prontos. Mas existem vasilhas que querem ser cheias? O pastor pediu sinceridade. Muitas vezes não queremos a obra de Deus em nós, porque temos medo do que vamos perder, e acabamos vivendo à margem, numa vida sem plenitude e sem propósito.

Três marcas do cenáculo

Um lugar de permanecer

Os discípulos permaneceram buscando a Deus. Não sabemos por quantas horas ou dias os filhos da viúva ficaram trazendo vasilhas. Também não sabemos quanto tempo vai levar para Deus fazer algo em nós ou através de nós. Estamos dispostos a permanecer, mesmo com tudo dando errado e sem ver nada, ou queremos que Ele faça no tempo que nós propusemos? Quem quer mais de Deus vai precisar perseverar, insistir e continuar naquele lugar.

Um lugar de alimento

O cenáculo era uma sala de refeições, o lugar onde Jesus mandou preparar a última ceia. E a pergunta é: nesse lugar de espera, o que tem nos alimentado? Em Apocalipse 22, um rio de vida flui do trono de Deus, e a árvore plantada à beira dele dá fruto todos os meses do ano, não conforme a estação, e as suas folhas servem para a cura das nações. Quem se alimenta da presença de Deus vai viver algo sobrenatural na hora certa.

Um lugar de comunhão

A comunhão é necessária para permanecermos, um motivando e fortalecendo o outro. Quando acusaram Jesus de expulsar demônios pelo poder do próprio diabo, Ele respondeu que uma casa dividida não subsiste (Lucas 11). Não há como Deus fazer algo na nossa vida se promovemos divisão por onde passamos. O pastor convidou cada um a viver em unidade: se algo nele desagrada alguém, que essa pessoa o procure e converse. O que não podemos é deixar que a ofensa, uma isca do inimigo, nos atinja e nos faça perder o melhor de Deus.

Falta fé ou falta poder?

Para encerrar, o pastor perguntou qual é o sonho que queima no coração de cada um. É muito provável que tenha sido Deus quem o colocou ali. Muitos têm grandes projetos, mas não conseguem colocá-los em ação. Se o que falta é fé, ninguém vai acordar cheio de fé: é preciso encarar com a fé que se tem. Se o que falta é poder, este é o tempo de buscar ser cheio do Espírito Santo, da água que flui do trono de Deus. Jesus disse à mulher samaritana que quem bebesse da água que Ele dá nunca mais teria sede (João 4). Em Ezequiel 47, o profeta é levado por águas que saem do templo, cada vez mais fundas, até um lugar onde não dá mais pé. Há lugares na presença de Deus em que perdemos o controle e precisamos mergulhar. A obra não vai parar, porque só precisamos do Espírito Santo: se um dia não houver lugar para nos reunirmos, vamos para a praça, e Deus vai nos usar para alcançar quem está sofrendo e sem esperança.

Em Gênesis 2:7, Deus soprou o fôlego de vida no homem, e ele se tornou um ser vivente. Em Atos 2, o Espírito sopra de novo, como um vento impetuoso, sobre homens que tinham uma missão, mas não tinham poder, e eles se tornam discípulos que enfrentam a morte por Cristo. O pastor disse que não consegue imaginar Deus soprando fraco, nem colocando um projeto pequeno no coração de alguém. E lembrou o convite de Jesus aos cansados e sobrecarregados (Mateus 11:28-30). Não fomos criados para uma vida pesada e sem propósito. Falta recurso? Não se preocupe com isso. Ainda falta poder? Aproveite este tempo para se santificar. Na oração final, o Pr. Vitor colocou a igreja diante de Deus como vasilhas prontas para serem cheias de azeite, pedindo que, se já estamos cheios, possamos transbordar. Orou para que o inimigo não leve os nossos filhos, que sejamos uma igreja poderosa em todos os dias da semana, e declarou João 16:33: neste mundo teremos aflições, mas teremos bom ânimo, porque o Senhor venceu.

Esta ministração foi parte do culto de 25 de maio de 2025. Assista ao culto completo.