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Série O Cenáculo

Chamados para perseverar

Pr. Vitor Coutinho, 1 de junho de 2025, Lucas 14:25-33

Durante os 21 dias de jejum e a série sobre o Cenáculo, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que Jesus treinou os discípulos para uma missão, mas só cerca de cento e vinte perseveraram até o Pentecostes. Seguir a Cristo custa tudo, e perseverar não é acertar sempre, é não desistir. Contra os três inimigos da perseverança, a ilusão de uma vida fácil, a falta de resiliência e a falta de visão, a igreja tem a oração, a intercessão e a voz de Deus.

Este culto aconteceu durante os 21 dias de jejum de 2025 da Comunidade Cristã Zoe Maringá, uma semana antes do domingo de Pentecostes, dentro da série sobre o Cenáculo. Antes da Palavra, a igreja celebrou a ceia e orou pelo jejum. O Pr. Vitor Coutinho convidou quem tinha falhado em algum dos dias a voltar ao propósito: é tolo quem não cumpre o voto feito ao Senhor (Eclesiastes 5:4), e mais tolo ainda é não se arrepender e não retornar. O jejum não muda Deus, muda a nós, e tira tudo o que faz ruído diante da voz do Senhor. No domingo seguinte, a igreja entregaria junta esse tempo de jejum. Nos cultos anteriores, a série tinha falado do lugar onde os discípulos estavam reunidos quando o Espírito foi derramado e da festa de Pentecostes desde o tempo de Moisés. Desta vez, o tema foi a perseverança.

Uma pós-graduação com Jesus

Jesus preparou os discípulos para uma missão, como numa escola. A faculdade é ampla, e muita gente sai dela sem se sentir especialista em nada. Na pós-graduação, no mestrado e no doutorado, o estudo fica cada vez mais específico. Todos nós estamos nos preparando para a missão da nossa vida. Depois de uma noite de oração no monte, Jesus escolheu doze homens para andar perto dele (Lucas 6:12-13), e eles foram treinados.

Nem todo treinamento é agradável. Jesus enviou setenta, de dois em dois, para anunciar que o Reino tinha chegado, curar os enfermos e expulsar demônios, sem levar dinheiro nem roupa extra. Eles voltaram felizes, mas Jesus ensinou que a alegria deles não devia estar no que faziam, e sim no nome escrito no livro da vida (Lucas 10:17-20). Em outra cena, enquanto Pedro, Tiago e João viam Jesus transfigurado no monte, os que ficaram embaixo não conseguiram expulsar um demônio (Mateus 17). Houve quem achasse difícil demais e fosse embora, e Jesus perguntou aos que ficaram se eles também queriam ir (João 6:66-67). Hoje acontece o mesmo: acordamos dizendo que será um dia abençoado e só encontramos problemas. Vamos passar por esse treinamento até o último dia da vida, sendo transformados de glória em glória.

Foco no que importa

Os discípulos foram treinados para ter foco. Depois do Pentecostes, a igreja cresceu muito e começou a distribuir alimento às viúvas, até que surgiu a reclamação de que umas famílias recebiam mais do que outras. Os apóstolos perceberam que o serviço tinha tirado deles o principal. Levantaram os primeiros diáconos e decidiram se dedicar à oração e ao ministério da Palavra (Atos 6:1-4). Tudo o que não importa precisa ser deixado de lado.

Até o quinquagésimo dia

Mais de quinhentas pessoas viram Jesus ressuscitado (1 Coríntios 15:6), mas cerca de cento e vinte estavam reunidas no dia de Pentecostes (Atos 1:15). Centenas não conseguiram perseverar. A perseverança é uma característica necessária para quem segue Jesus, antes do Pentecostes, depois dele e a vida inteira. O pastor citou o escritor John Maxwell, para quem a fórmula do sucesso é ir até o fim naquilo que se começa. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, mas foi perseverante até o fim. De quem desiste no meio do caminho, ninguém se lembra.

Uma grande multidão ia acompanhando Jesus; este, voltando-se para ela, disse: Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo. E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo. (...) Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo. (Lucas 14:25-27,33)

Jesus tinha chamado os cansados e sobrecarregados para encontrar alívio, e o jugo dele é suave (Mateus 11:28-30). Mas chegou uma hora em que ele deixou claro que quem estava ali sem foco podia ir embora. Ninguém começa a construir uma torre sem calcular o custo, e nenhum rei vai à guerra sem ver se dez mil homens podem enfrentar vinte mil (Lucas 14:28-32). Dizemos que não temos outro Deus além de Cristo, mas basta Jesus nos pedir alguma coisa para descobrirmos se há outro ídolo no coração. Assim como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, dois senhores não ocupam o mesmo coração.

Olhamos para os heróis da fé em Hebreus 11 e vemos as conquistas, mas minimizamos as dores. Até o quinquagésimo dia, os discípulos não tinham nada além de uma promessa. O pastor lembrou o livro de um pastor americano ligado ao ministério Jesus Culture. Quando jovem, ele ouviu que Deus o usaria muito além das fronteiras do seu país, mas ninguém o avisou de que passariam mais de dezoito anos até algo começar a acontecer. Quem o via pregando em estádios não tinha visto esses anos de dor e de fracasso. Deus quase nunca nos avisa quanto tempo vai levar. Temos uma visão parcial e vivemos pela fé.

Seguir a Cristo vai custar tudo, e no começo talvez tudo pareça dar errado. Neste mundo teremos aflições, mas Jesus mandou ter bom ânimo, porque ele venceu (João 16:33). Pentecostes é sobre perseverar na segunda e na sexta-feira, na alegria de uma ótima notícia e na tristeza de uma catástrofe, quando todos estão conosco e quando estamos sozinhos. Perseverar não é acertar todas as vezes. É não desistir do propósito que Jesus colocou diante de nós.

Três inimigos da perseverança

Achar que a vida seria fácil

Muitos desistem porque imaginavam que a vida seria fácil. Mesmo cheios do Espírito, os discípulos foram presos e ameaçados. Em Atos 4:29-31, eles oraram pedindo que Deus considerasse as ameaças e os capacitasse a anunciar a Palavra com coragem. O lugar tremeu, e eles foram cheios do Espírito de novo. A arma contra esse inimigo é a oração: orar sem cessar (1 Tessalonicenses 5:17). Uma frase antiga, atribuída a Agostinho ou a Inácio de Loyola, resume: ore como se tudo dependesse de Deus e trabalhe como se tudo dependesse de você.

A falta de resiliência

Ser resiliente é ser forte mesmo quando estamos fracos por dentro, tirar forças de onde não há e decidir permanecer. Todos gostam de ouvir bons testemunhos, mas ninguém gosta de viver o processo que gera o testemunho. Na ceia, a Pra. Jéssica tinha contado sobre a ministração numa penitenciária feminina: o testemunho é bonito, mas o lugar é difícil. Estar no time que viu o Pentecostes é estar lá todos os dias, independente do humor e das circunstâncias. A ferramenta aqui é a intercessão. Quando paramos de orar só por nós e começamos a orar pelos outros, pela igreja, pela casa, pelos discípulos e pelas autoridades, percebemos que o nosso problema não é tão grande e que Deus está nos usando para abençoar pessoas.

A falta de visão clara

Sem saber o que Deus tem para a nossa vida, não conseguimos fluir em nada. O caminho é se dedicar a ouvir a voz do Senhor, como os discípulos reunidos em oração. Muitas vezes essa voz não vem no barulho. Elias, deprimido numa caverna, viu passar vento, fogo e tempestade, mas Deus falou no silêncio (1 Reis 19). Quem não sabe se ouve a voz de Deus pode orar assim: o Senhor me criou, fez os meus ouvidos e o meu coração, e vai me fazer ouvir a sua voz. Davi, perseguido por Saul durante anos, sabia que não havia lugar onde o Senhor não estivesse (Salmo 139). Quando Deus nos dá visão e propósito, é impossível fugir deles.

Chamados para não desistir

No fim, com a igreja de pé, o Pr. Vitor declarou que ninguém ali foi chamado para desistir. Talvez a escassez, a doença, o medo ou problemas em casa tenham batido à porta, mas Jesus prometeu estar conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mateus 28:20). Noé parecia um louco, mas perseverou no que Deus falou, e a casa dele foi salva. O convite foi para um compromisso diário de oração e de tempo na presença do Senhor, crendo que no tempo certo Deus vai agir e que quem semeia com lágrimas colhe com alegria (Salmo 126:5). Na oração final, ele pediu perdão pelos votos não cumpridos e pela falta de fé, renovou o compromisso da igreja de permanecer focada na missão e lembrou o grande dia em que veremos o Senhor voltar sobre as nuvens para buscar a sua igreja, quando não haverá mais dor nem choro.

Esta ministração foi parte do culto de 1 de junho de 2025. Assista ao culto completo.