Série Jejum de Pentecostes 2024
Um exército morto
Na véspera do jejum que a igreja entregaria no domingo de Pentecostes, o Pr. Vitor Coutinho pregou sobre o vale de ossos secos de Ezequiel 37: um exército derrotado, sem vida, que se levantou quando o Espírito do Senhor soprou. Entre uma montanha e outra existe um vale, e é na subida que muitos desistem. Deus quer soprar de novo sobre o seu povo e transformar um exército morto num exército poderoso.
No culto da noite de 28 de abril de 2024, a Comunidade Cristã Zoe Maringá estava na véspera do jejum daquele ano, que começaria no dia seguinte e seria entregue no culto de Pentecostes. Antes de abrir a Bíblia, o Pr. Vitor Coutinho falou sobre o caminho desse tempo: um grupo para conversar sobre o jejum, devocional todos os dias, os pit stops de oração em três quintas-feiras, também transmitidos, e, no fim, a tenda e um relógio de oração, cada um onde estiver, até o domingo de Pentecostes. O convite foi criar expectativa, porque o Senhor quer fazer algo novo. O texto base foi Ezequiel 37, o vale de ossos secos.
Ossos, pele e fôlego
O corpo humano tem 206 ossos, e são eles que nos sustentam. Sem osso, a pessoa mais bonita do mundo seria uma geleia no chão. A pele que Deus nos deu se fecha sozinha depois de um corte ou de uma cirurgia, coisa que nenhuma roupa cara faz, e o sangue leva oxigênio para que tudo tenha vida. É perfeito. Mas nada disso bastaria sem o Espírito de Deus soprado em nós. Sem ele, seríamos só corpos que andam, sem ter nascido de novo.
Um povo que se afastou de Deus
Deus escolheu Israel para que o seu nome fosse glorificado no mundo inteiro e deu a eles a terra de Canaã, com uma condição: tê-lo como único Senhor. Com o tempo, o povo deixou de adorar a Deus, se corrompeu e foi atrás de outros deuses. Deus levantou profetas, como um pai que avisa o filho: para com isso, que você vai se machucar. O povo não ouviu. Nos dias de Samuel, a primeira palavra que o menino recebeu de Deus foi sobre o juízo que viria sobre os filhos do sacerdote Eli (1 Samuel 3). Veio a guerra, Eli recebeu a notícia, caiu e morreu, e a glória de Deus se retirou de Israel: Icabode (1 Samuel 4). Podemos passar por problemas e por anos de aflição, mas, como orou Moisés, não dá para seguir sem a presença do Senhor (Êxodo 33:15).
No tempo de Ezequiel, outros povos levaram Israel cativo, saquearam a terra prometida e zombavam do nome do Senhor. Em Ezequiel 36, Deus diz que está tomado de zelo, porque o seu nome foi envergonhado diante das nações, e promete restaurar o povo. Mas deixa claro: não é por causa de vocês, é por causa do meu nome. Era uma promessa para um tempo futuro. O presente era uma terra desolada.
A mão do Senhor veio sobre mim, e o Espírito do Senhor me levou a um vale cheio de ossos. Ele me conduziu por entre os ossos, que cobriam o fundo do vale, espalhados por toda parte, e estavam completamente secos. Então ele me perguntou: Filho do homem, acaso estes ossos podem voltar a viver? E eu respondi: Ó Senhor Soberano, só tu sabes. (Ezequiel 37:1-3)
Constatação, juízo e arrependimento
Em quase toda profecia bíblica aparecem três coisas: Deus mostra o que está errado, anuncia o juízo e a consequência, e chama ao arrependimento, porque é rico em misericórdia. O pastor contou que, um tempo atrás, alguém trouxe ao casal uma palavra só de condenação, que trouxe medo para dentro de casa. Ela não seguia esse padrão: não apontava pecado nem chamava ao arrependimento. Como sacerdote do lar, ele separou um tempo de jejum, orou com a esposa, se posicionou sobre aquela palavra, e a paz do Senhor voltou à casa. Há uma responsabilidade sobre nós e sobre a nossa casa, e precisamos entender os tempos. Israel recebia o chamado ao arrependimento, mas não permanecia.
Um exército derrotado no vale
O vale é o lugar entre dois montes, um terreno difícil de andar e de construir. O que se entende do texto é que aqueles ossos eram de um exército que tinha perdido a guerra, provavelmente o próprio exército de Israel, que vinha acumulando derrotas. Mandavam mais soldados, e todos morriam no vale, porque Deus não estava lutando com eles. Era o contrário de Davi, a quem Deus deu como sinal o som de passos à sua frente: era o Senhor indo antes dele para a batalha (2 Samuel 5:24). Ali, os corpos se decompuseram até sobrar só osso seco. Era um lugar de derrota, de medo e de caos, onde ninguém queria estar. E Deus pergunta ao profeta: estes ossos podem voltar a viver?
Entre uma montanha e outra
Na nossa vida também há vales. Conhecemos Jesus, a vida muda, e de repente é ladeira abaixo: decepção, problema no casamento, no emprego, na família, nas emoções. Mas entre um monte e outro é inevitável passar pelo vale, e muitas vezes não percebemos que já estamos subindo uma montanha mais alta. O pico do Everest vive cheio de gente tirando selfie, mas no caminho ficaram mais de duzentas pessoas. Um dos primeiros a tentar levou a foto da esposa para deixar no alto. Nunca voltou, e quando o encontraram, décadas depois, a foto não estava com ele.
Estávamos para começar um jejum, crendo num tempo novo de Deus, e esse é justamente o momento mais favorável para desistir, porque subir uma montanha nova exige mais esforço, inclusive espiritual. Muita gente diz: comecei a buscar o Senhor e tudo deu errado. Não sabe que está subindo, e desiste. É na subida que percebemos os pesos que já não cabem na nova fase, e ou deixamos para trás, ou não chegamos ao topo. Como Paulo, esquecemos o que ficou para trás e corremos para o prêmio (Filipenses 3:13-14), que é ser parecido com Jesus. Lá em cima vem a percepção de uma unção nova: a oração muda e a Bíblia ganha revelação nova. O pastor contou que, anos atrás, depois de uma experiência marcante com Deus em oração, achou que um tempo novo ia começar, e vieram os anos mais difíceis da família e do ministério. Mesmo ali passou a sentir a presença de Deus de um jeito diferente. Achava que estava no topo, e ainda estava no pé do monte.
Profetize aos ossos e ao vento
Deus mandou o profeta falar aos ossos: ouçam a palavra do Senhor. Houve um barulho, os ossos se juntaram, vieram músculos, carne e pele, mas ainda não respiravam. Então Deus mandou profetizar ao vento, e o fôlego entrou nos corpos, que se levantaram como um grande exército. O povo dizia que a esperança tinha acabado, e o Senhor respondeu que abriria as sepulturas, poria o seu Espírito neles e os traria de volta à sua terra: eu, o Senhor, falei e cumpri (Ezequiel 37:4-14).
Jerusalém fica num monte. Alguns estudiosos ligam o primeiro Pentecostes ao dia em que Moisés recebeu a lei no monte. No Pentecostes de Atos, a lei passa a ser escrita no coração. Entre esses dois momentos houve um vale: Israel virou um povo qualquer, oprimido por Roma. Mas o Senhor soprou o seu Espírito, e a igreja se tornou o povo mais poderoso da face da terra. Foi assim no vale de ossos secos, no cenáculo e em cada vez que vamos ao quarto orar no secreto: Deus libera a palavra e tudo precisa se mover de acordo com ela, como em Gênesis, porque ele vela pela sua palavra para cumpri-la (Jeremias 1:12).
De exército morto a exército poderoso
O que hoje parece impossível de ser restaurado? A saúde, a alegria na presença de Deus, o casamento, a profissão, os sonhos. Deus quer soprar sobre nós para que deixemos de ser um vale de ossos secos e sejamos um exército poderoso. Num ano de avivamento, vive esse tempo quem decide subir a montanha amando ainda mais o Senhor, mais cheio do Espírito Santo, trocando o medo por fé. E não será da noite para o dia. Se Deus nos mantiver no vale, seremos um exército poderoso no vale. Se nos chamar para subir, seremos alpinistas cheios do Espírito, aproveitando o processo. Alguns podem achar exagero falar de avivamento, mas os nossos olhos estão em Jesus e no que ele prometeu, e Maringá é terra de avivamento.
O convite final foi se posicionar como o profeta no vale e declarar vida sobre o casamento, a saúde, o trabalho e os sonhos. Quem para de sonhar é quem está morto, e Deus não quer isso para nós. Com a igreja de pé, o Pr. Vitor orou: basta uma palavra do Senhor para o medo ir embora, os traumas serem curados e um grande exército se levantar; só o Espírito Santo transforma discípulos amedrontados em gente cheia de coragem. Enquanto o louvor ministrava, ele pediu que Deus aumentasse a intensidade da sua presença nos cultos seguintes, que houvesse muitas salvações e que cada família, emprego e sonho fosse abençoado. Em seguida, lembrou que o jejum começava no dia seguinte.
Esta ministração foi parte do culto de 28 de abril de 2024. Assista ao culto completo.