Série Jejum de Pentecostes 2024
O padrão para as mães e para os filhos
No Dia das Mães, durante o jejum que a igreja fazia antes do Pentecostes, o Pr. Vitor Coutinho lembrou que todos nós somos filhos e que o nosso padrão é Jesus, não as expectativas que criamos sobre o mover de Deus. Estar com Ele é mais importante do que trabalhar para Ele, a única comparação que vale é com Cristo, e, aconteça o que acontecer, o nosso dever é permanecer fiéis e motivados pela Palavra.
Este culto de domingo à noite, no Dia das Mães, aconteceu durante o jejum que a Comunidade Cristã Zoe Maringá estava fazendo naquele ano, no período que antecede o Pentecostes. O Pr. Vitor Coutinho saudou as mães e lembrou quem vive essa data com dor: quem já se despediu da mãe ou não teve uma mãe presente. Nem todos somos mães, mas todos somos filhos. Por isso a mensagem foi sobre o padrão que Jesus estabeleceu para nós como filhos, a partir de Mateus 7:21-23.
Um dia comum que quebrou o padrão
Deus é bom em todo o tempo. Ele é o mesmo Deus da semeadura e da colheita. O pastor lembrou que a filha dele tinha acabado de nascer naquela semana: quando ela ainda era só um som no ultrassom, já se sabia que o dia de nascer chegaria. Na nossa vida também há o tempo de semear sem ver a colheita, e é nele que usamos a fé, como a do centurião que impressionou Jesus (Mateus 8:10). Foi num dia comum que Deus enviou o anjo Gabriel a Maria (Lucas 1), e a vida dela nunca mais foi a mesma. Se o Senhor seguisse os padrões humanos, nem o Salvador teria vindo: uma virgem grávida pelo Espírito Santo é uma quebra de padrão.
Todos repetimos padrões. Às vezes nos pegamos sendo exatamente a pessoa que juramos nunca ser. Existem princípios bíblicos, e quem os segue é abençoado. Mas também colocamos sobre a vida, a família e a igreja padrões que não têm nada a ver com Cristo, e sempre há alguém dizendo o que precisamos fazer para sermos crentes de verdade. Este tempo de jejum e de busca é a melhor época para voltar ao Senhor e entender o que Ele estabeleceu. Sem o padrão de Cristo, o que nos move passa a ser quantas pessoas há na célula ou no culto, ou quantas nos seguem. Queremos a parede pronta sem esperar cada tijolo, e as emoções governam no lugar da fé. Em Atos 4:11, Jesus é a pedra angular: o padrão para a nossa vida é Ele. Certa vez, alguém da célula reclamou que os conselhos dos pastores eram sempre orar e imitar Jesus. Mas não há outra resposta, porque Ele é o nosso padrão.
O que esperamos de um mover de Deus
Nem todos que me chamam: Senhor, Senhor, entrarão no reino dos céus, mas apenas aqueles que de fato fazem a vontade de meu Pai, que está no céu. No dia do juízo, muitos me dirão: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome, não expulsamos demônios em teu nome, não realizamos muitos milagres em teu nome? Eu, porém, responderei: Nunca os conheci. Afastem-se de mim, vocês que desobedecem à lei. (Mateus 7:21-23)
Se cada um descrevesse como deve ser um culto, um pediria silêncio, outro um culto avivado, outro cura em todo culto, outro profecia. Mas Jesus diz que gente que profetizou, expulsou demônios e fez milagres vai ouvir: nunca os conheci. No período antes do Pentecostes, oramos para que Deus avive a sua obra. Se esperamos para o domingo seguinte apenas um culto de milagres e manifestações, podemos estar esperando o padrão errado. Isso não quer dizer ir para o outro extremo, sem sinal nenhum: no Pentecostes houve línguas de fogo e gente falando em outros idiomas, e os sinais acompanham quem crê. Jesus estabeleceu um padrão do céu que nem sempre é o que queremos ou esperamos, mas é sempre a resposta certa para as nossas necessidades. Em Mateus 25, Ele separa ovelhas e bodes, e os bodes são os que estão no movimento, trabalhando, sem fazer a vontade do Pai.
Primeiro: estar com Ele vale mais do que trabalhar para Ele
No Sermão do Monte, em Mateus 6, Jesus parece complicar ainda mais: ajudar sem que ninguém saiba, orar no secreto, jejuar sem cara de triste, ajuntar tesouros no céu e não andar ansioso. O pastor brincou que, no jejum, dá até para mascar um chiclete para ninguém perceber. O que Jesus quer nos ensinar é que é mais importante estar com Ele do que trabalhar para Ele. É o mesmo Jesus que disse que veio para servir, e quem está com Ele trabalha. O erro é querer trabalhar para Ele sem estar com Ele. Num tempo em que o Senhor está restaurando o nosso coração, Ele não admite que o sirvamos perdendo o prazer da sua presença. E a árvore se conhece pelos frutos (Mateus 7:16).
O pastor deu um exemplo prático. Não faz sentido servir no culto em que estamos na escala e não vir ao culto em que não estamos. Ele explicou que a liderança não manda recado do púlpito: quando precisa corrigir alguém, chama para um café. Quem vai visitar a mãe em outra cidade, que vá. Mas há quem só venha à comunhão quando está escalado, e quem esteja todos os dias na igreja e não tenha um dia para estar com Deus e com a família. Com o tempo perdemos a família e a presença, e continuamos achando que estamos fazendo a obra.
Quando João Batista, preso, mandou perguntar se Jesus era mesmo quem eles esperavam, Jesus respondeu com o que estava fazendo: restaurar as pessoas de dentro para fora (Mateus 11:2-6). Até João esperava outra manifestação do céu na terra. Jesus enviou os discípulos de dois em dois, e eles voltaram animados porque até os demônios se submetiam. Mas Ele disse que a alegria deles não estava nisso, e sim na salvação (Lucas 10:17-20). Depois da ressurreição, antes de enviá-los de novo, mandou que esperassem o Espírito Santo (Atos 1:4-8). Sem a presença, não adianta servir. Às vezes queremos acelerar o tempo, como quem quer antecipar o nascimento de uma criança, e o ativismo pode matar um ministério.
Segundo: só se comparar com Jesus
A pedra angular é a que define o desenho de toda a construção. Jesus é o modelo que deve ser repetido. Paulo avisa que as más companhias corrompem os bons costumes (1 Coríntios 15:33), e muitas vezes nos comparamos com quem vemos nas redes sociais: alguém com metade da nossa idade que já construiu muito, a família do outro, o trabalho que parece fácil. Sem percebermos, isso nos corrói por dentro. Jesus cumpriu todo o processo da lei e esperou até os trinta anos para começar o ministério. No batismo, antes de qualquer obra, o Pai confirmou a sua identidade (Mateus 3:17). Nós achamos que Deus não nos aprova porque olhamos o ministério, a casa e o sucesso do outro. A pergunta é: qual é a vontade de Deus para você?
O pastor contou que, quando ia se casar, recebeu de Deus a palavra de não comprar um imóvel. Ele insistiu por quase um ano, e nada deu certo, até reconhecer que o problema era ele. Então alugaram um apartamento, e até hoje moram de aluguel. Se Deus der outra palavra, tudo bem. Ele não precisa se comparar com quem tem casa própria, porque aquilo é o que Deus tem para aquela pessoa. A casa construída sobre os ensinamentos de Cristo permanece firme (Mateus 7:24-27), e permanecer firme é, no fim, ser contado entre as ovelhas e como servo bom e fiel.
Terceiro: permanecer fiel e motivado
No mundo teremos aflições, mas devemos ter ânimo, porque Jesus venceu o mundo (João 16:33). Apesar de tudo o que já aconteceu e do que está acontecendo, o nosso dever é permanecer fiéis e motivados, mesmo quando os olhos não veem nada. Não porque seja fácil, mas porque é o caminho de quem quer repetir o padrão do Filho. Pode parecer que tudo vai acabar, mas Ele é o provedor e cria o que não existe. O mundo está em pecado, mas o Cordeiro providenciou o sacrifício perfeito. O que nos sustenta não é uma palavra motivacional, e sim a fé na Palavra de Deus.
A emoção passa. No dia de uma notícia ruim, a alegria do culto vira frustração, e o que fica é a Palavra que aprendemos. O pastor contou que, na véspera do nascimento da filha, ele e a esposa oraram juntos e decidiram se apegar ao que Deus determinou, e não ao que estavam sentindo. A emoção foi embora e ficou a fé. Naquela semana antes do Pentecostes, ele avisou: talvez você espere só vitória e fogo caindo, mas provavelmente vai encontrar dificuldades. Deixe a emoção de lado e pegue a sua fé.
No fim, o pastor lembrou que não estamos na igreja para saber o que o pastor pensa, mas para compreender quem Jesus é e o que Ele quer de nós. Convidou quem estava afundado em comparação, preso a um padrão que não vem de Deus ou servindo sem estar ligado a Ele. Quem trocou a intimidade pelo serviço pode pedir um tempo aos pastores, e não há problema nisso. Depois de ler Colossenses 1:15-23, orou para que toda comparação e frustração caíssem por terra. Não fazemos culto ou célula porque existe programação, mas porque amamos o Senhor. Queremos o mover de Deus, mas não a qualquer custo: só se a sua presença for conosco, porque Cristo em nós é a esperança da glória (Colossenses 1:27).
Esta ministração foi parte do culto de 12 de maio de 2024. Assista ao culto completo.