Série Jejum de Pentecostes 2024
Em intimidade e em ação
No domingo de Pentecostes, quando a igreja entregou o jejum, o Pr. Vitor Coutinho chamou cada um a caminhar em oração e em ação, como os filhos de Issacar, que sabiam ler os tempos e iam para a batalha. O avivamento não se fabrica: começa em casa, com um coração apaixonado pelo Senhor mais do que pela obra dele, e com cada um servindo no ministério para o qual Deus o chamou.
Uma vez por ano, a Comunidade Cristã Zoe Maringá jejua junta e entrega esse jejum no domingo de Pentecostes. Neste culto, o Pr. Vitor Coutinho começou orando para que o Espírito Santo visitasse cada família e cada coração. A mensagem passou por três textos, Atos 2, 1 Crônicas 12 e Efésios 4, e teve uma ideia central: o chamado de Deus para este tempo é caminhar tanto em oração quanto em ação.
Antes do pregador, os intercessores
O pastor contou a história de um evangelista estrangeiro que, antes de chegar a uma cidade, não mandava marketing nem gente entregando panfleto. Mandava intercessores. Ele só ia ministrar quando eles davam o sinal de que o céu estava pronto, e onde ele pregava havia salvação. No domingo anterior, a igreja tinha ouvido que é possível se mover em dons e milagres e ainda assim ouvir de Jesus: afastem-se de mim, vocês que praticam a iniquidade (Mateus 7:21-23). E outros serão surpreendidos ao ser recebidos no Reino por terem alimentado, visitado e cuidado dos pequeninos (Mateus 25:31-40). Muitas das nossas expectativas vêm de comparação com quem seguimos nas redes sociais, mas a nossa referência é Jesus, nada mais e nada menos. E só conhece a vontade do Pai quem tem intimidade com Ele.
Por isso a igreja se posicionou em jejum. Alguns fizeram, outros não, e o pastor encorajou quem ainda não tem esse costume a separar um dia por semana para buscar o Senhor de forma intencional. Falar de Pentecostes não é sair com a cadeira na cabeça. O avivamento que Deus quer fazer na nossa vida inclui quem vive conosco debaixo do mesmo teto. E é preciso as duas coisas: não adianta só cobrar dentro de casa e deixar a oração de lado, nem só orar e nunca agir.
Os filhos de Issacar
Em 1 Crônicas 12, Davi já tinha sido ungido, mas ainda fugia de Saul, que queria matá-lo. Quando Deus nos dá uma palavra, o inimigo tenta tirar a nossa vida, mas maior é aquele que está em nós. Em outro momento, quem se juntou a Davi foram os endividados e os amargurados (1 Samuel 22:2). Agora chegavam os chefes das tribos de Israel, dizendo que estavam com ele para lutar. Entre eles, os filhos de Issacar: duzentos chefes que sabiam interpretar os tempos (1 Crônicas 12:32). Eles discerniam o que acontecia no mundo espiritual, mas não ficavam só filosofando: eram guerreiros e avançavam no campo de batalha. O pastor contou que, num tempo de oração semanas antes, pediu a Deus uma coisa só: não perder a leitura do tempo. Além de dizer como Josué que ele e a sua casa servirão ao Senhor (Josué 24:15), ele não quer perder o tempo da visitação de Deus dentro de casa.
Pentecostes não se fabrica
Jesus prometeu enviar o Consolador, que dá poder para testemunhar. O Espírito Santo não é animação. Quando estamos animados, é como colocar nitro no motor: o carro, o pneu e a estrada são os mesmos, mas ele anda mais rápido. Só que fazer a obra de Jesus não depende de animação, porque é mandamento. Jesus disse aos discípulos que ficassem reunidos em oração até receberem poder. No Pentecostes, judeus de várias nações estavam em Jerusalém para a festa. De repente veio um som como de um vento impetuoso, línguas de fogo pousaram sobre eles, e cada um ouvia no seu próprio idioma as maravilhas de Deus. Os discípulos não provocaram nada disso. Eles estavam obedecendo, em intimidade e em ação, e o céu tocou a terra.
Pedro tomou a palavra, lembrou a profecia de Joel e pregou Jesus. O povo perguntou o que precisava fazer para ser salvo, e ele respondeu: arrependam-se e sejam batizados. Naquele dia, cerca de três mil pessoas foram acrescentadas a uma igreja de mais ou menos cento e vinte (Atos 2:41). O maior medo do pastor é provocarmos um avivamento emocional ou ideológico, porque quem provoca precisa sustentar, e sustentar o que não é genuíno destrói a saúde, a família e as emoções. Deus tem promessas para Maringá e para a nossa igreja, de muitas almas. Mas Ele não faz nada de trás para frente: primeiro alinha as bases da nossa casa, e primeiro precisamos amar mais a Ele do que à obra dele.
Apaixonados por Ele, não pelo serviço
Todo mundo que ama a Deus vai servir a Ele, mas nem todo mundo que serve já entendeu que o mais importante é Ele. Amar servir mais do que amar o Senhor pode ser o maior prejuízo que deixamos para a próxima geração. Um evento lotado sem a presença de Deus não valeria nada. Muitas vezes o nosso foco está em fazer algo visível, que o Senhor nem está pedindo. Esta é a estação de nos apaixonarmos pela presença dele, a ponto de Ele poder nos dar ou nos tirar o que quiser. A pergunta é: o que ainda é mais importante do que a presença de Deus? O emprego, alguma posse, alguém da família?
Os dons do Espírito são como ferramentas: a um Ele dá uma chave de fenda, a outro um alicate, a outro um martelo, como Ele quer (1 Coríntios 12:11). Mas não adianta gostar mais da ferramenta do que do Senhor. Por amor a nós, Deus não vai deixar o nosso serviço nos matar nem destruir a nossa casa. Quem tem jejuado e encontrado um lugar secreto com Deus precisa se preparar, porque o Senhor leva para o próximo nível quem já foi aprovado onde está. O pastor contou de uma caixa de ferramentas que recebeu de herança, só com chaves de fenda comuns, e de quando ganhou uma parafusadeira a bateria: chegou em casa para montar um berço sentindo-se poderoso. Nos últimos doze meses, Deus tem trazido a igreja para mais perto dele. Às vezes estamos preocupados em ganhar o mundo, enquanto Ele ainda quer salvar a nós e à nossa casa. Ninguém recebe visita bem quando a casa não está em ordem, e Deus não vai fazer a igreja crescer enquanto a nossa casa não estiver pronta para receber pessoas. Que Ele nos encontre satisfeitos nele e sedentos por mais, e não vivendo inspirados no ministério dos outros, porque o Senhor revela os seus segredos aos amigos (João 15:15).
Cinco ministérios, um só Cabeça
Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres. Eles são responsáveis por preparar o povo santo para realizar sua obra e edificar o corpo de Cristo, até que todos alcancemos a unidade que a fé e o conhecimento do Filho de Deus produzem e amadureçamos, chegando à completa medida da estatura de Cristo. (Efésios 4:11-13)
Então não seremos mais imaturos como crianças, levados por qualquer vento de doutrina, e cada parte do corpo, cumprindo a sua função, ajuda as outras a crescer (Efésios 4:14-16). Quem chama cada um para a sua obra não é o pastor nem ninguém da igreja: é Cristo, o Cabeça, quem ajusta o corpo. Depois de jejuar, orar e fazer boas obras em secreto (Mateus 6), surge a pergunta: qual é o botão que eu aperto agora? Servir no Reino Kids ou ensinar crianças é função. Mas o Senhor estabeleceu cinco estilos de ministério: apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre. Quando a igreja tem consciência disso, avança em maturidade, e sai das nossas costas o peso de ser o que Deus não nos chamou para ser.
O pastor deu o exemplo de um irmão da igreja que tem ministério de evangelista. Para ele, convidar é natural, e a célula dele tende a encher mais rápido. Um mestre vai querer ensinar e também vai ganhar pessoas, só que em outro ritmo. Isso não quer dizer que um tem mais de Deus do que o outro. O pastor contou que não tem ministério de evangelista e que, quando evangeliza na rua, vai, mas flui com menos facilidade. Ele tem um pé no profético: às vezes chega a um lugar e percebe que há pessoas que não estão bem, e sabe que ali o seu papel é tirar o ouro de dentro delas. Mas ninguém pode se esconder atrás de um computador. Precisamos estar perto de quem não conhece a Cristo, senão deixamos de ser igreja e viramos um clube. O botão de cada um é diferente, e por isso só podemos nos comparar com Jesus, que andou nos cinco ministérios.
Um avivamento que começa em casa
O Pentecostes não acabou em Atos 2. O Espírito Santo quer nos usar todos os dias, e a intensidade do avivamento que vamos viver depende da nossa entrega e da nossa paixão. Os frutos vêm, porque a árvore se conhece pelos frutos, mas o nosso compromisso é estar apaixonados pelo Senhor. O pastor contou que, naquela tarde, a tela do celular quebrou enquanto ele estudava a Palavra, e ele disse a Deus que, se precisasse ficar um ano sem celular, tudo bem. Podemos querer casa e carro, mas, se o Senhor não quiser, obedecemos. Deus quer sacudir e avivar a nossa casa. Aquele evangelista ainda é lembrado gerações depois, e Deus vai nos usar para marcar a história de Maringá, mas o primeiro lugar onde deixamos marca é a nossa família, orando junto e ensinando os filhos a buscar o Senhor.
Em Atos 6, os apóstolos perceberam que estavam se ocupando da distribuição de alimentos e deixando a oração e o ensino da Palavra. Aquela tarefa era importante, mas não era o chamado deles, e foram escolhidos homens cheios do Espírito Santo para cuidar dela. Hoje Deus quer levantar cada um para dizer: Deus me chamou para isso em Maringá, na minha casa e na igreja. Neste ponto a pregação deu lugar a um longo tempo de oração e ministração profética, em que o pastor orou para que cada um ouvisse de Deus para que foi criado, declarou o fim de uma estação de inverno e pediu que o Senhor levantasse apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. O vídeo da Palavra termina no começo desse tempo de oração.
Esta ministração foi parte do culto de 19 de maio de 2024. Assista ao culto completo.