Série Jejum de Pentecostes 2024
Cultivar a fé do grão de mostarda
No sétimo dia do jejum, num culto de Santa Ceia, Tani Girotto lembrou que só conhece a Deus quem se entrega a Ele por inteiro, e que jejuar também é viver por fé. A fé pode ser pequena como um grão de mostarda, mas cresce quando é cultivada todos os dias: um coração que recebe a Palavra, a água do Espírito Santo, a luz de Deus e o calor das provações.
Este culto de Santa Ceia, num domingo à noite, aconteceu no sétimo dia do jejum que a Comunidade Cristã Zoe Maringá estava fazendo naquele ano. A Palavra foi trazida por Tani Girotto, que contou que guardava essa mensagem no coração desde o ano anterior e sentiu de Deus que era a hora de liberá-la. O texto base foi Lucas 17, o pedido dos apóstolos para que Jesus aumentasse a fé deles.
Entregar-se por inteiro
Existe uma única forma de conhecer a Deus: entregar-se inteiramente a Ele e correr atrás dele. Não é cinquenta por cento, nem noventa e nove vírgula nove. É cem por cento. Tani contou que, na virada de 2022 para 2023, a família passou por um tempo muito difícil em casa, sem entender por que aquilo estava acontecendo. Os pastores acompanharam esse período. No fim daquele ano, ela tinha uma viagem marcada para um congresso, mas só conseguiu o dinheiro da passagem de ida. Sentada numa rodoviária no meio do caminho, riu e disse a Deus: estou indo porque o Senhor mandou, mesmo sem saber como vou voltar. Ainda durante o congresso, Deus supriu o que faltava, e ela voltou tranquila para casa. Ali ficou gravada uma frase: eu estou cuidando de tudo. E uma pastora ministrou que o Rei nunca esquece. Foi o começo de um tempo em que Deus a ensinou a depender profundamente dele.
O jejum também é fé
Ela citou um livro: o convite para seguir Jesus intensamente está sempre disponível, mas o anseio de segui-lo está na nossa mão. É uma escolha. E quem estava jejuando já estava vivendo por fé, abrindo mão de comer para viver a vida inteira para Jesus. É negar a carne e dizer: carne, você não manda em mim; desejo, você não manda em mim; vontade, você não manda em mim. Existe um Rei que mora dentro de nós e governa a nossa vida.
Viver por fé é um risco, todos os dias. Mas é o risco mais maravilhoso que existe, porque o mais poderoso do universo está do nosso lado, e por uma palavra dele nós nos movemos. É dar o passo mesmo sem ver o chão. Hebreus 11 diz que a fé é uma firme convicção. Numa série policial, a investigação só termina quando aparece a evidência que dá certeza do caso. A fé é a nossa evidência. A pergunta é: você tem essa certeza? O que trouxe você até aqui?
Pequena como um grão de mostarda
Os apóstolos disseram ao Senhor: Faça crescer a nossa fé! O Senhor respondeu: Se vocês tiverem fé, ainda que tão pequena quanto um grão de mostarda, poderão dizer a esta amoreira: Arranque-se e plante-se no mar, e ela obedecerá. (Lucas 17:5-6)
O grão de mostarda é muito pequeno, mas cresce muito rápido. Jesus ensina que, embora a nossa fé pareça pequena, ela tem um potencial gigantesco no Reino, se for plantada no lugar certo e cuidada do jeito certo. É como se Ele dissesse aos discípulos: coloquem essa fé pequena nas condições ideais, e ela vai crescer. Desde o princípio, Deus criou as árvores antes de Adão e Eva precisarem comer. A provisão de que precisamos já está disponível. E todos os dias Ele deposita uma semente em nós. Muitas vezes desprezamos o pequeno porque queremos as nações e a cidade inteira, enquanto Deus nos confiou o vizinho, o marido ou a esposa, e estamos perdendo isso.
O que a semente precisa para crescer
A primeira coisa é um solo fértil, e o nosso coração é esse solo. Tani contou, rindo de si mesma, que já matou até um cacto de tanto regar, enquanto a mãe e a sogra mexem a terra, colocam adubo e casca de ovo, e as plantas delas ficam lindas. Às vezes Deus precisa passar o rastelinho no nosso coração, e essa é a parte que dói. Uma árvore grande dá abrigo, e as pessoas deveriam encontrar descanso em nós. Mas, sem nutrição, o solo vira um depósito de entulho, que absorve o que os outros falam, as preocupações e a tristeza. O coração precisa de três vitaminas: P de Palavra, J de jejum e O de oração. Jejum sem Palavra e sem oração não faz sentido. É só passar fome.
A semente também precisa de água. Precisamos que o Espírito Santo regue o nosso interior todos os dias, porque Jesus disse à mulher samaritana que quem bebe da água que Ele dá nunca mais terá sede (João 4). Muitas vezes bebemos de vários poços, menos dele. E precisa de luz: a Palavra é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmo 119:105). Ela convidou a igreja a pedir que Deus revele quem somos de verdade, quem somos quando ninguém está vendo. Sem essa luz, andamos no escuro, tropeçamos e nos perdemos.
Pois vocês sabem que, quando a sua fé é provada, a perseverança tem a oportunidade de crescer. (Tiago 1:3)
Por fim, a semente precisa de calor. Num solo gelado ela não germina. As provações são esse calor. Ninguém gosta de sofrer, mas a pressão nos amadurece, e mesmo nela Deus ministra ao nosso coração. Ele não nos deixa passar sozinhos pelo vale da sombra da morte e prometeu estar conosco todos os dias. No mundo teremos aflições, mas podemos ter bom ânimo, porque Ele já venceu.
Uma fé para cada estação
A mostarda é uma planta anual: nasce, floresce e morre quando chega o frio. Vive uma estação. Assim, a fé que nos sustentou anos atrás precisa ser cultivada de novo diante de cada desafio. Não dá para derrubar um gigante e enfrentar o próximo com a fé de ontem. Todo novo desafio pede um novo crescimento de fé, e isso é diário. Deus nos chama a depender dele como um bebê recém-nascido depende da mãe, e a viver o jejum de forma tão intensa que cheguemos ao fim cheios da presença dele, e não numa vida vazia e no automático.
A fé que estava ali o tempo todo
No final, Tani pediu que a igreja ficasse de pé e imaginasse o tamanho da própria fé. Depois, pediu que cada um olhasse com atenção nos cantos da cadeira: ali havia um grão de mostarda, tão pequeno que quase ninguém tinha notado. Muitas vezes estamos sentados em cima da nossa fé e procuramos por ela em todo lugar. Mesmo pequenininha, ela vai germinar e virar uma árvore onde a família, os amigos e os filhos vão encontrar abrigo. O grão não é um amuleto. É um lembrete de cultivar o solo todos os dias e de não ficar indiferente à Palavra e aos encontros diários com Deus.
Na oração final, ela pediu que o Senhor mexesse no nosso solo, tirasse os entulhos e aumentasse a nossa fé, para que o coração receba a Palavra e multiplique a semente. Orou para que, nos dias que ainda faltavam do jejum, Deus derramasse mais semente sobre a igreja, e que as pessoas ao redor vissem o Senhor no que Ele está mudando em cada um, porque se trata de uma entrega total. Em seguida, a igreja seguiu em adoração para a Santa Ceia.
Esta ministração foi parte do culto de 5 de maio de 2024. Assista ao culto completo.