Série Mês da Família 2025
Santificar-se para ver maravilhas
No Mês da Família de 2025, na véspera do jejum coletivo da igreja, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que Josué e o povo se santificaram antes de ver o Senhor parar o rio Jordão. O jejum não muda Deus, muda a nós: ele humilha a alma, nos tira do controle e prepara um odre novo para o que Deus quer fazer na nossa casa.
No terceiro domingo do Mês da Família de 2025, o Pr. Vitor Coutinho abriu um parêntese na série sobre José. No dia seguinte a Comunidade Cristã Zoe Maringá começaria um tempo de jejum, e a Palavra foi sobre o que é o jejum bíblico e por que o fazemos. O texto foi o primeiro desafio de Josué como sucessor de Moisés: atravessar o rio Jordão com todo o povo.
Josué ordenou ao povo: Santifiquem-se, pois amanhã o Senhor fará maravilhas entre vocês. (Josué 3:5)
O milagre não seria só de Josué
Muitas vezes nos sentimos abandonados por Deus, como se estivéssemos sozinhos. Normalmente não é isso: é o nosso sentimento e a nossa emoção que nos enganam, porque o que vemos é o contrário do que esperávamos. Josué tinha a missão de levar milhões de pessoas a possuir uma terra prometida que já tinha gente morando nela. Ele entendeu que aquilo não dependia só das suas qualificações. A primeira coisa de que precisava era que Deus parasse um rio.
Ele também entendeu que não viveria esse milagre sozinho. Quando alguém vive algo de Deus, quem está perto vive junto, e por isso todo o povo precisava entrar no mesmo direcionamento. A promessa existia desde Abraão, e alguém poderia dizer que não era preciso se santificar. Mas há estações em que nos voltamos juntos ao Senhor com fome e sede de um milagre. Não viemos a Jesus como quem vai ao supermercado, e não pregamos que buscar a Deus faz a vida virar um mar de rosas. Mas o nosso Deus faz milagres, e não podemos ser tão frios a ponto de esquecer disso.
O rio que parou
Assim que os sacerdotes que carregavam a arca da aliança chegaram ao Jordão e seus pés tocaram as águas, a correnteza que descia parou de correr e formou uma muralha a grande distância. (Josué 3:15-16)
Era a época da colheita, e o Jordão transbordava em ambas as margens. A arca era a representação da presença de Deus, e quando os pés de quem a carregava tocaram a água, o rio parou e o povo atravessou em terra seca. Essa é a história de uma família, das doze tribos, assim como cada um de nós tem a história da própria família. Em Josué 4, eles deixaram doze pedras como memorial. Depois veio a tomada de Jericó, mas o pregador vê como maior milagre um rio cheio parar para um povo que não era um exército, e sim uma grande família.
Na nossa casa também queremos viver o melhor do Senhor: filhos abençoados, um casamento abençoado, saúde e, acima de tudo, um lar de paz. Antes de viver coisas novas, o povo precisou se santificar em conjunto. O problema não está em nós, nem em Deus, nem na pessoa ao nosso lado. O Senhor nos chamou para um tempo de santificação, e o jejum é um compromisso com Ele: vencer um pecado, vencer uma dificuldade em casa, ver vidas novas conhecendo a Cristo.
O jejum não muda Deus, muda a nós
Em Isaías 58, o povo se queixava de jejuar sem que Deus respondesse. O Senhor diz que eles jejuavam da boca para fora, continuavam oprimindo os seus servos, vivendo em contendas e buscando só os próprios interesses, e que aquele não era o jejum que Ele escolheu. Quando o coração se alinha ao de Deus, a luz irrompe como a alvorada (Isaías 58:8). As coisas fluem, não porque o Senhor mudou, mas porque algo mudou dentro de nós.
Jesus ensinou que não se põe vinho novo em odre velho, senão o odre racha e o vinho se perde (Lucas 5:33-39). Para viver coisas novas de Deus, não dá para manter a mesma estrutura de vida. Paulo diz que precisamos nos despir do velho homem (Efésios 4:22). Um pneu furado dá para remendar, mas a nossa vida não se vive de remendos. Deus não veio só melhorar umas coisas: ou vivemos na plenitude do Senhor, ou estamos distantes do melhor dele.
Há coisas que só saem com jejum e oração
O pregador recomendou a leitura do Pr. Luciano Subirá, que associa o jejum à maneira certa de receber o evangelho. Depois do monte da Transfiguração, Jesus desceu e encontrou os discípulos sem conseguir expulsar um demônio, e disse que há espíritos que só saem com jejum e oração (Mateus 17:21). Não vivemos só no subjetivo, e o equilíbrio é a melhor decisão. Mas a Bíblia diz que o mundo espiritual veio primeiro, e há coisas que Satanás tenta impedir ou promover dentro dos lares: brigas e confusão constantes, desonra entre pais e filhos ou entre marido e mulher, enfermidade o tempo todo, um ambiente sempre pesado. Não é para espiritualizar tudo, e esse diagnóstico vem do que Jesus curou e libertou nos evangelhos.
Somos corpo, alma e espírito, e nem sempre o Espírito está no controle. O jejum humilha a alma, tira-a do controle e nos faz depender do Senhor. Ele ajuda a mortificar a carne, a ouvir melhor a voz de Deus e a ter uma vida mais santa. Quando parece que não conseguimos mais orar nem ler a Bíblia, é aí que o jejum se encaixa. E não devemos viver só de jejuns coletivos: ele precisa entrar na nossa prática. Deus não vai ficar mais bondoso nem mais fácil de ser acessado depois do jejum. Somos nós que nos voltamos para Ele.
O jejum na Bíblia
- Consagração: o voto de nazireu incluía a abstinência de alguns alimentos (Números 6:3-4).
- Arrependimento coletivo de pecado (1 Samuel 7:6 e Neemias 9).
- Luto e dor, como Davi diante da morte de pessoas próximas (2 Samuel 1 e 3).
- Aflição, busca de proteção, enfermidade e intercessão, em outros textos do Antigo Testamento.
- Preparação para a guerra espiritual (Mateus 17:21).
- Ana, que servia no templo com jejuns e orações (Lucas 2:37).
- Jesus, que jejuou quarenta dias no deserto antes de começar o ministério (Lucas 4).
- A igreja, que jejuou para enviar pessoas e estabelecer presbíteros (Atos 13 e 14).
- Paulo, que jejuava com frequência.
Formas de jejum
- Parcial: deixar alguns alimentos, como Daniel fez. É esse que a igreja faria junta.
- Normal: algumas horas sem alimento, só com água. Jesus, no deserto, não comeu (Mateus 4:2), mas o texto não diz que Ele não bebeu.
- Sobrenatural: como os de Moisés e Elias. Não recomendamos, a não ser que o próprio Senhor peça.
No quarto secreto
Jesus disse que quem jejua para ser visto já recebeu a sua recompensa, e mandou lavar o rosto, porque quem precisa saber é o Pai que está no céu (Mateus 6:16-18). Não é para sair anunciando nem postando, mas também não é para ser um agente secreto. O principal é voltar ao quarto secreto: fechar a porta, gastar tempo em oração e na Palavra. Às vezes o milagre nem vem, e descobrimos que o que precisávamos era estar mais perto do Senhor. Quem não quiser fazer o jejum é respeitado, sem discriminação, mas o pregador convidou cada um a ao menos tentar.
O jejum da igreja foi dividido em três etapas: primeiro, tirar o açúcar das refeições; depois, as farinhas e os grãos; por último, a carne. Ele confessou que num jejum anterior a segunda semana sem açúcar foi difícil, e recomendou que, quando bater a irritação, a pessoa vá orar, porque é Deus mostrando que a alma ainda precisa se render. O pedido dele para esse tempo é ter os olhos abertos para as pessoas próximas que estão procurando por Cristo.
O mesmo Jesus que parou o rio
No fim, crianças e adolescentes voltaram para o salão e a igreja orou junta. Jesus é o mesmo que parou o rio: diante de um rio transbordando, talvez Ele pare as águas, talvez construa uma ponte, mas fará algo poderoso. As famílias foram ungidas com óleo, que na Bíblia representa o Espírito Santo, e cada um orou por quem é da sua casa. A igreja se levantou contra o divórcio, a infidelidade, a incredulidade e tudo o que vem tirar a paz dos lares, declarando: eu e a minha casa serviremos ao Senhor. Se o Senhor não desistiu de nós nem da nossa casa, quem somos nós para desistir.
Esta ministração foi parte do culto de 17 de agosto de 2025. Assista ao culto completo.