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Finanças

Série Generosidade

O que precisamos ensinar à próxima geração

Pr. Vitor Coutinho, 23 de fevereiro de 2025, Romanos 12:6-8 e Êxodo 12:14

Na parte final do Mês da Generosidade, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que contribuir é um dom da graça e que Deus é geracional: quando uma geração não ensina a seguinte, a próxima volta à escravidão. Por isso somos chamados a ser pioneiros e a ensinar aos nossos filhos, com exemplo, gratidão, planejamento, partilha e oração, a mordomia que Jesus ensinou na parábola dos talentos.

No último domingo do Mês da Generosidade, o Pr. Vitor Coutinho lembrou o caminho que a Comunidade Cristã Zoe Maringá fez em fevereiro. No primeiro domingo, a igreja viu o panorama do que a Bíblia chama de generosidade e falou de pioneirismo: o que herdamos como cultura, imitamos sem perceber, mas o que é novo exige intenção e cansa. O que hoje é trabalhoso para nós, porque é bíblico, vai ser cultura para os nossos filhos, porque eles vão nos imitar. A generosidade não vai ser um movimento passageiro, mas parte do DNA da igreja, numa guerra declarada contra o único senhor que a Palavra coloca competindo com Cristo: ninguém pode amar a Deus e às riquezas ao mesmo tempo (Mateus 6:24). Depois vieram as finanças pessoais, com o perigo da dívida, e as finanças bíblicas, com a boa reputação e a recompensa do trabalho do justo. Faltava o último passo: o que precisamos ensinar à próxima geração. Jesus falou de dinheiro em 16 das suas 38 parábolas, e por isso o tema não pode nos ofender.

Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria. (Romanos 12:6-8)

Contribuir é um dom da graça

A graça é um atributo de Deus, tão parte de quem Ele é quanto a misericórdia, e foi pela graça que Cristo se entregou em sacrifício. Quando essa graça se manifesta no meio do povo, ela se revela de maneiras diferentes em cada pessoa. O pastor explicou três tipos de dons. Os dons do Espírito, de 1 Coríntios 12, como línguas, cura, milagres e profecia, são ferramentas para a obra: um canteiro de obras sem carriola até termina a casa, mas demora muito mais. Os dons de Cristo são os cinco ministérios, apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre (Efésios 4:11), e fazem parte de quem somos. E os dons da graça, de Romanos 12, entre eles servir, ensinar, dar ânimo e contribuir.

Ninguém é igual. Não adianta cobrar de um mestre que seja evangelista, nem de quem tem o dom de contribuir que exerça a liderança. Mas há um chamado à responsabilidade com o que foi derramado sobre cada um, e quando cada um opera no que o Pai lhe deu, o Reino avança. O problema é que a igreja ensina sobre liderança, sobre serviço e sobre o profético, mas quase nunca ensina sobre generosidade.

Deus é geracional

Desde o início da Bíblia, Deus manda os pais ensinarem os filhos, de geração em geração. O primeiro lugar em que o pastor encontrou uma falha geracional foi em Êxodo 1:6. José, depois de traído e vendido, recebeu sabedoria para administrar os recursos do Egito nos sete anos de fartura, e quando veio a fome, tornou-se o homem mais poderoso da terra. A família dele foi para o Egito no tempo bom. Mas José, os seus irmãos e toda aquela geração morreram, e a geração seguinte se levantou escrava, oprimida em terra estrangeira por cerca de 430 anos. Uma geração de governantes deu lugar a uma geração de escravos. Não era a promessa de Deus a Abraão. O ponto não é acusar ninguém, e sim aprender o que fazer dentro da nossa casa.

Para resgatar aquela geração, Deus estabeleceu a primeira Páscoa. Sair da escravidão foi uma crise, tanto que o povo, liberto de forma milagrosa, ainda tinha saudade da comida do Egito. E foi para um povo que saía da escravidão que Deus deu este mandamento:

Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor. Celebrem-no como decreto perpétuo. (Êxodo 12:14)

A única forma de nunca mais voltarem a ser escravos era mudar o jeito de ensinar os filhos. O povo judeu foi muito perseguido, mas seguiu esse mandamento à risca, e funcionou. A nossa vida em Cristo é igual: na Páscoa, o Cordeiro de Deus se entregou no sacrifício mais generoso da história e nos libertou da escravidão do pecado. Não dá para ser crente e continuar escravo. O que estamos aprendendo agora como pioneiros, talvez ninguém tenha nos ensinado, mas nós não vamos falhar em ensinar à próxima geração quem é Cristo e o que a Bíblia diz.

Davi ensinou Salomão a dar a resposta certa

Quando eu era menino, ainda pequeno, em companhia de meu pai, um filho muito especial para minha mãe, ele me ensinava e me dizia: Apegue-se às minhas palavras de todo o coração; obedeça aos meus mandamentos, e você terá vida. Procure obter sabedoria e entendimento; não se esqueça das minhas palavras nem delas se afaste. Não abandone a sabedoria, e ela o protegerá; ame-a, e ela cuidará de você. (Provérbios 4:3-6)

Davi teve muita confusão em casa e, num panorama geral, não foi um bom pai. Mas soube ensinar Salomão a buscar a sabedoria. Em 1 Reis 3, Salomão amava o Senhor e andava de acordo com os ensinamentos do pai, embora ainda oferecesse sacrifícios nos santuários locais. Em Gibeom, depois de oferecer mil holocaustos, Deus lhe apareceu em sonho e disse que pedisse o que quisesse. Salomão reconheceu que era jovem e pediu um coração cheio de discernimento para governar o povo de Deus, e o pedido agradou ao Senhor. Muitas vezes também ficamos em dúvida sobre qual é a resposta certa. Se formos intencionais com a próxima geração, ela vai saber agradar a Deus e vai viver com naturalidade uma cultura que nós estabelecemos como pioneiros.

A parábola dos talentos

Como ensinar os filhos? Em Mateus 25:14-30, Jesus compara o Reino dos céus a um homem que, antes de viajar, confiou os seus bens aos servos: a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, cada um de acordo com a sua capacidade. Talento não era aptidão, era moeda, e uma fortuna: algo como quinze a dezesseis anos de trabalho. Muitos usam essa parábola para dizer que, se você não servir, Deus vai tirar o seu ministério. O pastor contou de um baterista que ouviu isso e voltou a tocar por medo, quando nem deveria ter voltado. Mas os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29). Jesus está falando do Reino, e não vamos reduzir a Palavra só a dinheiro, mas o exemplo que Ele escolheu foi dinheiro de verdade.

O que recebeu cinco ganhou mais cinco, e o que recebeu dois ganhou mais dois, e os dois ouviram exatamente a mesma resposta: muito bem, servo bom e fiel, você foi fiel no pouco, e eu o porei sobre o muito. Ser fiel no pouco não é viver na escassez, é saber fazer render o que foi confiado. O terceiro escondeu o dinheiro na terra por medo e foi chamado de servo mau e negligente, porque deveria ao menos ter deixado o dinheiro com os banqueiros, para receber com juros. Isso é mordomia: entender que nada é nosso, que tudo é do Senhor e que Ele nos deu para administrar. Se vivermos assim, os nossos filhos vão nos copiar. Mas se eles só nos veem reclamando do emprego, vão crescer piores do que nós.

Como ensinar em casa

O pastor deu caminhos práticos. Primeiro, seja grato na frente dos filhos e chame-os para orar com você: mostre o que Deus está fazendo no trabalho do pai e da mãe, até numa pizza ou num café comprado no mercado. Jesus é o exemplo, porque sempre deu graças ao Pai, como na ressurreição de Lázaro (João 11:41). Segundo, ensine a planejar. No começo do ano, ele sentou com a filha para ouvir os sonhos dela para o ano, ensinou-a a orar por eles e a trabalhar junto nos serviços extras da casa, para ela entender de onde vem o recurso. Na história de José, em Gênesis 41, o Egito guardou um quinto de tudo nos anos de fartura. O pastor aconselhou eliminar as dívidas, ser fiel nos dízimos e ofertas e poupar parte do que entra, aumentando a renda quando não sobra nada. Ele citou que a grande maioria dos aposentados no Brasil depende da família para viver, e os nossos filhos podem aprender diferente.

Terceiro, ensine a evitar a avareza, porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males (1 Timóteo 6:10). Fale com os filhos sobre o poder da generosidade, com equilíbrio entre poupar e dar, e leve-os a doar as roupas e os brinquedos que já não usam. Ele contou que a filha ainda não gosta de compartilhar, mas vai aprender por repetição. Quarto, separe um valor para os filhos maiores: calcule quanto se investe neles por mês e ensine-os a administrar esse dinheiro e a ter metas para o que desejam. E por último, ensine a orar. Faça um culto diário ou semanal em casa e inclua as finanças no devocional, orando pelo trabalho, pelos estudos e pela empresa, como Moisés pediu que Deus confirmasse a obra das suas mãos (Salmo 90:17). Assim a próxima geração aprende a agradecer pelo que o Senhor tem feito.

No encerramento, o pastor disse que o mês mostrou só uma pontinha do que a Bíblia fala sobre generosidade, mas que a igreja se levantou contra Mamom, o espírito que tenta nos cegar para amarmos as coisas deste mundo. Com a igreja de pé, pediu que cada um declarasse sobre a própria casa que o dinheiro não seria mais um problema, que haveria sabedoria do céu para administrar e que os olhos nunca estariam nas riquezas: se Deus nos prosperar, será para o Reino avançar, e se não, estaremos satisfeitos com o que Ele tem feito. Ele orou declarando a generosidade no DNA da igreja, uma igreja que planta igrejas e envia missionários, abençoou quem empreende e quem tem emprego fixo para ser luz onde trabalha, e terminou: nós aceitamos ser pioneiros para que a próxima geração viva uma cultura do céu na terra.

Esta ministração foi parte do culto de 23 de fevereiro de 2025. Assista ao culto completo.