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Finanças

Série Generosidade

Generosos com a casa em ordem

Pr. Vitor Coutinho, 9 de fevereiro de 2025, 2 Reis 4:1-7

Na segunda parte do Mês da Generosidade, o Pr. Vitor Coutinho fez uma pergunta incômoda: como ser generoso vivendo endividado? A partir da viúva que procurou Eliseu, ele mostrou que Deus age sobre o que já está nas nossas mãos, e que a nossa parte é orar por sabedoria, mover-se, montar o orçamento em família, listar o que temos e o que devemos e fazer um plano para pagar os credores. Não é sobre acumular, é sobre pôr a casa em ordem para abençoar outros e o avanço do evangelho.

No segundo domingo do Mês da Generosidade, o Pr. Vitor Coutinho retomou o que a Comunidade Cristã Zoe Maringá ouviu na semana anterior: o maior ato de generosidade da história foi o Pai entregar o seu Filho por nós, quando ainda éramos inimigos dele. Tudo é do Senhor (Salmo 50:10-12), nós somos administradores, e por isso a igreja assumiu o compromisso de dizer do Senhor em vez de meu. Para os pioneiros, mudar uma cultura familiar cansa, mas o esforço de hoje vira cultura na próxima geração. E os frutos que vêm rápido apodrecem rápido, enquanto os que vêm no tempo certo produzem ainda mais frutos. A mensagem deste domingo foi sobre finanças pessoais, a partir da história da viúva em 2 Reis 4.

Como ser generoso se estou endividado?

O pastor lembrou que muitos de nós fomos criados numa cultura contrária à generosidade do céu, e por isso nos ofendemos quando o assunto é dinheiro. Ele pediu à igreja que não fechasse o coração: aquele culto não era sobre dízimo nem sobre oferta. No domingo seguinte a igreja falaria do que a Bíblia ensina sobre finanças na nova aliança, e depois, de como ensinar os filhos. Segundo uma pesquisa citada por ele, cerca de 76% das famílias brasileiras estavam endividadas em janeiro, a maior parte presa ao cartão de crédito. Finanças são um assunto que as pessoas evitam até com os amigos, e a igreja muitas vezes, em vez de ajudar, só repetia que quem desse mais receberia mais de Deus. Isso não é verdade. Deus não deve nada a nós.

Os ímpios tomam emprestado e não devolvem, mas os justos dão com generosidade. (Salmo 37:21)

Aqui não se trata de salvação: ninguém deixa de ir para o céu por ter dívida. Trata-se de quem já recebeu a Cristo e precisa viver a cultura do céu. Como dar com generosidade se falta o aluguel dentro de casa? Para o pastor, a conta não fecha. A Bíblia chama o endividado de escravo (Provérbios 22:7), e a palavra nos exorta a sermos escravos somente de Cristo (1 Coríntios 7:23). Ao mesmo tempo, ela manda dar a quem precisa (Provérbios 3:27-28) e, em Tiago, alimentar quem tem fome e vestir quem tem frio, em vez de apenas dizer vá em paz. Para abençoar, primeiro é preciso uma decisão no coração. Nunca vimos o justo desamparado (Salmo 37:25), mas existe algo a mais de Deus, e ele precisa ser ensinado para que os nossos filhos vivam uma vida diferente.

Não é sobre acumular

No Antigo Testamento, a dívida era vista como sinal de desobediência e falta de bênção (Deuteronômio 28). Depois de Cristo, muitos discípulos morreram sem nada, e o nosso foco é o céu, porque Cristo está voltando. Por isso, ensinar finanças não é ensinar a acumular. O pastor chamou de aberração um leilão feito no meio de uma igreja e lembrou que Jesus virou as mesas dos cambistas, que vendiam no templo os animais do sacrifício, ao contrário do propósito que Deus tinha estabelecido.

Na oração de Moisés, no Salmo 90:17, ele pede que Deus consolide, ou faça prosperar, a obra das nossas mãos. E Deus também disse ao seu povo que eles trabalhavam e o salário parecia ir para um saco furado (Ageu 1:6). Não podemos eliminar o reino espiritual da nossa vida, mas algumas coisas são tarefa nossa. Jesus, 100% Deus e 100% homem, entregou-se em sacrifício e também carregou a cruz. A vida não é só espiritual nem só material, há um equilíbrio. Às vezes Deus quer que os pais sejam os maiores financiadores dos filhos, pagando um curso de inglês ou uma aula de música que um dia pode servir à missão, porque é melhor dar do que receber (Atos 20:35). E tudo começa por ser honesto consigo mesmo. O pastor contou que viveu muito tempo no mundo da lua, achando que o mês estava tranquilo sem olhar o orçamento, até pedir ajuda em casa com as planilhas e ouvir onde estava o problema. Quem não consegue enxergar a própria realidade precisa de pessoas sábias por perto.

O que você tem em casa?

Certo dia, a mulher de um dos discípulos dos profetas foi falar a Eliseu: Teu servo, meu marido, morreu, e tu sabes que ele temia o Senhor. Mas agora veio um credor que está querendo levar meus dois filhos como escravos. Eliseu perguntou: Como posso ajudá-la? Diga-me, o que você tem em casa? E ela respondeu: Tua serva não tem nada além de uma vasilha de azeite. (2 Reis 4:1-2)

Eliseu herdou de Elias uma unção dobrada. Deus revelava a ele os planos dos inimigos de Israel, e anos depois da sua morte um homem lançado sobre o seu túmulo voltou à vida ao tocar nos seus ossos. A viúva de um dos seus discípulos não tinha como se sustentar e estava a ponto de perder os filhos para o credor. Eliseu poderia ter dado o dinheiro, mas dinheiro nem sempre resolve o problema de alguém. Da história, o pastor tirou cinco pontos para quem quer agir como cristão nas finanças de casa:

  • Orar, pedindo sabedoria e direção. Deus dá sabedoria a quem pede (Tiago 1:5), e não está indiferente à nossa situação.
  • Abrir os olhos para as fontes de renda que estão diante de nós e se mover. Todos temos sementes nas mãos, e o bom agricultor valoriza a semente. A viúva precisou bater na porta dos vizinhos e pedir vasilhas emprestadas. Quem está endividado precisa aumentar o que recebe sem aumentar o que gasta.
  • Fechar a porta com a família e montar um orçamento. A viúva encheu as vasilhas com os filhos, de porta fechada. O coração é enganoso, e quem acha que gasta 200 reais de combustível muitas vezes descobre que gasta o dobro.
  • Listar tudo o que se possui e tudo o que se deve, no papel, sem confiar na memória.
  • Fazer um plano de pagamento para os credores: dar preferência aos juros mais altos, conversar com o gerente do banco, sentar com quem se deve, ser honesto e negociar as parcelas.

Sobre mover-se, o pastor contou de um pastor que lidera uma igreja de portugueses na Inglaterra e vive milagres de provisão. Ele crê nisso, mas não quer ensinar a igreja a viver esperando milagre, porque às vezes Deus vai pedir que trabalhemos um turno a mais. Ele mesmo, quando precisou de uma renda extra, decidiu cortar grama e criou um perfil na internet para isso. Há quem preste serviço pela internet para o outro lado do mundo. A vergonha não está no trabalho, e sim em ficar parado.

No orçamento entram a receita, as contribuições (ajuda a um ministério, dízimo e oferta), os impostos, a moradia com aluguel, condomínio, água, luz, internet e a manutenção da casa, a alimentação até o pãozinho e o cafezinho, o transporte, os seguros, as dívidas, o lazer, o vestuário, a saúde, a poupança, a escola e os investimentos. No carro, por exemplo, não basta a parcela do financiamento: entram o seguro, o combustível, o IPVA dividido por doze, as trocas de óleo e os pneus guardados com antecedência. Como igreja generosa, queremos ser os que doam o guarda-roupa a quem precisa, porque Deus nos deu sabedoria para nos organizarmos. O pastor contou que a igreja vai oferecer um curso de finanças para aprofundar o tema.

O azeite parou quando acabaram as vasilhas

Vá, venda o azeite e pague suas dívidas. E você e seus filhos ainda poderão viver do que sobrar. (2 Reis 4:7)

A viúva encheu as vasilhas com os filhos, e o azeite só parou de correr quando não havia mais nenhuma. Então Eliseu mandou vender o azeite e pagar as dívidas. O pastor foi direto: as dívidas não vão desaparecer, e dizer o contrário seria mentir em nome de Deus. O que Deus faz é agir sobre as vasilhas que trazemos e as sementes que já estão nas nossas mãos. Contentamento não é se acostumar com uma vida enrolada. Muitos vivem ansiosos com medo de não pagar as contas, e querem provar do milagre sem fazer a sua parte. Às vezes o processo leva um ano, às vezes mais, e exige cortar despesas e até cortar o cartão com tesoura.

Ele também falou aos homens. Na casa, o recurso do marido e da mulher é um só, e dividir tudo em contas separadas não é o padrão do céu. É uma bênção que a mulher trabalhe, mas o homem foi chamado a assumir a responsabilidade pela segurança emocional, física e financeira do lar, e a não pôr o peso das contas nas costas da esposa. Os filhos vão imitar o pai, e as filhas vão procurar homens parecidos com ele. Se não formos dignos de confiança com as riquezas deste mundo, quem nos confiará as verdadeiras riquezas (Lucas 16:11)?

Generosos para o avanço do evangelho

Deus nos chamou para ser generosos, e para abençoar os outros é preciso primeiro ter para si. Esta pregação não faz sentido sem a do domingo anterior e as próximas do mês, porque todas formam um só entendimento. A igreja quer plantar muitas igrejas, enviar recursos aos missionários e sustentar quem sair daqui para começar uma obra, sem depender de dinheiro público, como homens e mulheres que entendem que o Senhor os fez administradores do que é dele. Com a igreja de pé, o pastor fez a pergunta de Eliseu: o que você já tem nas mãos? Agora, mova-se.

Na oração final, ele lembrou que o Senhor não divide a sua glória com ninguém e que o milagre não acontece porque somos bons ou porque nos movemos, mas pela soberania de Deus. Pediu perdão por culparmos a Deus pelo que não é culpa dele e pelos homens que não assumiram o seu papel de sacerdotes em casa. Agradeceu pela salvação gratuita, porque uma igreja próspera sem Cristo continua perdida, e esta igreja não é sobre quem tem mais ou menos, e sim sobre pregar que o Senhor se fez homem e nos amou quando éramos pecadores. Por fim, abençoou as mãos erguidas, para que sejam as mãos de Jesus na terra e alcancem quem passa fome, frio e necessidade.

Esta ministração foi parte do culto de 9 de fevereiro de 2025. Assista ao culto completo.