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Finanças

Série Generosidade

Generosos segundo o padrão do céu

Pr. Vitor Coutinho, 2 de fevereiro de 2025, Romanos 8:32-39

Na abertura do Mês da Generosidade, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que ninguém é mais generoso que o Pai, que entregou o seu Filho por quem não merecia. O padrão do céu não é troca de favores: é dar sem esperar nada em troca. Quando reconhecemos que tudo é do Senhor, aprendemos o contentamento e passamos a administrar o que Ele nos confiou.

No primeiro domingo de fevereiro, dia de Santa Ceia, começou o Mês da Generosidade. Durante os quatro domingos do mês, a Comunidade Cristã Zoe Maringá vai estudar o que a Bíblia ensina sobre ter um coração generoso. O Pr. Vitor Coutinho lembrou que ser generoso é um dos princípios da igreja, ao lado de ser geracional, e que temos ensinado pouco sobre isso. A mensagem deste domingo foi um panorama do tema, a partir de Romanos 8.

Pioneiros da generosidade

Pioneiro é quem abre caminho e faz o que nunca viu ninguém fazer. É fácil copiar quem já faz bem. Difícil é começar do zero, e para o pioneiro tudo é decisão, como o primeiro da família a se converter, que precisa decidir todo dia abrir a Bíblia até criar o ritmo. Maringá foi assim: havia um projeto, mas alguém precisou derrubar a mata e abrir as avenidas. Com a generosidade é igual. O objetivo não é uma coisa de um mês, e sim uma cultura que passe para os filhos, de geração em geração. Para combater o espírito que a Bíblia chama de Mamom, que age contra a generosidade, é preciso agir com afinco e sem medo, porque o medo é o contrário da fé, e sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6).

Sem esperar nada em troca

A Universidade de Notre Dame define generosidade como a virtude de quem se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício do outro. Outra definição fala de quem compartilha por bondade, sem esperar nada em troca. Então o pastor perguntou: qual foi a última coisa que você fez sem esperar nada em troca? Trabalhamos porque há salário e comemos porque precisamos de energia. Às vezes vimos ao culto só porque estamos na escala. Fazer tudo esperando retorno não tem nada a ver com o padrão do céu. Por isso o primeiro passo é pedir perdão: Senhor, eu faço isso esperando que alguém veja, que alguém me pague, ou que o Senhor me abençoe. Se só agimos assim, somos interesseiros, e Cristo não chamou a sua igreja para ser assim.

Ninguém é mais generoso que o Pai

O maior ato de generosidade da Bíblia foi o Pai entregar o seu Filho por amor de nós, quando não merecíamos. Qualquer pessoa pagaria o ingresso de um show, a estreia de um craque, um restaurante caro ou um carro melhor, se tivesse condições, porque vale a pena. Até o investidor só põe dinheiro onde calcula que há retorno. Mas Deus nos amou quando ainda éramos inimigos dele, sem que tivéssemos nada para oferecer. Isso é graça, um atributo de Deus.

Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas? (Romanos 8:32)

A igreja leu até o versículo 39: nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem demônios, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. A entrega do Pai e do Filho afastou tudo o que poderia nos separar dele. O problema é que Satanás é estrategista. Ele não pode nos condenar (Romanos 8:34), mas pode nos fazer pensar que estamos condenados, e assim nós mesmos nos afastamos: não estou pronto, não mereço, sou pecador. A atitude certa é outra: Senhor, eu estou em transformação, me perdoa, me ajuda, quero me aproximar porque nada pode me separar de ti. Nós amamos porque Ele nos amou primeiro (1 João 4:19). As emoções passam por altos e baixos, mas a consciência precisa ser firme. E como Jesus só fazia o que via o Pai fazer, a pergunta é: temos sido generosos como o Pai e o Filho, ou temos agido por interesse?

O céu não faz troca de favores

O pastor contou que percebeu, na própria família, pessoas que se aproximavam por interesse, por um favor ou por um contato. Contou também de uma crise da Pra. Jéssica: muitas vezes queremos ganhar pessoas para Cristo só para encher a célula e parecer influentes, e não porque amamos essas pessoas. Quem cresceu num lar de escassez sente a generosidade como ofensa, porque o padrão do céu confronta o que aprendeu. E a igreja, diante dos escândalos de quem usa mal o dinheiro, muitas vezes escolheu fugir do assunto, quando Jesus falou mais de dinheiro do que de inferno.

Ele mesmo cresceu ouvindo que, se desse dez, Deus daria cem, uma espécie de cassino da igreja. Isso não é bíblico, e nada acontecia, porque a intenção do coração não era a do céu. Aprendeu sobre dízimo e oferta, mas ninguém o ensinou a fazer o orçamento de casa, e só aos 25 anos descobriu que precisava separar o dinheiro da gasolina e do mercado. No Brasil existe jeitinho para tudo, mas Deus não aceita troca de favores. Troca de favores parece com qualquer coisa, menos com o céu. O pastor deixou claro que não falaria de dízimo nem de oferta naquele dia. Citando o material do Crown, ele explicou que há duas economias no mundo, a de Deus e a que as pessoas inventaram, e a diferença está em que, na economia de Deus, o Senhor ocupa o papel central.

Por que a Bíblia fala tanto de dinheiro

Muitos crescemos ouvindo que Deus é poderoso demais para se preocupar com as nossas finanças. Mas a Bíblia tem pelo menos 2.350 versículos sobre como lidar com dinheiro e posses, e o pastor apontou três motivos para isso:

  • A maneira como lidamos com o dinheiro afeta a nossa comunhão com Deus. Se não somos dignos de confiança com as riquezas deste mundo ímpio, quem nos confiará as verdadeiras riquezas? (Lucas 16:9-11). No céu, o ouro é o chão das ruas.
  • As posses competem com o Senhor pelo domínio da nossa vida. Ninguém pode servir a dois senhores (Mateus 6:24). Nada nos separa do amor de Deus, mas algumas coisas podem virar o nosso pescoço. Conta-se que soldados das Cruzadas eram batizados com a espada erguida para fora da água, e muitos cristãos hoje deixam a carteira de fora do batismo.
  • Boa parte da vida gira em torno do dinheiro: o combustível do carro, as horas de trabalho, o planejamento do mês. O pastor lembrou do dia em que a Pra. Jéssica ficou no posto com o tanque na reserva e quase nada na conta. O sistema do dinheiro não foi criado por Deus, mas nascemos dentro dele, e é possível usá-lo sem deixar de amar ao Senhor.

Esperamos que a vida fique mais difícil para quem aguarda a volta de Cristo, mas o evangelho precisa avançar. O pastor contou de uma conversa com uma mãe cuja filha foi como missionária para a Tailândia: a passagem não foi paga com oração e abraço, foi paga com dinheiro. O Reino é feito de pessoas que sabem administrar as riquezas deste mundo para que o evangelho alcance mais gente.

Tudo é do Senhor

Os animais da floresta são meus, como são as cabeças de gado nas milhares de colinas. Conheço todas as aves dos montes e cuido dos insetos do campo. Se eu tivesse fome, precisaria dizer a você? Pois o mundo é meu, e tudo o que nele existe. (Salmo 50:10-12)

Deus não nos deu título de propriedade de nada. Ele permite que sejamos administradores, porque Ele é antes de todas as coisas e tudo subsiste nele (Colossenses 1:17). Quando isso entra no coração, uma chave vira, e nasce o contentamento. Segundo o pastor, a palavra contentamento aparece sete vezes na Bíblia, e seis delas falam de dinheiro. Estar contente não nos deixa parados diante dos sonhos, e a parábola dos talentos ensina a trabalhar e investir. Mas a quem aqui tem faltado comida, roupa ou água? O único provedor é o Senhor, o Deus que provê. Deleite-se no Senhor, e Ele atenderá aos desejos do seu coração (Salmo 37:4). Nem teologia da prosperidade, nem indiferença às coisas deste mundo: há um equilíbrio bíblico, em que Deus dá sabedoria para trabalhar, economizar, estudar e avançar. O que tem tomado o nosso coração é a ingratidão, e o pastor alertou que ela é uma forma de virar as costas para Deus.

Por isso a igreja fez um compromisso para o mês, inspirado no Crown: em vez de dizer meu, dizer do Senhor. Se alguém perguntar onde está o meu celular, o outro responde: você quer dizer o celular do Senhor? O pastor contou a história de um homem que teve o carro batido dois dias depois de comprá-lo e orou: Senhor, bateram no seu carro, e o Senhor tem um problema. Tendo o que comer e com que vestir, estejamos satisfeitos (1 Timóteo 6:8). Nos próximos domingos, a igreja vai falar de finanças pessoais, de finanças bíblicas e de como ensinar os filhos a ter uma vida generosa.

Antes da Santa Ceia, o pastor orou com a igreja. Cristo é o nosso maior exemplo de generosidade, e o que temos não é nosso. A igreja se rendeu de novo ao Senhor e se comprometeu: não vamos mais servir porque queremos algo em troca, não vamos mais abençoar para sermos abençoados, não vamos mais dar porque queremos receber. Queremos viver o padrão do céu e que, para a próxima geração, o coração generoso e contente seja natural.

Esta ministração foi parte do culto de 2 de fevereiro de 2025. Assista ao culto completo.