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Finanças

Série Generosidade

O que não nos ensinaram sobre finanças bíblicas

Pr. Vitor Coutinho, 16 de fevereiro de 2025, Mateus 5:23-24

Na terceira parte do Mês da Generosidade, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que, para Jesus, a oferta começa com o coração acertado com o irmão, e que generosidade não se mede pelo valor. O dinheiro não compra a salvação nem o favor de Deus, somos chamados a ser uma igreja generosa e missionária, e o amor ao dinheiro pode nos afastar de Cristo. Deus abençoa o trabalho do justo, mas a igreja precisa ser próspera e bíblica, sem inverter as prioridades.

No terceiro domingo do Mês da Generosidade, o Pr. Vitor Coutinho lembrou o caminho que a Comunidade Cristã Zoe Maringá fez até aqui. No primeiro domingo, a igreja viu o panorama do que a Palavra chama de generosidade, e o maior ato de todos: o Pai entregou o seu único Filho por amor de nós. No segundo, falou de finanças pessoais. A Bíblia trata de dinheiro mais do que de muitos outros temas, e por isso a igreja não pode ficar indiferente nem deixar que o povo de Deus trate o assunto como qualquer pessoa nesta terra. Se o tema ofende, ninguém precisa se sentir culpado: ser pioneiro é quebrar padrões que aprendemos em casa e que não eram bíblicos, para que os nossos filhos e os filhos deles aprendam que a Palavra fala de todos os aspectos da vida. Antes da leitura, ele pediu que cada um traga a própria Bíblia ao culto, para ler e anotar todos os dias e não ser enganado.

Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta. (Mateus 5:23-24)

Primeiro, acertar-se com o irmão

Se no domingo anterior a igreja falou do que não nos ensinaram sobre finanças pessoais, este domingo foi sobre o que não nos ensinaram sobre finanças bíblicas. E o pastor avisou logo: ninguém ia pedir dinheiro. Pelas palavras de Jesus, quem dizima, oferta ou abençoa alguém, mas sabe que um irmão tem algo contra si e não se acertou com ele, apresenta uma oferta que não vale. Quantas vezes ouvimos que quanto mais se dá, mais se recebe, a ponto de alguém pegar empréstimo para ofertar esperando receber cem vezes mais? O princípio para sermos generosos na presença do Senhor é antes liberar perdão e nos acertarmos uns com os outros.

No nascimento de Jesus, em Mateus 2, os magos vieram procurar o rei que tinha nascido e passaram por Herodes, que mandou matar os meninos. Um anjo apareceu em sonho a José e mandou que ele fugisse com a família para o Egito. Deus poderia ter escondido Jesus de muitas outras maneiras, mas usou homens. A família tinha acabado de receber ouro, incenso e mirra, e foi com esses recursos que se manteve como estrangeira naquele tempo. Os magos não se apresentaram de mãos vazias, e o que deram foi usado com sabedoria. Muitas vezes estamos no lugar de José ou no lugar dos magos, e o que nos falta é sabedoria.

O padrão do céu não é o padrão da terra

A boa reputação vale mais que grandes riquezas (Provérbios 22:1), mas aprendemos na nossa cultura que vale tudo por dinheiro, e muitos filhos de Deus já não têm palavra. A igreja de Jesus não foi chamada para isso. Em Marcos 12, Jesus se sentou perto do gasofilácio e observou as ofertas. Os ricos lançavam muitas moedas, e a tradição conta que elas faziam barulho ao cair. Então uma viúva pobre lançou duas moedinhas, e Jesus disse que ela deu mais do que todos, porque deu tudo o que tinha. Segundo o padrão do céu, generosidade não é questão de valor. É questão do coração, de estarmos acertados com as pessoas e do motivo pelo qual damos. Dizer que Deus abençoa mais quem dá mais é balela.

Jó 36:18-19 adverte para que ninguém nos seduza com riquezas nem nos desvie por suborno, porque elas não nos sustentarão no dia da aflição. Dinheiro não compra salvação, e status não muda o coração de Deus. Jesus avisou que nos últimos dias o amor de muitos esfriaria, e o pastor chamou de apostasia abandonar a Palavra e inventar desculpas, como separar lugares na igreja para quem tem fama e dinheiro, quando a Bíblia manda tratar todos de maneira igual. As mãos diligentes trazem riqueza (Provérbios 10:4), mas se Deus não derrama o seu favor, a vida não vai para frente. Simão quis comprar o poder dos apóstolos e ouviu de Pedro que o seu coração não era reto diante de Deus (Atos 8:18-23). Jesus disse que é difícil aos ricos entrar no Reino (Lucas 18:24), quem ama o dinheiro nunca terá o suficiente (Eclesiastes 5:10), e o nosso tesouro deve estar no céu, porque onde ele estiver, ali estará o nosso coração (Mateus 6:19-21). É melhor ter pouco com o temor do Senhor do que muita riqueza com inquietação (Provérbios 15:16).

O dinheiro não compra a salvação

Este foi o primeiro ponto: o dinheiro não pode comprar a nossa salvação nem nos livrar da ira de Deus. Hoje pagamos por quase tudo, mas o acesso ao Pai é de graça e sempre será. Para Ele, porém, custou tudo: Jesus abriu mão da sua glória, se fez semelhante aos homens, entregou-se em sacrifício e ressuscitou como esperança de que um dia ressuscitaremos com Ele. Achar que Deus vai nos amar mais se trabalharmos mais ou servirmos mais na igreja é antibíblico. A resposta à generosidade de Deus é abandonar o pecado e as nossas vontades e decidir viver para Cristo. Todo o resto é resto. Jesus mandou buscar primeiro o Reino (Mateus 6:33), mas, vendo as pessoas buscarem primeiro as coisas deste mundo, nós as imitamos sem perceber, quando deveríamos ser o padrão para elas.

O pastor contou o que diz às suas filhas: não há nada mais precioso que a presença de Jesus. Estudo, emprego e dinheiro vêm e vão, mas sem Cristo não há vida eterna, e os filhos precisam ver os pais buscando a Cristo em primeiro lugar no dia a dia, e não falando uma coisa e fazendo outra dentro de casa. Deus nos chamou para uma vida reta, mesmo quando ela não parece vantajosa. Quantos mentem para ter algum benefício próprio, quando a Bíblia diz que aos mentirosos está reservada a segunda morte (Apocalipse 21:8)? Lá no fundo, fazemos isso porque pensamos que os nossos recursos poderiam comprar a salvação. Podemos ter tudo neste mundo, mas sem salvação não temos nada.

Uma igreja generosa e missionária

O segundo ponto: fomos chamados para ser uma igreja generosa e missionária. Cada um tem um chamado, e para cumpri-lo é preciso recurso. Um irmão a quem Deus deu canções precisa trabalhar durante a semana para conseguir produzi-las, e o próprio pastor e a Pra. Jéssica trabalham para sustentar a casa e levar adiante a palavra que Deus lhes deu. Se algo é de graça, alguém está pagando. Buscar o Reino em primeiro lugar não é passar o dia inteiro na igreja. E uma igreja missionária também precisa de recursos, porque a Bíblia diz que não basta orar por quem tem fome ou frio: é preciso dar o alimento e a blusa. Para sermos missionários, temos três caminhos. Orar, que é a tarefa básica de todo crente. Ir, o que nem todos poderão fazer, mas quem foi chamado não tem como fugir da voz de Deus (Salmo 139). E dar, abençoando quem vai. Há quem ore há anos e já precisa agir, e há quem Deus chamou para orar e abençoar.

Eclesiastes 10:19 diz que o banquete é para divertir, o vinho alegra a vida e o dinheiro é a resposta para tudo. Por causa dos excessos, temos medo de tocar no assunto. O pastor contou que, ainda adolescente, foi convidado a ministrar em outra igreja: o culto começou à noite e, já tarde, antes da Palavra, o pastor de lá pediu que algumas pessoas ofertassem uma quantia fixa para serem abençoadas. Ele se levantou e foi embora, porque não participa de culto assim. Mas os pais não podem ter medo de ensinar os filhos sobre esse tema, senão outros vão ensinar. Como a igreja tem ouvido nos últimos domingos, as riquezas são o único senhor que a Palavra coloca competindo com Cristo nas nossas vidas, e esse senhor tem reinado no meio do povo de Deus.

O amor ao dinheiro afasta de Cristo

Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muitos sofrimentos. (1 Timóteo 6:9-10)

O terceiro ponto: a Bíblia é clara que o amor ao dinheiro pode nos afastar de Cristo. Em 1 Timóteo 6, Paulo fala de quem ensina falsas doutrinas e pensa que a piedade é fonte de lucro. E faz um jogo de palavras: a piedade com contentamento é, de fato, grande fonte de lucro, porque nada trouxemos para este mundo e nada levaremos dele. Tendo o que comer e com que vestir, estejamos satisfeitos. Ensinar que quanto mais se dá, mais se recebe pega as pessoas pela ganância. Há uma diferença entre quem é generoso em Cristo e vive no favor de Deus e quem vive em função das riquezas. O pastor contou de amigos que começaram bem e, no meio do caminho, deixaram de amar a Cristo mais do que qualquer outra coisa. Ele não conhece os apertos de cada um, mas sabe o que a Palavra diz: Paulo manda o homem de Deus fugir de tudo isso e buscar a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão (1 Timóteo 6:11). E feliz é quem empresta com generosidade e conduz os seus negócios com honestidade (Salmo 112:5-6).

Prósperos, mas bíblicos

Não digam, pois, em seu coração: A minha capacidade e a força das minhas mãos ajuntaram para mim toda esta riqueza. Mas lembrem-se do Senhor, o seu Deus, pois é ele que lhes dá a capacidade de produzir riqueza, confirmando a aliança que jurou aos seus antepassados, conforme hoje se vê. (Deuteronômio 8:17-18)

O Senhor abençoa o trabalho do justo e prospera os seus esforços, e isso pode gerar riqueza, porque aos seus amados Ele dá enquanto dormem (Salmo 127:2). Deus nos chama a ser uma igreja generosa, próspera, mas bíblica, sem trocar a sua presença e os seus princípios por outras coisas. A mensagem nem tocou no momento das ofertas, porque não era esse o motivo: era sobre a nossa vida, a nossa salvação e as próximas gerações. O que o Senhor quer é que nos arrependamos das vezes em que desejamos a prosperidade de um ímpio mais do que a voz de Deus. A igreja trava uma guerra contra o espírito que a Bíblia chama de Mamom, e não vai inverter as prioridades nem perder a família, a santidade e o bom nome por coisas passageiras. Jesus chamou de louco o homem que derrubou os celeiros para construir maiores sem saber que naquela noite perderia a alma (Lucas 12:16-21). Só Jesus tem palavras de vida eterna, e o que nos diferencia de qualquer pessoa não são os recursos, mas o poder de Deus em nós. No próximo domingo, a igreja encerra o mês falando de como ensinar esse padrão bíblico à próxima geração.

Com a igreja de pé, o pastor lembrou que vivemos dias difíceis e que a salvação não pode ser trocada por coisas momentâneas, porque quem não é digno de confiança com as riquezas deste mundo não receberá as verdadeiras (Lucas 16:11). Pediu que o Senhor não nos deixe cair em tentação, pediu perdão pelas vezes em que as coisas deste mundo brilharam mais aos nossos olhos do que a sua presença e orou para que os olhos espirituais da igreja fossem abertos para ver o Cordeiro que estava como morto e ressuscitou. Pediu que Deus alinhe as nossas prioridades e nos ensine a viver o padrão do céu, prontos para a volta de Jesus e levando a sua mensagem a quem ainda não o conhece.

Esta ministração foi parte do culto de 16 de fevereiro de 2025. Assista ao culto completo.