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Finanças

Série Mês da Generosidade 2026

Administradores do que é de Deus

Pr. Vitor Coutinho, 1 de fevereiro de 2026, Salmo 50:10-12

Na abertura do Mês da Generosidade, o Pr. Vitor Coutinho explicou por que a igreja separa um mês inteiro para falar de finanças: a Bíblia leva o assunto a sério, e a maneira como lidamos com o dinheiro revela a nossa vida com Deus. Tudo pertence ao Senhor, nós somos administradores, e Deus não troca favores. O caminho é pedir sabedoria, trabalhar, organizar as contas e aprender o contentamento.

No primeiro domingo de fevereiro, que abriu o Mês da Generosidade, a Palavra foi trazida pelo Pr. Vitor Coutinho, depois da Santa Ceia. Durante todo o mês, a Comunidade Cristã Zoe Maringá vai estudar o que a Bíblia ensina sobre dinheiro, generosidade e mordomia. A mensagem deste domingo foi um panorama do tema, com o Salmo 50 como texto central.

Por que um mês para falar de dinheiro

O pastor começou com uma pergunta: afinal, o que é generosidade, e por que separar um mês para ela? Com os assuntos delicados acontece o mesmo que com os pais. Ou eles fingem que o assunto não existe, e alguém de fora ensina os filhos, ou eles mesmos ensinam a verdade em que acreditam. Jesus mandou ensinar as pessoas a guardar tudo o que Ele ordenou, e tudo o que a Bíblia leva a sério a igreja também leva, mesmo quando o tema é sensível.

No Brasil, uma das maiores barreiras para falar de Jesus é a ideia de que a igreja só quer o dinheiro das pessoas. Muitas igrejas sérias se calaram sobre o assunto, enquanto quem se aproveita do povo de Deus continua ensinando mentiras. A única forma de combater uma mentira é pregar a verdade. Por isso, assim como agosto é o Mês da Família, fevereiro é o mês de ensinar de forma prática o que a Bíblia diz sobre finanças pessoais, e não só sobre dízimo e oferta. Durante o mês haverá também um workshop de finanças com o Ministério de Ensino.

Dois senhores

Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores, a Deus e às riquezas (Mateus 6:24). É o único lugar em que a Bíblia chama outra coisa de senhor, porque as posses competem com Jesus pelo domínio do coração. Isso não quer dizer que o cristão não pode falar de dinheiro nem ganhar dinheiro. Quer dizer que não podemos ser ingênuos: devemos ser simples como as pombas e prudentes como as serpentes (Mateus 10:16), e todo assunto que nos recusamos a conhecer pela Bíblia pode ser usado para nos enganar. A Bíblia tem cerca de 2.350 versículos sobre dinheiro e posses, e Jesus falou de dinheiro mais do que de qualquer outro tema. Quando lemos a palavra talento nas parábolas, pensamos numa habilidade, mas talento era uma moeda da época. O pastor lembrou de um irmão que ouviu, por estar sem tocar bateria, que estava enterrando os seus talentos. O texto não falava disso. Quem não lê a Bíblia fica à mercê de quem quer enganar.

O pastor retomou o que a igreja tem ouvido há um ano: a maneira como lidamos com as riquezas, as posses e as finanças está diretamente ligada à maneira como nos relacionamos com Deus. Jesus disse que, se não somos confiáveis com as riquezas deste mundo, ninguém nos confiará as verdadeiras riquezas (Lucas 16:11). E quase tudo na nossa vida passa pelo dinheiro: o combustível do carro, a conta de luz que mantém a comida na geladeira, a água do banho.

Deus não troca favores

O pastor abriu o coração: Deus não o chamou para pedir dinheiro, e sim para cuidar das ovelhas. Em seguida, combateu um falso ensinamento, o de que quem dá mais recebe mais e que uma oferta grande faz Deus prosperar a pessoa. A Bíblia fala de uma oração para que Deus multiplique a semente de quem semeia, mas quem usa isso para prometer retorno está ensinando o povo a ser egoísta e a trocar favores com Deus. E Deus não troca favor com ninguém. Ele mesmo já deu uma oferta numa conferência esperando receber cem vezes mais e só ficou com a conta no vermelho. Isso não é bíblico. Ele pediu que ninguém se ofenda com as ministrações do mês. Quando um ensino bater de frente com o que aprendemos, o caminho é ir à Palavra e ao lugar secreto e pedir ao Espírito Santo que nos convença da verdade. Não queremos ser cem por cento agradáveis nem culturalmente corretos. Queremos ser cem por cento bíblicos.

Tudo é do Senhor

Pois todos os animais dos bosques são meus, e eu sou o dono do gado nas milhares de colinas. Conheço cada pássaro dos montes, e todos os animais dos campos me pertencem. Se eu tivesse fome, não lhes diria, pois meu é o mundo inteiro e tudo que nele há. (Salmo 50:10-12)

O planeta é de Deus e tudo o que há nele também. A casa, o carro, o celular, o sapato que colocamos para vir ao culto: nada disso é nosso. O Senhor nos concede o direito de uso, e somos chamados a ser como o copeiro do rei, que cuidava das coisas do rei sem que elas fossem dele. Na parábola dos talentos, quem administra bem recebe mais, e quem não administra perde até o que tem (Mateus 25). Não é moeda de troca. A responsabilidade cresce de acordo com a nossa capacidade de administrar.

O outro extremo é achar que Deus não tem nada a ver com dinheiro. No Salmo 90, Moisés ora para que a bondade do Senhor esteja sobre nós e para que Ele faça prosperar os nossos esforços (Salmo 90:17). Deus pode derramar favor sobre o que fazemos, mas isso depende da vontade dele e de coisas que não controlamos. O que está nas nossas mãos é o esforço e a capacidade de administrar. Até o envio de missionários depende de quem sustente a obra, e esse será o tema do domingo seguinte. Uma igreja generosa sabe que administra o que o Senhor confiou a ela.

Um país crente e endividado

O Brasil vive um dos momentos com mais evangélicos da sua história. Mesmo assim, segundo as pesquisas citadas pelo pastor, no fim de 2025 quase oito em cada dez brasileiros estavam endividados, e cerca de três em cada dez não conseguiam pagar o que deviam. Parece que muitos aprenderam o que é salvação, mas não aprenderam que estão administrando o que é do Senhor. Isso precisa ser um alerta para cada um de nós. A dívida é uma forma de escravidão, e em Deuteronômio 28 ela aparece como sinal de maldição. A Bíblia diz que é mais feliz quem dá do que quem recebe (Atos 20:35), mas como abençoar alguém se não temos nem para pagar as nossas contas? Jesus disse que a árvore se conhece pelos frutos, e as finanças são um fruto da vida com Deus. O pastor deixou claro que não estava falando de ter muito dinheiro, de guardar dinheiro no banco ou de ser rico. Estava falando de administração, e de ter coragem de abrir o aplicativo do banco e encarar o tamanho do problema.

Como sair das dívidas

Lembrando de 2 Reis 4:1-7, o pastor deu três passos para quem está endividado:

  • Orar pedindo sabedoria: reconhecer diante de Deus que estamos administrando mal e clamar por direção. Deus dá sabedoria a quem pede.
  • Trabalhar: acordar mais cedo, buscar emprego, pedir indicação, fazer uma renda extra até quitar as dívidas. Deus descansou, e nós também devemos ter um dia de descanso, mas nos outros dias é hora de levantar e trabalhar.
  • Fazer um orçamento: listar tudo o que se deve e tudo o que se recebe e montar um plano de pagamento. José chegou ao governo do Egito porque tinha intimidade com Deus e porque soube administrar, guardando a quinta parte das colheitas nos anos de fartura (Gênesis 41).

Não é exagero tratar disso como coisa séria. A Nova Jerusalém tem muros e portões, e não é qualquer um que vai entrar. O pastor deixou claro que não estava dizendo que quem administra mal fica de fora, mas que muitos vivem iludidos, achando que são crentes cheios de Deus enquanto os frutos mostram outra coisa. A verdade da Bíblia assusta, mas não é para fechar o coração.

Contentamento

Para encerrar, o pastor falou de contentamento. Estar contente não é deixar de ter sonhos: a igreja está contente com o espaço que Deus deu e, ao mesmo tempo, sonha com um lugar maior para receber mais pessoas. Contentamento é olhar para o que temos hoje e dizer: obrigado, Senhor, pela bicicleta, pela comida, até pela meia meio furada. Até a contribuição nasce desse coração, de quem contribui porque está feliz e grato, e não porque quer receber mais. Ele lembrou também que os homens têm responsabilidade de prover dentro de casa. Por fim, avisou que as dívidas não vão desaparecer sozinhas, nem por um milagre durante o mês das finanças. A transmissão ao vivo foi interrompida neste ponto da ministração, por isso o vídeo e este resumo terminam aqui.

Esta ministração foi parte do culto de 1 de fevereiro de 2026. Assista ao culto completo.