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Série O obreiro que Jesus procura

Servo fiel

Pr. Vitor Coutinho, 15 de outubro de 2023, 1 Coríntios 3 e 4:1-2

Na penúltima mensagem da série O obreiro que Jesus procura, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que não basta estar curado: de um servo de Deus espera-se que seja fiel. Fiel é quem cresce em intimidade em vez de ficar raso, entende que a obra é sobre Jesus e não sobre si, e constrói sobre a Palavra. Para os fiéis há recompensa, proteção no tempo da prova e a esperança da volta de Jesus.

Esta foi a penúltima ministração da série O obreiro que Jesus procura. O Pr. Vitor Coutinho relembrou o caminho até aqui: como num RH do céu, Deus procura adoradores, intercessores e trabalhadores, porque Jesus mandou orar ao Senhor da seara para que envie trabalhadores (Mateus 9:38). Primeiro a igreja ouviu sobre construir altares, o secreto e o público, com a motivação certa. Depois, que não adianta construir altares com a alma ferida, encobrindo a dor com ativismo. Desta vez o texto foi a carta de Paulo à igreja de Corinto, e a palavra central foi fidelidade: não basta estar curado, o servo precisa ser fiel ao Senhor da obra.

De um encarregado espera-se que seja fiel. (1 Coríntios 4:2)

Ainda criancinhas em Cristo

Para entender o que é ser fiel, a igreja voltou ao capítulo 3. Paulo diz aos coríntios que não pôde falar com eles como a pessoas espirituais, mas como a criancinhas em Cristo, e que teve de alimentá-los com leite, não com alimento sólido, porque ainda eram controlados pela natureza humana (1 Coríntios 3:1-3). A prova disso era uma briga sobre quem era mais importante: uns diziam que eram de Paulo, outros de Apolo. Paulo, que foi levado ao terceiro céu e tinha tanta revelação de Jesus, só podia entregar a eles coisa leve.

Jesus fazia o mesmo. Quando os discípulos perguntaram por que Ele falava à multidão por parábolas, Ele respondeu que a eles era dado conhecer os segredos do Reino, mas aos outros não (Mateus 13:10-11). E Hebreus convida a deixar os ensinos elementares e avançar para o que é mais profundo. Existem níveis de mensagem. Deus não ama um filho mais que outro, mas o acesso à revelação é diferente: quem é raso com Deus, quem só abre a Bíblia no domingo e só tem comunhão com Ele no culto, vai receber só palavras rasas.

Por isso o servo precisa saber com quem está falando. Quem discipula alguém que acabou de chegar não pode exigir dele coisas profundas, e vai ensinando aos poucos. Ao enviar os doze, Jesus mandou procurar em cada cidade uma pessoa digna, deixar a paz sobre a casa que a recebesse e retirá-la da casa que não fosse digna (Mateus 10:11-16). A salvação é de graça e para todos, como foi para o ladrão na cruz e para a mulher pega em adultério. Mas, depois de passar por essa porta, a vida precisa subir degraus. Quem não abre o coração para a Palavra vê o irmão do lado avançar e continua no mesmo nível. O pastor pediu que ninguém aceitasse sair raso daquele culto.

Não é sobre nós, é sobre Jesus

Em 1 Coríntios 3:5-11, Paulo pergunta quem são ele e Apolo, e responde: apenas servos por meio dos quais vocês creram. Eu plantei, Apolo regou, mas quem fez crescer foi Deus. Quem planta e quem rega trabalham para o mesmo fim e serão recompensados, e ninguém pode lançar outro alicerce além do que já foi posto, que é Jesus Cristo. O reconhecimento que gostaríamos de ter ficou na cruz. Não interessa quem orou, quem evangelizou ou quem discipulou. A única pergunta é se Jesus é o alicerce do que está sendo construído.

O RH do céu não contrata quem quer fazer carreira ou ganhar nome no Reino, nem quem quer ensinar a própria opinião. No Reino só se trata de Bíblia. Quem sobe ao púlpito deixa a opinião do lado de fora. Jesus nos chama do jeito que somos, mas depois existe um chamado à santidade. Em Apocalipse 22:14-15, felizes são os que lavam as suas vestes, e do lado de fora da cidade ficam os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e os mentirosos. O pastor lembrou que a rebeldia é tratada na Bíblia como feitiçaria, e que o justo deve continuar praticando a justiça e o santo continuar a se santificar (Apocalipse 22:11).

Ele contou de uma época, em outra igreja, em que estava sempre presente, abrindo o lugar e conduzindo os cultos. Num ano em que precisou passar o Natal com a família, o culto foi cancelado, e ele ficou muito chateado. Foi então que percebeu: se estivesse servindo para ser reconhecido, a chateação faria sentido, mas não estava. Aquela frustração denunciou que, em algum momento, a intenção dele tinha saído do lugar. Quem já foi ferido servindo deve perdoar, como Jesus na cruz, e não deixar isso impedir de trabalhar no Reino, porque quem perde com isso é a própria pessoa.

O fogo vai provar a obra

Quem constrói sobre o alicerce pode usar ouro, prata e pedras preciosas, ou madeira, feno e palha. No dia do juízo, o fogo vai revelar o tipo de obra de cada um (1 Coríntios 3:12-15). Deus é fogo consumidor, e o que não foi feito com valor desaparece. Tudo o que não está firmado em Jesus e na verdade, e não foi feito de coração para o Senhor, é perda de tempo. Se a obra resistir, o construtor recebe recompensa. Se queimar, ele sofre prejuízo, mas é salvo, como quem escapa do fogo.

Somos o templo de Deus, e o seu Espírito habita em nós. A sabedoria deste mundo é loucura para Deus, que conhece os pensamentos dos sábios e sabe que são vãos (1 Coríntios 3:16-20). O que faz sentido para o mundo não precisa fazer sentido para nós: o que vale é a Palavra. Por isso o básico volta à mesa: ler a Bíblia, ler a Bíblia inteira, comprometer-se a entendê-la. No capítulo 4, Paulo diz qual é o nosso título no Reino: servos. Não fomos chamados para receber, como quem vai ao supermercado e espera que o culto o sirva. Fomos chamados para servir, e de um servo espera-se que seja fiel.

A recompensa dos fiéis

Em Apocalipse 3:7-11, Jesus fala à igreja de Filadélfia, que permaneceu fiel: abri diante de você uma porta que ninguém pode fechar. Você tem pouca força, mas guardou a minha palavra e não negou o meu nome. Porque você obedeceu à minha ordem de perseverar, eu o guardarei da hora da provação que virá sobre o mundo inteiro. Venho em breve; conserve o que você tem, para que ninguém tome a sua coroa. No mundo teremos aflições, mas Jesus venceu o mundo (João 16:33). E para os fiéis há, além da recompensa, proteção no tempo da prova. O pastor deixou claro que não falava de salvação, que não se compra nem se barganha, mas de quem já passou por essa porta e trabalha para o Senhor. Deus é recompensador, e a quem estava cansado e desanimado ele disse: alegre-se, há recompensa para os trabalhadores que permanecem fiéis.

Esperar a volta de Jesus

Diante das notícias de guerra daqueles dias, ele lembrou que nós, que não descendemos de Abraão pelo sangue, fomos enxertados na família de Deus, como um galho amarrado a uma árvore que passa a alimentá-lo (Romanos 11). Ninguém sabe se é o fim, e ele não quis pregar com medo. Mas quem está mais animado com a vida aqui do que com a volta de Cristo tem o coração desalinhado com a Bíblia. Os servos do Cordeiro clamam dia e noite: vem, Senhor Jesus, e trabalham pregando o evangelho até que todas as nações o conheçam. Paulo considerava tudo como esterco perto de Cristo e aguardava com expectativa a redenção (Filipenses 3). Não para fugir dos problemas daqui, mas porque não pertencemos a este mundo. Quem tinha ansiedade e medo foi chamado a trocá-los por esperança.

Com a igreja de pé, o Pr. Vitor lembrou que Jesus mandou ajuntar tesouros no céu, porque onde estiver o nosso tesouro, ali estará o nosso coração (Mateus 6:19-21). Ele orou por libertação, por cura para quem foi ferido por pessoas ou instituições, pela paz que excede todo entendimento sobre os ansiosos, e para que o Senhor envie trabalhadores. Quem sentiu o coração denunciado foi à frente para receber oração. A igreja deixou no altar o pecado, a mentira, a impureza e a rebeldia, pediu uma nova fome e uma nova sede de Deus, e renovou o compromisso de amar ao Senhor de todo o coração, de toda a força e de todo o entendimento. A série terminaria no domingo seguinte, com uma mensagem sobre ser cheio do Espírito Santo.

Esta ministração foi parte do culto de 15 de outubro de 2023. Assista ao culto completo.