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Série O obreiro que Jesus procura

Aprovado ou traumatizado?

Pr. Vitor Coutinho, 8 de outubro de 2023, Tiago 1:12 e 2 Timóteo 2:15

Continuando a série O obreiro que Jesus procura, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que não há aprovação sem prova, e que reprovações repetidas no mesmo ponto viram um ciclo de derrota e deixam traumas na alma. Jesus não quer só mudar o que fazemos por fora: Ele vai até a raiz da dor para nos curar, e é o obreiro curado que Deus aprova e estabelece.

Dando sequência à série O obreiro que Jesus procura, o Pr. Vitor Coutinho relembrou o que a igreja tinha ouvido semanas antes: Deus procura intercessores, adoradores e obreiros, e o obreiro que Ele procura não é só alguém bem-intencionado, mas alguém que constrói altares, primeiro o secreto e depois o público. Desta vez o tema foi a aprovação. Nesse caminho, precisamos ser aprovados pelo Senhor, mas muitas vezes saímos traumatizados em vez de aprovados. E quem não é aprovado compromete não só a própria vida e a família, mas toda a execução da obra. A série continuaria no domingo seguinte.

Sem prova não há aprovação

O pastor perguntou à igreja o que é preciso para ser aprovado por Deus. Vieram as respostas: obedecer, ter um coração generoso, honrar, ter fé, ser fiel, andar em santidade. Tudo isso está certo, mas existe um passo antes: para ser aprovado, é preciso passar por uma prova. Não há aprovação sem prova. O texto lido foi a carta de Tiago.

Bem-aventurado aquele que suporta com paciência as provações e tentações, porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam. (Tiago 1:12)

Nos momentos difíceis fazemos votos a Deus: se o Senhor fizer isso, eu vou orar mais, vou jejuar, vou obedecer. Algumas provas chegam de forma clara e outras de forma sutil. Quando damos a elas uma resposta inadequada, podemos ser reprovados, e isso cria amarras espirituais que nos impedem de viver tudo o que Deus tem para nós. O requisito para acessar a herança é a maturidade, assim como um menor de idade precisa de tutor para receber a herança (Gálatas 4:1-2). As nossas motivações, a nossa fé, a nossa perseverança e o nosso chamado são provados todos os dias, porque Deus não é superficial. O pastor contou de um amigo que lê um livro da capa à última página, sem pular uma vírgula, enquanto ele mesmo é do tipo que lê por cima. Deus não é assim com os seus obreiros: Ele não banaliza a falha de caráter, os defeitos nem o pecado.

O centro da vontade de Deus não nos livra das provas. Mas todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8:28), e nada pode nos separar do amor de Cristo, nem tribulação, nem angústia, nem perseguição (Romanos 8:35). Jesus é Emanuel, Deus conosco. Olhando da terra para o céu, as dificuldades parecem um grande problema. Olhando do céu para a terra, elas são a maior oportunidade que um crente pode ter. Não existe vitorioso sem luta. Todos queremos vencer e ninguém quer passar pela prova, mas vamos passar, e cada prova em que nos alinhamos ao caráter de Deus abre portas e nos leva para a próxima fase.

O ciclo da derrota

Do ponto de vista da aprovação, derrota é um ciclo de reprovações, um círculo vicioso em que sempre voltamos ao mesmo ponto, como quem repete o ano na escola ou pega dependência na faculdade. Fazer de novo, e de novo, desgasta e desanima, e vem o sentimento de fracasso. Nesse momento podemos decidir nos levantar ou aceitar a mentira de que somos derrotados. Jesus disse que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado (João 8:34), e Satanás lança pensamentos de que nunca vamos vencer. Ele faz como Golias, que se apresentava de manhã e à tarde, durante quarenta dias, para afrontar Israel (1 Samuel 17:16). Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou, e nada na criação será capaz de nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus (Romanos 8:37-39).

Onde há derrota, há trauma

Quando somos reprovados sempre na mesma área, como a ira ou a impaciência, pode ser sinal de um coração traumatizado. Para explicar, o pastor contou que, quando aprendeu a tocar violão, os dedos doeram, fizeram bolha e depois calo, e pararam de doer. Quem anda descalço também cria calo no pé. O corpo se acostuma, e o coração também vai recebendo pancada após pancada. Trauma é o resultado de feridas, de reprovações sempre no mesmo ponto. Como um osso que quebrou e ficou mais frágil, o lugar ferido fica mais fácil de ferir de novo. Com imagens de um livro sobre o obreiro aprovado, ele mostrou uma espiral: quanto mais o tempo passa, mais longe ficamos da dor escondida, e isso gera uma vergonha que escraviza, junto com medo, culpa e dor.

Paulo pediu a Timóteo que fosse um obreiro aprovado, que não tem de que se envergonhar (2 Timóteo 2:15). Jesus disse que o príncipe deste mundo não tinha nada nele (João 14:30). Satanás usa os nossos traumas para nos tornar inviáveis para o serviço, repetindo que nunca vamos conseguir. O pastor apontou três sinais de que alguém está escondendo uma ferida:

  • Melindrosidade: como quem tem uma unha encravada e se encolhe com medo de que alguém pise, a pessoa se torna hipersensível, de humor instável, e toda correção soa como rejeição ou agressão. Não é por mal, é autodefesa de quem já apanhou muito no mesmo lugar.
  • Retraimento: a ferida vira o eixo da vida. Por medo de ser rejeitada de novo e por vergonha do que viveu, a pessoa se fecha como uma ostra e se isola. Abusos sofridos, pecados ocultos e vícios que ninguém sabe ficam guardados, e o que não é exposto à luz não pode ser curado.
  • Vulnerabilidade: sempre existe uma área em que fomos golpeados, por discriminação, abandono, traição ou abuso. Como o lutador de boxe que mira no supercílio já aberto do adversário, Satanás ataca justamente ali.

Cortar a planta e deixar a raiz

Muitas vezes espiritualizamos tudo isso, ou achamos que basta parar de fazer, ou fingimos que está tudo bem, e a dor piora. A pessoa conhece Jesus, ouve que precisa parar com um vício, para, e logo está presa a outra coisa, às vezes até a uma rotina religiosa: um congresso atrás do outro, um culto por dia, louvor vinte e quatro horas, sem conseguir ficar a sós consigo mesma. A alma continua ferida. É como cortar a planta e deixar a raiz. Mas se o Filho nos libertar, seremos verdadeiramente livres (João 8:36). Jesus não faz obra pela metade, Ele vai até a raiz.

Jesus passou a maior parte do tempo com os pecadores, e isso escandalizava os religiosos. Ele não disse a Zaqueu que não entraria na casa de um ladrão. Disse que iria à casa dele naquele dia, e foi a aproximação de Jesus que fez Zaqueu decidir devolver o que tinha roubado (Lucas 19). A mudança de fora não vem antes do encontro com o Senhor por dentro, e não podemos cobrá-la dos outros. O convite de Jesus é: venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu darei descanso para a alma (Mateus 11:28).

Ativista religioso ou obreiro aprovado

O obreiro aprovado não é um ativista religioso. O ativista está sempre fazendo alguma coisa, é pau para toda obra, mas muitas vezes faz por carência emocional, tentando maquiar a vergonha que sente. Ele não exerce influência espiritual e continua refém das próprias emoções. O obreiro aprovado às vezes nem aparece tanto, mas expõe as suas dificuldades a Jesus e deixa Jesus curar. Deus não quer levantar obreiros para depois vê-los cair num escândalo. Quando Ele cura, é para estabelecer homens e mulheres de Deus por muito tempo, e a nossa mente deixa de ser um parquinho de Satanás.

O ponto da dor é o ponto da cura

Com a igreja de pé, o Pr. Vitor orou. Talvez tenhamos tentado nos proteger de tudo e de todos, até de Deus, mas o lugar onde escondemos as dores é justamente onde Deus quer chegar. Ele pediu que cada um falasse com Jesus sobre as feridas, as pessoas que magoaram e as derrotas que nem sempre foram culpa nossa, e deixasse a luz de Deus entrar onde havia tanta coisa escondida. Quem sentiu que a palavra era para si levantou a mão, e a equipe de intercessão foi até cada um para orar. Ele lembrou que quem é curado pode levar cura a outros: gente próxima que vive reclamando, triste, cansada ou aflita. E encerrou declarando que queremos ser obreiros aprovados pelo Senhor, sem nada de que nos envergonhar, livres e verdadeiramente transformados.

Esta ministração foi parte do culto de 8 de outubro de 2023. Assista ao culto completo.