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Série O obreiro que Jesus procura

Invista na construção de altares

Pr. Vitor Coutinho, 24 de setembro de 2023, 2 Timóteo 2:15 e Êxodo 33:7-11

Abrindo a série O obreiro que Jesus procura, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que Deus não olha só para o que fazemos, mas para a motivação com que fazemos. Pela vida de Josué, aprendemos a levantar primeiro o altar secreto, a esperar que o próprio Deus nos tire do secreto e a continuar fiéis depois disso, deixando um altar público como memorial para as próximas gerações.

Depois de duas semanas falando sobre fé, a igreja começou uma série nova: O obreiro que Jesus procura. O Pr. Vitor Coutinho abriu perguntando quem já tinha trabalhado com recrutamento numa empresa. Muitas vezes a esperança de uma família inteira está numa contratação. Sem comparar Deus a um departamento pessoal, ele usou a imagem para mostrar que Deus também está procurando pessoas para o seu Reino. O texto base da série é a recomendação de Paulo ao jovem Timóteo.

Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar e que maneja bem a palavra da verdade. (2 Timóteo 2:15)

Três vagas no Reino

A Bíblia mostra três tipos de pessoas que Deus procura. Em Ezequiel 22:30, Ele buscou alguém que levantasse o muro e se colocasse na brecha a favor da terra, para que Ele não a destruísse, e não encontrou ninguém: Deus procura intercessores. Em João 4:23, o Pai procura verdadeiros adoradores, que o adorem em espírito e em verdade. E em Mateus 9:38, Jesus manda pedir ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para os seus campos: Deus procura obreiros. A falta de intercessores traz destruição. A falta de adoradores, de certa forma, entristece o céu. E a falta de obreiros faz a igreja não avançar. Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a sua igreja (Mateus 16:18). Quando faltam obreiros cheios de fé, Satanás avança com os seus planos na cidade sem encontrar resistência.

Muitos são chamados, todos são provados

Disposição é importante, mas não basta. Jesus disse que muitos são chamados e poucos são escolhidos (Mateus 22:14). O pastor acrescentou: todos são provados, mas poucos são aprovados. Ser obreiro no Reino é a maior honra que alguém pode ter, mas o processo de qualificação pede transformação lá dentro da alma, e nem todo mundo se dispõe a passar por ele. Obreiro no Reino não é só quem serve num ministério da igreja. O Reino dos céus vai além de uma denominação ou de um culto. Existe quem queira servir a Deus, mas quer que o Reino se adeque a ele, como o funcionário que chega no primeiro dia e já quer ensinar quem faz o trabalho há trinta anos. A notícia é que somos nós que precisamos nos alinhar ao Senhor para sermos aprovados por Ele.

Não é o que fazemos, é como fazemos

A igreja é comparada a um corpo com muitos membros, e Deus chama alguns como vasos de honra e outros para usos mais simples. Há tarefas que ninguém vê e que, numa escala de prioridade, pareceriam as menos importantes. Não é isso que o Reino avalia. No ano em que a igreja fala sobre criar raízes, sobre crescer para baixo onde ninguém está vendo, a pergunta é a motivação: por que você está fazendo o que faz? Se não é para Deus, o que você está fazendo no Reino? O pastor contou que, quando era líder de jovens, foi cantar numa igreja e um homem veio lhe dizer que ele precisava caprichar nos floreios da voz. Ele respondeu que o que importava era se Deus estava recebendo, não se as pessoas estavam gostando. Seremos tentados a fazer as coisas para ouvir um elogio. Satanás tentou o próprio Jesus oferecendo os reinos da terra em troca de adoração (Mateus 4:8-9), ou seja, reconhecimento e poder. A dica é já esperar que ninguém vá reconhecer o que fazemos. Quem constrói o serviço a Deus em cima da aprovação das pessoas constrói em terreno mole, e uma hora desaba.

Quando Samuel foi à casa de Jessé ungir o novo rei, ficou impressionado com a aparência dos filhos dele, e Deus o corrigiu: o homem vê o que está diante dos olhos, mas o Senhor olha para o coração (1 Samuel 16:7). Um grande profeta pode se deixar levar pelas aparências, mas Deus nunca é enganado. De Deus não se zomba, e o que o homem plantar, isso colherá (Gálatas 6:7). O que começa com a intenção errada prejudica tudo o que vem depois. O mundo espiritual trabalha com precisão e obedece a princípios. Isso não quer dizer viver sem dar satisfação a ninguém, nem tratar mal quem ainda não conhece o Senhor. Quer dizer que o que nos move precisa ser impressionar a Deus, e não as pessoas.

Dois altares, nesta ordem

Na Bíblia, os homens de Deus levantam dois altares: um escondido, num lugar íntimo, e outro público, onde todos podem ver. O altar íntimo é o que Deus testemunha de nós e revela a intenção do coração. O altar público é o que mostramos de Deus às pessoas e revela os nossos valores. Ninguém consegue julgar a motivação do outro, mas Deus conhece cada um. E existe uma ordem: primeiro o altar íntimo, depois o público. Primeiro buscamos a aprovação de Deus e depois servimos as pessoas. Elas podem aprovar ou não, mas, se o altar íntimo está em dia, está tudo bem. Sem vida no secreto, a pessoa fica inconsistente, começa e para, nunca termina nada.

É provável que, quando Deus nos chama, Ele nos leve primeiro para o lugar íntimo, e que fiquemos ali por anos, sem que ninguém saiba que existimos. Em vez de promover o próprio ministério, o pastor nos aconselhou a ir para o secreto e morar lá, cheios de óleo. Um dia Deus manda o profeta à nossa casa, como fez com Davi: os irmãos qualificados não serviam, e Deus foi buscar o que cuidava das ovelhas (2 Samuel 7:8). Já rei, Davi dançou diante da arca com tanta alegria que a esposa o desprezou, e ele respondeu que não deixaria de se alegrar na presença do Senhor (2 Samuel 6). Às vezes Deus nos esconde para não nos perder quando formos revelados. E quando Ele começa a nos tirar do secreto, como Davi diante de Golias, é hora de ir com confiança. O pastor lembrou do livro Enraizados, de um pastor americano a quem foi dito aos dezoito anos que Deus o usaria poderosamente. Ninguém o avisou que levaria dezessete anos para começar. Não faltam trabalhadores com opinião nem trabalhadores qualificados. Faltam trabalhadores cheios da presença de Deus, e essa presença não vem de ler livros, vem de fechar a porta do quarto e perguntar: Senhor, o que eu preciso deixar neste altar, que pecado preciso abandonar? A Palavra de Deus é poderosa e pode tocar alguém mesmo na boca de quem não vive o que fala, porque Deus tem compromisso com a sua Palavra. Mas Jesus diz que muitos farão maravilhas em seu nome e ouvirão: nunca os conheci (Mateus 7:22-23). A presença é como um perfume: não dá para fingir. Não precisamos ser servos aparentes, e sim permanentes, porque quem faz a vontade de Deus permanece para sempre (1 João 2:17). Jesus fala do altar íntimo em Mateus 6:6: entrar no quarto, fechar a porta e orar ao Pai em secreto. Não é no culto que se constrói uma vida espiritual relevante, é onde ninguém está vendo. Um obreiro que investiu na construção de altares foi Josué.

Josué, o auxiliar que ficava na tenda

Moisés costumava montar uma tenda fora do acampamento, a certa distância, e a chamava Tenda do Encontro. Quem quisesse consultar o Senhor ia até essa tenda, fora do acampamento. [...] O Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com seu amigo. Depois Moisés voltava ao acampamento, mas o seu jovem auxiliar, Josué, filho de Num, não se afastava da tenda. (Êxodo 33:7-11)

Imagine mais de um milhão de pessoas no deserto, todas em pé na porta das suas tendas, em silêncio, vendo Moisés entrar e a coluna de nuvem descer. No fim da vida, Moisés falhou e não pôde entrar na terra prometida, e ficou a pergunta: quem o substituiria? O homem que tinha investido a vida em conhecer ao Senhor, que ficava na tenda.

Primeiro: invista na construção de altares secretos

Mesmo que seja preciso dormir menos, vá para o lugar secreto conversar com Deus. Para quem não sabe por onde começar, o pastor indicou o Tempo a Sós com Deus, um roteiro de passos simples. No começo talvez não passe de cinco minutos, mas o tempo vai se alongando até não se ver mais as horas passarem. A nossa vida com Deus não depende do tamanho da célula nem de quantas pessoas levamos a Jesus. Esses são frutos, mas não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma.

Segundo: não se promova, espere Deus te transicionar

Depois que Moisés morreu, o Senhor falou com Josué e o mandou conduzir o povo pelo Jordão (Josué 1:1-2). Josué reconhecia a voz de Deus porque já estava acostumado a ouvi-la. É o próprio Deus quem nos tira do secreto para um lugar de autoridade. Ele é o dono da obra, é Ele quem recruta, e Ele vai dar um jeito de nos fazer entender, nem que use alguém que nunca vimos. Quem tenta se promover caminha para o fracasso, porque o coração é enganoso.

Terceiro: depois da transição, continue fiel

Antes de atravessar o Jordão, Josué disse ao povo que se santificasse, porque no dia seguinte o Senhor faria maravilhas no meio deles (Josué 3:5). As águas se abriram, e doze homens, um de cada tribo, levantaram pedras no meio do rio e depois um memorial do outro lado (Josué 4). Mesmo revelado, Josué continuou no altar secreto: em Jericó, esperou Deus dar o comando antes de agir. Deus lhe disse que fosse forte e corajoso, e ser fiel exige esforço. E o altar público serve de memorial: quando os filhos e os filhos dos filhos perguntarem o que significam aquelas pedras, contaremos o que o Senhor fez (Josué 4:6-7). Um dia um bisneto vai perguntar por que a família ama o Senhor, e a resposta será uma bisavó cujo nome ele nem sabe, mas que consagrou a sua geração. Nas nossas cidades, as gerações futuras vão perguntar por que vivem o que vivem de Deus, e a resposta será: gente que se consagrou no secreto, foi transicionada por Deus e levantou altares públicos onde Deus é adorado.

Sonda o meu coração

Quem quer ser obreiro no Reino precisa avaliar as próprias intenções e orar como Davi: vê se há em mim algum caminho mau (Salmo 139:24). Estou construindo altares do lado de fora em vez de altares secretos? Estou tentando mostrar uma unção que ainda não tenho? Deus não muda de opinião nem de humor; somos nós que oscilamos, e por isso precisamos ir ao secreto nos alinhar antes de servir. Deus procura obreiros fiéis, dispostos, disponíveis e que desejam ser aprovados. Na oração final, com a igreja de pé, o Pr. Vitor pediu que o Senhor mostrasse se estamos investindo o nosso tempo e os nossos recursos no altar secreto ou só servindo como Marta, longe dos pés de Jesus. Orou para que Deus aprofunde as nossas raízes, incendeie com brasas vivas do altar os filhos que Ele está tirando do secreto e levante líderes de células, pregadores, missionários, mestres, profetas, pastores e apóstolos. Pediu que os desanimados voltassem os olhos para o Cordeiro que estava morto e está vivo, o único digno de abrir o livro (Apocalipse 5), cujo fardo é leve. O que Ele nos pede é que nos santifiquemos e o busquemos mais. O resto é com o dono da obra.

Esta ministração foi parte do culto de 24 de setembro de 2023. Assista ao culto completo.