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Série Famílias que fluem

Levantar os muros de proteção

Pr. Hugo Campos e Pra. Heidy Campos, 9 de agosto de 2026, Neemias 2:17-18 e João 14:27

No Mês da Família, o Pr. Hugo e a Pra. Heidy Campos mostraram como Neemias reconstruiu os muros de Jerusalém: reconhecer a realidade, decidir recomeçar, assumir a parte que cabe a cada um e vigiar em oração. É assim que a paz de Jesus, o shalom, volta para dentro de casa.

No domingo de Dia dos Pais, dentro da série Famílias que fluem, a Palavra foi trazida pelo Pr. Hugo e pela Pra. Heidy Campos, da Comunidade Cristã Ruah, em Marialva-PR. Eles são os discipuladores dos nossos pastores, Vitor e Jéssica Coutinho. A família é o bem mais precioso que Deus nos confiou. Se ela está bem, glória a Deus, mas ainda pode melhorar e viver segundo o plano de Deus.

Vocês estão vendo a miséria em que estamos. Jerusalém está em ruínas, e seus portões foram destruídos pelo fogo. Venham, vamos reconstruir os muros de Jerusalém e nos livrar desta vergonha! (Neemias 2:17)

Nunca tivemos tanto, e nunca estivemos tão cansados

Nunca houve tanta tecnologia para facilitar a vida: celular, inteligência artificial, até robô que limpa a casa. Mesmo assim, nunca se viu tanta gente cansada e ansiosa. Nunca houve tanta comunicação disponível, e nunca houve tanta família com dificuldade de conversar, de olhar no olho e de resolver coisas simples. Há casas bonitas por fora e lares quebrados por dentro.

Temos cerca elétrica, alarme, câmera e seguro para tudo. Protegemos o patrimônio, mas nenhuma dessas coisas protege o que a Bíblia chama de mais precioso: a nossa casa e a nossa família.

A Pra. Heidy trouxe a realidade que eles encontram no aconselhamento: casais que deixam de querer filhos por medo, filhos que crescem sem a presença do pai, e o silêncio dentro de casa. Um homem pode nunca gritar nem brigar e ainda assim ferir a família com o silêncio. Ela citou que o Brasil tem centenas de milhares de divórcios por ano, muitos antes dos cinco anos de casamento, e que essa realidade também chega às igrejas. Por isso a mensagem foi sobre levantar muros de proteção.

Duas pazes

Em João 14:27, Jesus diz que nos deixa a sua paz, e que não a dá como o mundo dá. Existe a paz do mundo e existe a paz de Deus. A palavra hebraica é shalom: plenitude, tudo em ordem, nada faltando, nada quebrado.

Era essa a paz da primeira família, no Éden: harmonia com Deus, consigo mesmo e com o outro, sem culpa, sem medo e sem vergonha. Em Gênesis 3:8, depois do pecado, Adão e Eva se escondem da presença do Senhor. O pecado atrai, depois oprime e escraviza, gera medo e procura um culpado. E o que começou numa brecha individual chegou aos filhos, até Caim e Abel.

A brecha que eu dou nunca fica só comigo. A responsabilidade é individual, mas sempre atinge a minha casa e a minha geração, para o bem ou para o mal. Por isso Deus diz: escolha a vida, para que você e a sua descendência vivam (Deuteronômio 30:19).

O que Neemias ensina sobre reconstruir

Quando Neemias chegou, Jerusalém existia, mas os muros estavam no chão havia décadas. Era uma cidade vulnerável, e o povo tinha se acostumado à miséria e à vergonha. Jerusalém aqui é literal, mas também é figura do povo de Deus, da igreja e das famílias. A história de Neemias mostra como Deus restaura.

Primeiro: reconhecer a realidade

Antes de mudar qualquer coisa, Neemias andou pela cidade, até de madrugada, olhando as ruínas. Ele teve coragem de encarar a verdade. Muitas famílias não se reerguem porque fingem que os problemas não existem. A pergunta é: qual muro caiu na nossa casa? A oração em família, o diálogo, o perdão, o tempo juntos, o discipulado dentro de casa? Deus trabalha com a verdade e com gente humilde, que reconhece o problema e crê que pode resolvê-lo com a ajuda dele.

Segundo: decidir recomeçar

Neemias não ficou procurando culpados. Diante de um povo desanimado, ele disse: vamos nos preparar e começar a reconstrução (Neemias 2:18). A família não muda por acidente. É Deus quem toca os corações, mas existe uma parte que é nossa: uma decisão firme diante de Deus. E Neemias decidiu quando nada ainda tinha mudado e os muros continuavam no chão.

Terceiro: cada família reconstrói o seu trecho

Neemias não separou só os pedreiros. Cada família reconstruiu o pedaço do muro que ficava diante da própria casa. Pastores e líderes ajudam, mas quem discipula os filhos são os pais, e quem cria a cultura espiritual do lar é a família, não a igreja. Cada um tem uma parte que lhe cabe.

Quarto: vigiar e orar

Enquanto reconstruíam, o povo trabalhava com uma mão e segurava a arma com a outra, e orava a Deus (Neemias 4:9). É a mesma palavra de Jesus: vigiai e orai. Os muros que estavam caídos havia décadas foram levantados em 52 dias (Neemias 6:15), porque havia um povo vigilante.

Muitos casais perdem espaço por falta de vigilância: no telefone, na agenda, nas amizades, nas prioridades erradas, no entretenimento. O Pr. Hugo pediu mais transparência com o cônjuge e mais firmeza com quem nem deveria fazer parte da nossa intimidade.

Levantar cercas na prática

A Pra. Heidy contou como eles protegem a própria casa: os filhos não ficam isolados, o computador não fica fechado no quarto, o que se assiste passa por filtro, e entre marido e mulher não há senha escondida. Muitos os chamaram de radicais. Ela prefere ser chamada de radical e ver os filhos saudáveis. E profetiza sobre a casa o que a Bíblia diz, não o que o mundo normalizou, como a ideia de que todo adolescente precisa dar trabalho.

Tudo começa no relacionamento pessoal com Deus. Quando o shalom com Deus se quebra, a casa inteira sente. Quanto mais cada um busca o Senhor no secreto, mais isso transborda no casamento e nos filhos.

E é preciso construir memórias. Eles contaram de uma viagem simples, acampando no mato com a família. O que importa não é o lugar, e sim estar junto, para que os filhos, mesmo com dezessete anos, queiram estar com os pais.

Qual muro está baixo na sua casa?

No fim, a Pra. Heidy convidou cada um a ser sincero com Deus sobre os muros que precisam ser reconstruídos:

  • O muro da oração: decidir as coisas sem consultar a Deus.
  • O muro do perdão: amargura e ressentimento que já deviam ter sido resolvidos.
  • O muro do diálogo: tudo resolvido no grito, na briga ou no silêncio.
  • O muro da santidade: o que deixamos entrar em casa e que não glorifica a Deus.
  • O muro da comunhão: o isolamento, longe da família, dos amigos e da igreja.
  • O muro do relacionamento com Deus: achar normal passar dias sem ler a Bíblia e sem devocional.

O Pr. Hugo encerrou orando por cada família: que Deus dê coragem para encarar a verdade e reconstruir, sabedoria para cuidar do que Ele nos confiou (Tiago 1:5), e que cada lar seja um farol de esperança, um pedaço do céu aqui na terra.

Esta ministração foi parte do culto de 9 de agosto de 2026. Assista ao culto completo.