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Série Famílias que fluem

A bênção que transborda

Pr. Rafael Fortunato, 30 de agosto de 2026, Salmo 128

No último domingo da série Famílias que fluem, o Pr. Rafael Fortunato mostrou pelo Salmo 128 que tudo começa no temor do Senhor. Quem teme a Deus anda nos seus caminhos, e a bênção transborda da pessoa para o casamento, os filhos, a cidade, a nação e as próximas gerações.

No último domingo da série Famílias que fluem, no Mês da Família, a Palavra foi trazida pelo Pr. Rafael Fortunato, da Comunidade Cristã Wave, em Cambira-PR. Ele veio com a esposa, a Pra. Rebeca Fortunato, e os filhos, e a igreja orou pela família antes da ministração. O texto foi o Salmo 128, que já tinha sido lido na abertura do culto.

Como é feliz aquele que teme o Senhor, que anda em seus caminhos! Você desfrutará o fruto do seu trabalho, será feliz e próspero. Sua esposa será como videira frutífera, que floresce em seu lar. Seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Esta é a bênção do Senhor para aquele que o teme. (Salmo 128:1-4)

Uma influência que não se vê

O pastor começou lembrando da pandemia e do acidente radioativo em Goiânia: coisas que não se viam, mas tinham alto poder de contágio. A Bíblia diz que somos o bom perfume de Cristo (2 Coríntios 2:15). O perfume chega antes da pessoa e entra em quem está perto. É assim que a igreja influencia, em silêncio, numa cidade grande ou numa cidade de dez mil habitantes como Cambira. Ele contou a história de um homem de família hindu que, aos 13 anos, buscava a verdade. Uma mulher comum bateu à porta para pedir um copo de água e lhe deu uma Bíblia. Ele se tornou evangelista, escreveu um livro sobre jejum e oração lido em muitas nações e hoje, perto dos 80 anos, diz que aquela mulher é responsável por cerca de 400 mil vidas alcançadas. Não podemos desprezar o poder de uma semente.

Temer é considerar sagrado

O Salmo 128 tem uma progressão: começa numa pessoa e cresce até a família, a cidade e a nação. Tudo parte de quem teme o Senhor. Temor é respeito e reverência, é não tratar como comum aquilo que é sagrado. Consideramos sagrado o culto, a oração e a leitura da Palavra, mas esquecemos de considerar sagrado o irmão do lado, com a história, as lutas e as vitórias dele. Na Santa Ceia somos chamados a discernir o corpo de Cristo, e esse corpo hoje é a igreja. A cruz tem a madeira vertical sustentando a horizontal: sem o relacionamento com o próximo, o evangelho fica incompleto.

Quem teme anda nos caminhos do Senhor

O temor capacita a andar nos caminhos de Deus. Talvez esse seja um dos maiores problemas do evangelho hoje: gente que diz temer o Senhor e não anda nos seus caminhos. É a velha religiosidade, que cuida das formas e das regras e despreza o relacionamento. Quem teme e anda com Deus come do fruto do seu trabalho. A salvação é de graça, e andar com Jesus custa tudo, mas é pouco perto de um eterno peso de glória (2 Coríntios 4:17). A bênção do Senhor enriquece e não traz desgosto (Provérbios 10:22), e muita gente prosperou pagando com o casamento e a família. Não precisamos convencer Deus a nos abençoar, porque já fomos abençoados nas regiões celestiais (Efésios 1:3). Jejum, oração e Palavra não compram a bênção: mantêm a fé ativa, e a fé acessa o que Jesus já conquistou. A medida de Deus é recalcada, sacudida e transbordante (Lucas 6:38).

Videira e oliveira dentro de casa

Depois o salmo entra na casa. A esposa é como videira frutífera. A videira dá a uva, a uva dá o vinho, e o vinho na Bíblia é símbolo de alegria e do Espírito Santo. O primeiro milagre de Jesus foi num casamento, quando o vinho acabou (João 2). É a imagem de uma casa cheia do Espírito, para onde o marido e a esposa querem voltar depois do trabalho, porque ali há a paz que excede todo entendimento (Filipenses 4:7), mesmo no meio das lutas.

Os filhos são como brotos de oliveira. Da oliveira sai o azeite, que só é produzido quando o fruto é esmagado, e o azeite simboliza a unção: a capacitação de Deus para fazer o que não daríamos conta sozinhos. Como o óleo no motor, a unção tira o atrito e faz a vida fluir. O pastor contou que, quando os filhos eram pequenos, ele e a esposa se olhavam e perguntavam como estavam dando conta. Sem Jesus nada podemos fazer (João 15:5), mas tudo podemos naquele que nos fortalece (Filipenses 4:13).

A bênção não para em nós

O broto também fala de continuidade. Deus é o protagonista da história, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Abraão se posicionou, e por meio dele todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gênesis 12:3). Eliseu morreu com a unção, e um morto voltou à vida ao tocar os ossos dele (2 Reis 13:21). Nós não devemos levar a unção para o túmulo, e sim cultivar os brotos: os filhos biológicos e os espirituais. O Reino é como a semente que cresce sem que o semeador saiba como, e como o grão de mostarda que se torna a maior das hortaliças (Marcos 4:26-32).

O salmo continua: que você veja a prosperidade de Jerusalém, os filhos dos seus filhos e a paz sobre Israel. A bênção que começou numa pessoa chega à cidade. A igreja não é o prédio, é cada um de nós no trabalho e na vizinhança, e trabalhar para o Senhor também é adorar. Davi serviu à sua geração (Atos 13:36): não pôde construir o templo, mas preparou o material para quem viria depois. Fluir é estar desimpedido, como um rio, e não como água represada. Jesus disse que do interior de quem crê fluirão rios de água viva (João 7:38).

O pastor contou que, no Natal de 2025, saiu com o filho para entregar cestas e, depois de rodar a cidade orando, deram duas a um senhor que saía para vender sorvete. Oito meses depois, a filha desse homem contou que o pai, que criticava a fé dela, mudou de atitude por causa daquele gesto. Contou também uma história que ouviu de terceiros: dois adolescentes oravam escondidos num mato, num país em guerra, quando chegou um tanque e dele desceu o presidente do país, dizendo que Deus o tinha mandado ali para receber oração. A nossa oração afeta a nação.

Uma igreja de madeira no sítio

Em seguida, o Pr. Rafael contou a história da própria família. Há uma foto em preto e branco, do início dos anos 60, de uma igrejinha metodista de madeira num sítio em Mandaguari, construída pelo bisavô dele. Esse bisavô conheceu Jesus ainda adolescente, em Minas Gerais, porque alguém lançou uma semente. Ele e a esposa tiveram onze filhos e, como não conseguiam ir à igreja na cidade, construíram uma no sítio, onde ele mesmo pregava. Era um homem de temperamento difícil, mas lutava contra isso na oração e na Palavra. A avó do pastor permaneceu firme, os filhos dela também, e hoje os netos e bisnetos crescem nesse caminho. Não é gente perfeita, é gente que teme o Senhor.

O que é o temor do Senhor

O temor é o fundamento do salmo. A Bíblia não diz bem-aventurado o trabalhador, o rico ou quem tem família, embora tudo isso seja bênção. Diz bem-aventurado aquele que teme o Senhor e anda nos seus caminhos. O pastor resumiu o que é esse temor:

  • Consciência constante de Deus: não entramos na presença dele no domingo, porque nunca saímos dela. Nele vivemos, nos movemos e existimos (Atos 17:28).
  • Transforma a vida comum em adoração: trabalhar, cuidar das pessoas e pedir perdão também é adorar.
  • Muda o coração antes do comportamento: o legalista pergunta o que pode fazer sem pecar, e quem teme o Senhor pergunta o que agrada a Ele.
  • Produz sabedoria, que é saber aplicar: inteligência é saber que o tomate é fruta, sabedoria é não colocá-lo na salada de frutas.
  • Traz liberdade: quem teme só a Deus deixa de ser escravo do medo das pessoas. Moisés ficou quarenta dias na presença de Deus, e Arão cedeu à pressão do povo e fez o bezerro de ouro (Êxodo 32).
  • Organiza a vida: do temor, no primeiro versículo, o salmo passa ao trabalho, ao casamento, aos filhos, à cidade e à nação.
  • É prático: aparece em como trabalhamos quando ninguém vê, tratamos o cônjuge, educamos os filhos, usamos o dinheiro, falamos dos outros e reagimos às tentações.
  • É sinal de maturidade: Jesus tinha prazer no temor do Senhor (Isaías 11:3). A criança obedece por medo da correção, e quem amadurece teme porque prioriza o relacionamento com o Pai.

Praticar a presença de Deus

Para terminar, ele falou do livro Praticando a presença de Deus, que reúne cartas de dois cristãos de épocas diferentes que ensinavam a viver conscientes de Deus o tempo todo. Um deles, Frank Laubach, foi missionário nas Filipinas nos anos 30. Ninguém dava atenção ao que ele dizia, até que ele decidiu passar o dia inteiro pensando intencionalmente em Deus. As pessoas passaram a ter fome do evangelho, mas a maioria não sabia ler. Ele então criou um método de alfabetização para que lessem a Bíblia, com o lema cada um ensina um. Estima-se que 60 milhões de pessoas aprenderam a ler assim, e em 1943 ele trouxe o método ao Brasil. O filho do pastor, de sete anos, aprendeu a ler com esse método e, numa madrugada daquela semana, acordou e abriu a Bíblia para ler Provérbios. Um culto, uma refeição, uma oração ou uma canção em família, vividos no temor do Senhor, podem transformar o mundo. Na oração final, o Pr. Rafael pediu que cada lar seja uma igreja, que o temor do Senhor nos leve a andar nos seus caminhos e que, um dia, os nossos netos e bisnetos contem como tudo começou com quem se posicionou aqui.

Esta ministração foi parte do culto de 30 de agosto de 2026. Assista ao culto completo.