Série Fé
Vença o medo
Abrindo a série Fé, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que foi o medo, e não a falta de bênção, que deixou uma geração inteira de Israel no deserto. A resposta não é pensamento positivo, é fé em Jesus, que tem toda autoridade: trazer Jesus para dentro do nosso barco, clamar a Ele quando o medo aparecer e voltar a admirá-lo.
Esta foi a primeira mensagem da série Fé. O Pr. Vitor Coutinho começou perguntando se conhecemos alguém que nunca está satisfeito: o ar está gelado demais, depois quente demais, chove demais, faz sol demais. Talvez essa pessoa sejamos nós. Reclamar não é mal de brasileiro, é mal de ser humano, e a Bíblia mostra isso no próprio povo de Deus. A igreja abriu em Mateus 12, onde Jesus fala sobre o que sai da nossa boca.
Raça de víboras! Como poderiam homens maus como vocês dizer o que é bom e correto? Pois a boca fala do que o coração está cheio. A pessoa boa tira coisas boas do tesouro de um coração bom, e a pessoa má tira coisas más do tesouro de um coração mau. Eu lhes digo que, no dia do juízo, vocês prestarão contas de toda palavra inútil que falarem. Por suas palavras vocês serão absolvidos, e por elas serão condenados. (Mateus 12:34-37)
Um povo que reclamava de tudo
Israel saiu do Egito, viu o mar se abrir e viu milagres. Reclamou que não tinha comida, e todo dia de manhã havia maná na porta da tenda. Reclamou que não tinha carne, e Deus mandou codornizes. De dia uma nuvem protegia do sol do deserto, à noite uma coluna de fogo aquecia o acampamento, e a roupa e o sapato não se gastavam. Foram quarenta anos assim, e nada estava bom. O pastor contou que tem aprendido a cuidar das palavras que saem da própria boca. Tiago diz que a língua é um órgão pequeno capaz de incendiar a vida inteira, e que quem não tropeça no falar é perfeito (Tiago 3).
Foi o medo que deixou uma geração no deserto
Deus tinha prometido uma terra boa. Moisés enviou doze homens, um de cada tribo, para espiar. Dez voltaram dizendo que a terra era linda, com cachos de uva carregados por dois homens, mas que o povo de lá era forte demais. Só Josué e Calebe disseram que, se Deus tinha dado a palavra, eles podiam entrar. O povo inteiro acreditou nos dez, e Deus disse que aquela geração morreria no deserto (Números 13 e 14). Quarenta anos depois, Josué levou o povo pelo rio Jordão aberto, e as pedras foram deixadas como memorial (Josué 4). Deus tem bênçãos para nós, mas o medo e a falta de fé podem nos deixar parados na divisa.
O pastor perguntou: está faltando algo na sua casa na hora de comer? Ele contou de uma fase em que tudo parecia dar errado na família, com perdas dolorosas, a ponto de se perguntarem o que estavam fazendo de errado. Então abriram o armário: tinha arroz, feijão, carne e salada. Estava difícil, mas nunca faltou nada. Davi disse que foi moço, ficou velho e nunca viu o justo desamparado (Salmo 37:25). Mesmo assim, o povo de Deus pediu um rei para ser igual às outras nações, quando o próprio Deus já era o rei deles (1 Samuel 8).
Jesus não fala de positividade, fala de fé
O pastor pensou em pregar sobre gratidão, mas percebeu que Jesus é grato e mostra isso, e o que Ele ensina o tempo todo é a fé. Quem vive pela fé se torna grato. A estratégia de guerra em Jericó foi dar voltas no muro e gritar (Josué 6), e nem sempre o jeito de agir com fé faz sentido, mas sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6). Jesus disse que a fé é como um grão de mostarda: uma semente pequena que, plantada, vira árvore e dá muitos grãos. É a fé que temos hoje, usada de forma intencional. Jesus era duro com os religiosos que se achavam bons demais e chamava os discípulos de homens de pequena fé, mas elogiava a fé de quem estava longe da religião. A nossa fé pode surpreender a Deus.
Quando Jesus terminou de dizer essas coisas, as multidões ficaram admiradas com seu ensino, pois ele ensinava com verdadeira autoridade, diferentemente dos mestres da lei. (Mateus 7:28-29)
Só dá para crer em quem tem autoridade, assim como só consegue empréstimo quem tem nome limpo. Jesus disse que toda autoridade lhe foi dada no céu e na terra e a transferiu aos discípulos (Mateus 28:18-20). Por isso a nossa fé não está em coisas nem em nós mesmos. Acreditar que vai dar certo é positivismo, uma filosofia, e não é bíblico. A Bíblia nos chama a ter fé no Filho de Deus.
Uma fé que surpreendeu Jesus
Em Mateus 8:5-13, um centurião romano, que comandava cem soldados, pediu cura para o seu servo. Quando Jesus disse que iria até a casa dele, o oficial respondeu que não merecia, e que bastava uma ordem, porque ele conhecia a hierarquia: dava uma ordem e ela era cumprida. Jesus ficou admirado e disse que não tinha visto fé como aquela em Israel. Era um homem que, pela religião da época, nem podia falar o nome de Deus, e ele entendeu como o Reino funciona. O servo foi curado na mesma hora.
A fé no dia a dia
Deus não age só em grandes espetáculos. Em 1 Crônicas 14, Davi consultou a Deus e venceu os filisteus numa batalha comum. Quando eles voltaram, Deus mandou dar a volta por trás e esperar o som de passos marchando sobre as árvores, sinal de que o próprio Deus ia à frente. Mas o mais comum nas guerras seguintes era consultar a Deus e cumprir a tarefa. A fé é a certeza do que não vemos (Hebreus 11:1), e isso não é ser inconsequente. Noé construiu a arca pela fé, e os pais de Moisés, pela fé, esconderam o menino por três meses e não tiveram medo do rei (Hebreus 11:7 e 11:23). Não abriram nenhum mar, apenas não deixaram o filho morrer, e isso foi um ato de fé. Usar a fé com sabedoria e ousadia no dia a dia agrada a Deus.
Fé contra o medo
Em Mateus 8:23-27, Jesus entrou num barco com os discípulos, veio uma tempestade violenta, e Ele dormia. Eles eram pescadores, estavam no seu próprio ambiente e já tinham visto milagres, mas o que saiu de dentro deles foi o medo. Jesus perguntou por que estavam com medo e como era pequena a fé deles, repreendeu o vento e o mar, e houve grande calmaria. A fé vai contra o medo. Para vencer o medo, o pastor deixou três passos:
- Traga Jesus para dentro do seu barco: para a rotina, o trabalho, a casa e a família. As tempestades vão vir, porque neste mundo teremos aflições, mas Ele venceu o mundo (João 16:33). Com Jesus no barco, há uma voz de comando sobre a tempestade.
- Clame ao Senhor quando o medo aparecer, mesmo que pareça vergonhoso. Só Ele tem palavras de vida eterna (João 6:68), e uma palavra dele muda tudo.
- Admire Jesus. Depois da calmaria, os discípulos perguntaram quem era aquele a quem até o vento e o mar obedecem. Quem admira Jesus passa a ter motivo para agradecer, e o coração deixa de ser ingrato.
Aquele que entrou no barco é o Rei da glória, que se fez homem, viveu as nossas aflições, se entregou como sacrifício, ressuscitou e prometeu estar conosco todos os dias. Na oração final, o pastor convidou cada um a trazer Jesus para o seu barco, a pedir uma palavra dele sobre a tempestade que está enfrentando e a voltar a se encantar com Ele. Ele anunciou que a série continuaria na semana seguinte com o escudo da fé e deixou um desafio: quando a tempestade se levantar no trabalho ou em casa, use a sua fé e diga que Jesus está com você.
Esta ministração foi parte do culto de 10 de setembro de 2023. Assista ao culto completo.