Série Fé
O seu escudo da fé
Na segunda mensagem da série Fé, o Pr. Vitor Coutinho mostrou que o justo vive agarrado à Palavra de Deus e que a fé precisa ser usada de forma intencional, não só nos momentos de crise. Estamos numa guerra espiritual, e para deter as flechas de fogo do maligno é preciso levantar o escudo da fé: manter a posição, ficar junto do pelotão e avançar com a certeza de que Jesus está vivo.
Esta foi a segunda mensagem da série Fé. Na semana anterior, o Pr. Vitor Coutinho tinha falado da fé do centurião que surpreendeu Jesus e dos discípulos com medo no barco durante a tempestade. Ele contou que a sua própria semana não tinha sido fácil, e que entendeu o recado: falar sobre fé não faz cair um caminhão de fé na cabeça de ninguém. A fé normalmente é necessária nos momentos de dificuldade, mas quem aprende a usá-la de forma intencional usa também na calmaria.
O justo viverá agarrado à Palavra
A Bíblia diz que o justo viverá pela fé (Habacuque 2:4). Os hebreus tinham facilidade para explicar coisas difíceis de definir. Para dizer que Enoque era tão amigo de Deus que Deus o levou, Gênesis diz apenas que ele andou com Deus. A palavra hebraica para fé, emuná, pode ser traduzida como agarrar-se, apegar-se. O pastor comparou a quem está à deriva no mar e vê passar um tronco: quem tem juízo se agarra a ele como se a vida dependesse disso. É assim que o justo vive, agarrado à Palavra de Deus. E sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6).
Por isso a fé não é só para a situação caótica. Quem só se lembra dela quando tudo dá errado está longe do melhor de Deus. Jesus comparou a fé a um grão de mostarda (Mateus 17:20), e ninguém que tem uma única semente valiosa a joga em terra seca. A fé precisa ser semeada com intenção. E Tiago diz que fé sem obras é morta (Tiago 2:26): se dizemos que temos fé, precisamos ter atitudes que mostrem isso.
A fé aparece nas atitudes
Pela fé, Abraão, ao ser posto à prova, ofereceu Isaque como sacrifício. Abraão, que havia recebido as promessas, estava disposto a sacrificar seu único filho, embora Deus lhe tivesse dito que de Isaque dependia a sua descendência. Ele concluiu que, se Isaque morresse, Deus tinha poder para trazê-lo de volta à vida, e em certo sentido recebeu seu filho de volta dos mortos. (Hebreus 11:17-19)
Quando a Bíblia fala de fé, ela conta atitudes: Abraão oferecendo o filho, Isaque e Jacó abençoando os filhos, os pais de Moisés escondendo o menino sem medo do decreto do rei, e Moisés preferindo sofrer com o povo de Deus a aproveitar os prazeres passageiros do Egito (Hebreus 11:20-26). Eles não acordaram decididos a ser grandes heróis. Diante de uma situação, agiram com fé. O pastor perguntou qual recorte da nossa vida em 2023 poderia ser escrito assim: pela fé, eu me posicionei e vi Deus agir na minha casa. E alertou que às vezes o que transborda do coração é só crítica e reclamação.
Estamos numa guerra espiritual
A Palavra é uma espada, e foi com ela que Jesus venceu a tentação no deserto. Mas nem sempre basta a espada: às vezes é preciso levantar o escudo para se defender. Davi foi ungido rei quando ninguém sabia que ele existia, e uma das suas primeiras atitudes foi levar comida aos irmãos na guerra. Encontrou o exército de Israel com medo e disse a Golias que ia contra ele em nome do Senhor dos Exércitos (1 Samuel 17:45). Davi era um homem segundo o coração de Deus porque sabia quem era o seu Deus. E a notícia é esta: nós vamos ser atacados.
Sejam fortes no Senhor e em seu grande poder. Vistam toda a armadura de Deus, para que possam permanecer firmes contra as estratégias do diabo. Pois nós não lutamos contra inimigos de carne e sangue, mas contra governantes e autoridades do mundo invisível, contra grandes poderes neste mundo de trevas e contra espíritos malignos nas esferas celestiais. (Efésios 6:10-12)
A nossa luta não é contra a pessoa ao nosso lado, é contra Satanás. As emoções podem dizer o contrário, mas fé não é emoção. Paulo manda vestir a armadura para resistir no tempo mau e, depois da batalha, continuar de pé e firmes. Jesus vem buscar os que permaneceram firmes, e não basta ter feito coisas em nome dele (Mateus 7:22-23). E diz: em todas as situações, levantem o escudo da fé para deter as flechas de fogo do maligno (Efésios 6:16).
As flechas de fogo
Na época de Paulo, as flechas levavam material inflamável e eram acesas antes de serem atiradas. Elas não explodiam ao acertar: iam queimando. É assim que Satanás costuma agir, com pequenas chamas lançadas na cabeça. Um pensamento, uma frase de alguém, às vezes de dentro de casa, dizendo que você não vale nada ou que não vai conseguir buscar a Deus. Parece pouco, mas quando se percebe, o fogo já tomou tudo. Para a situação caótica até quem não conhece a Deus clama. Para essas pequenas estratégias, precisamos estar atentos. A igreja viu imagens dos escudos romanos, com mais de um metro, e da formação em que os soldados se fechavam juntos, chamada de tartaruga. Os historiadores contam que voltar da guerra sem o escudo era motivo de vergonha.
Como usar o escudo
- Mantenha a posição. Não deixe a fé em casa nem dê bobeira na batalha. Quando Pedro tentou desviar Jesus da cruz, Jesus rejeitou na hora: para trás de mim, Satanás (Mateus 16:22-23). A mentira precisa ser repreendida no momento em que chega: eu não sou o que está sendo dito, eu sou filho de Deus.
- Fique junto do pelotão. A fé vem pelo ouvir (Romanos 10:17), e a armadilha mais usada contra nós é o isolamento: ninguém sente a minha falta, vou ficar em casa. Em quinze anos com Jesus, o pastor viu quem foi por esse caminho abandonar a fé. Não deixemos de nos reunir, e encorajemos uns aos outros (Hebreus 10:25). Sozinho é mais fácil ser capturado.
- Avance com a certeza de que está agarrado à Palavra do Senhor. O soldado de Cristo não leva o próprio nome, leva a bandeira de Jesus, que se entregou por amor, morreu e ressuscitou. Não avançamos só para pagar contas ou ter uma vida bacana, mas para levar o evangelho, que é poder para libertar.
O pastor contou da mãe de um antigo colega de trabalho, com marcas nos joelhos de tanto orar: foram vinte anos de oração todas as noites, e hoje o filho é um homem de Deus. Deus não nos chamou só para fazer culto ou ser crente de foto bonita, mas para resgatar vidas. E o escudo não depende das nossas forças: fazemos a nossa parte, mas há um favor dos céus sobre quem vive pela fé. Mesmo que pareça que Jesus está dormindo no barco, na hora certa Ele dá uma voz de comando para a tempestade.
Na oração final, o pastor orou para que toda flecha que estava queimando fosse apagada, e para que a igreja tivesse sabedoria para usar o escudo da fé no dia a dia, sem deixá-lo em casa, para avançar e resgatar vidas, porque em Cristo somos mais do que vencedores. Antes de encerrar, leu Apocalipse 19:11-16, o cavaleiro chamado Fiel e Verdadeiro, cujo nome é a Palavra de Deus, Rei dos reis e Senhor dos senhores. Jesus não é uma filosofia nem uma historinha. Ter fé não é positivismo nem acreditar que vai dar certo: é se agarrar à Palavra de Deus e avançar.
Esta ministração foi parte do culto de 19 de setembro de 2023. Assista ao culto completo.