Série Jejum de Pentecostes 2026
Arrependimento, o caminho de Pentecostes
No domingo que abriu os 21 dias de jejum até Pentecostes, o Pr. Cesinha Sitta mostrou que, assim como Eliseu seguiu Elias de Gilgal até o Jordão, só prova Pentecostes quem persevera. O Espírito Santo agora habita em nós, mas o pecado faz separação, e o caminho é um arrependimento genuíno que volta ao início: matar a carne, buscar intimidade com Deus, enfrentar a batalha espiritual e se render por inteiro. Ele chamou a igreja a simplificar a vida e a firmar diante de Deus o seu voto de jejum para os 21 dias.
No domingo que abriu o jejum de 2026, a Comunidade Cristã Zoe Maringá recebeu o Pr. Cesinha Sitta. Os 21 dias de jejum começaram no dia seguinte e seguiram até o domingo de Pentecostes, 24 de maio, e esta foi a primeira mensagem da série pregada em toda a rede Zoe nesse período. O pastor lembrou que a ênfase da igreja tem sido a oração e a paixão pela presença do Senhor, e que Pentecostes marca o momento em que o Espírito Santo deixa de só nos visitar e passa a habitar em nós. Ele contou que já tinha combinado em casa o jejum de cada um e os propósitos da família para esses dias, e que espera 21 dias de muita manifestação de Deus.
Sucedeu, pois, que, havendo o Senhor de elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu com Eliseu de Gilgal. (2 Reis 2:1)
De Gilgal ao Jordão
Em 2 Reis 2, Eliseu segue Elias sem largá-lo. Os dois passam por Gilgal, Betel, Jericó e, por último, pelo Jordão. Em cada lugar Elias insiste para Eliseu ficar, e ele não fica. No Jordão o rio se abre, o manto cai, vem o fogo e o céu se move sobre a vida deles. Poderíamos chamar isso de um Pentecostes. Os lugares mostram um processo pelo qual passamos para viver Pentecostes todos os dias. Pentecostes é fruto na vida de quem aprendeu a perseverar. Por isso Pedro manda acrescentar à fé a perseverança (2 Pedro 1:5-6): é possível crer e mesmo assim desistir. Mais de quinhentos irmãos viram Jesus ressuscitado (1 Coríntios 15:6), mas no cenáculo eram cento e vinte (Atos 1:15). Muito mais gente para pelo caminho do que prova Pentecostes.
Cinquenta dias depois da Páscoa
Pentecostes significa cinquenta dias: cinquenta dias depois da Páscoa, os discípulos estavam reunidos e o Espírito Santo veio habitar neles. A festa já existia no Antigo Testamento e falava de colheita. Era a festa das primícias. O pastor traçou um paralelo com o Sinai. Cinquenta dias depois da primeira Páscoa, Moisés subiu o monte, e o povo, embaixo, não conseguiu esperar e fez um bezerro de ouro (Êxodo 32). Ali foi a lei que julgou, e três mil pessoas morreram. Em Atos 2, cento e vinte esperaram e receberam o Espírito Santo, que regenerou, e três mil pessoas foram salvas. Por isso ele profetizou sobre a igreja e sobre cada casa uma grande colheita.
Os profetas, como Joel (Joel 2:28), desejaram ver o dia em que o Espírito seria derramado sobre toda carne. Nós vivemos o que eles esperaram. E em Atos 4 o lugar treme de novo e todos são cheios do Espírito Santo. Não é um segundo Pentecostes: é a prova de que podemos provar Pentecostes todos os dias, não só no mês de maio. O período do jejum foi dividido em três semanas, com temas como paixão e unção, discipulado e propósito, e a primeira semana é sobre consagração e arrependimento. Esse é o pré-requisito, porque o Espírito é santo, e ele habita e se move em quem busca viver de modo santo.
O privilégio da presença
Antes de falar de arrependimento, o pastor falou do privilégio da presença. O melhor da vida com Deus é o próprio Deus. Ele contou de um senhor que vende algodão doce na cidade e é líder de célula na igreja dele: nunca lhe pediu uma música nem uma pregação, mas pediu oração pela filha doente. Até quem diz que não acredita em nada, quando a coisa aperta, pede ao cristão que ore. O mundo reconhece que nós carregamos a presença. Ele contou ter ouvido que a frase mais repetida da Bíblia é eu serei o seu Deus e vocês serão o meu povo. Jesus veio com o nome Emanuel, Deus conosco, e na despedida prometeu estar conosco todos os dias (Mateus 28:20).
No Antigo Testamento tínhamos Deus agindo por nós. Em Cristo, Deus conosco. Quando Jesus foi embora, veio o Espírito Santo (João 16:7), e agora é Deus em nós e Deus através de nós. Vivemos a estação mais privilegiada da história, e isso é Pentecostes. Essa presença santa e doce não vai embora na segunda-feira, quando o domingo acaba. Ela está dentro de nós.
O pecado faz separação
Por maior que seja esse privilégio, Isaías avisa que a mão do Senhor não está encolhida nem o seu ouvido surdo, mas as nossas iniquidades fazem separação entre nós e Deus (Isaías 59:1-2). Quando pecamos, magoamos um amigo santo que está conosco. O pastor citou o autor John Piper: o pecado escondido, cometido quando ninguém está olhando, é negar que a presença de Deus estava ali o tempo todo. Ele também contou de um pastor com 62 anos de ministério que lhe disse que ainda pode falhar na próxima esquina. Se o pecado nos separa da presença, a solução está numa vida de arrependimento genuíno.
Arrependimento todos os dias
Costumamos tratar o arrependimento como assunto da conversão, mas ele é tema central do Evangelho. A mensagem de João Batista foi arrependei-vos (Mateus 3:2). A primeira mensagem de Jesus foi a mesma (Mateus 4:17). E no dia de Pentecostes, com todos cheios do Espírito, Pedro pregou de novo: arrependei-vos (Atos 2:38). Nós somos os João Batistas da nossa geração, preparando o caminho para a volta de Cristo, e a mensagem que vivemos deveria ser a mesma. Arrependimento não é só o começo da história. É de novo e de novo, um estilo de vida que nos leva a provar cada vez mais da presença de Deus.
Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. (2 Coríntios 7:10)
Arrependimento não é choro, não é remorso, não é frequência na igreja, não é culpa nem discurso. Nem mudança de comportamento prova arrependimento, porque mudar o comportamento não é mudar o coração. João Batista pediu frutos dignos de arrependimento (Mateus 3:8), e Paulo lista esses frutos em 2 Coríntios 7:11: cuidado, defesa, indignação, temor, zelo, vingança. Quem se arrepende de fato não só para de mentir, passa a falar a verdade, e quem roubava passa a ser generoso (Efésios 4). Por isso tanta gente que passou por crise no casamento hoje ajuda outros casais. Arrependimento genuíno levanta muros e se vinga do pecado: nunca mais nessa área.
Voltar ao início
Para os judeus, arrependimento é teshuvá, a volta à origem. É como formatar um celular que vive travando. Travei de novo: perdi a paciência no trânsito, fui grosseiro em casa, não consegui jejuar nem seis horas. Arrependimento não é tentar mais uma vez do mesmo jeito. É parar e voltar ao ponto original. Foi a conversa de Jesus com Nicodemos, que queria adequar o Evangelho à própria vida: é necessário nascer de novo (João 3). O pastor resumiu numa palavra, simplificação. Às vezes a máquina trava porque carregamos peso, culpa e embaraços que nem deviam estar mais na nossa vida. O convite é voltar ao início, quando éramos mais simples, quando a presença dele bastava e era só sobre ele.
Gilgal, o lugar de matar a carne
Então o pastor voltou aos quatro lugares do caminho de Eliseu. Quem quer viver Pentecostes vai primeiro a Gilgal, o lugar em que matamos a nossa carne. O nome fala de rolar para fora, afastar: ali o Senhor tira de nós o pecado, confessamos e abrimos mão. Não dá para dizer que Deus nos fez assim e que ninguém resiste. Ele contou da notícia triste, recebida de madrugada, de um colega de ministério que cedeu à carne, e lembrou que todo crente foi chamado a negar a si mesmo. E não só nas coisas grandes. Deus se importa com os detalhes: nem uma unha ficará para trás (Êxodo 10:26), uma mosca morta estraga o perfume (Eclesiastes 10:1), e Jesus cuidou até da poeira dos pés dos discípulos (João 13).
Ele contou que, em casa, ele e a esposa perceberam que a conversa deles estava ficando crítica demais e fizeram o propósito de só ter palavras boas. É desafiador, porque quem não ajusta as coisas pequenas acaba negociando coisas maiores depois. O Evangelho não é lugar de conforto, é lugar de confronto. As raposas têm covis e as aves têm ninhos, mas o Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça (Mateus 8:20). É uma vida que vale a pena, mas que pede renúncia.
Betel e Jericó
Depois vem Betel, o lugar do encontro e do relacionamento contínuo com Deus. Foi ali que Jacó disse que o Senhor estava naquele lugar e ele não sabia (Gênesis 28:16). Em Betel os olhos se abrem e percebemos que dá para ter intimidade com Deus em todo lugar, até dirigindo. O pastor riu de si mesmo ao contar que, orando no vestiário antes de um jogo de futebol, respondeu a um colega em línguas. Não dá para viver Pentecostes sem essa relação profunda com Jesus.
Em seguida vem Jericó, o lugar da batalha espiritual. A nossa guerra não é contra pessoas nem contra instituições, mas contra principados e potestades (Efésios 6:12). Ele contou uma cena do começo do ministério, há uns vinte anos: um pastor orou por uma irmã de oração, querida e aparentemente tranquila, e ela manifestou um demônio. Depois de liberta, ela contou que uma ofensa profunda tinha entrado no coração dela, e que desde aquele dia vivia com medo da morte e com um problema no coração, que foi embora com a libertação. Ele deixou claro que não é uma regra, mas a prova de que a batalha espiritual existe. Quem decide jejuar, abrir mão de uma refeição ou das redes sociais vai enfrentar lutas nesta semana, e é bom não estranhar.
O Jordão e a rendição total
Todos queremos colheita, dons, fogo e curas. A pergunta é quem quer começar em Gilgal, passar pelo quarto secreto de Betel e enfrentar Jericó. Quanto tempo gastamos nas redes sociais e com coisas supérfluas, e quanto tempo no lugar secreto com o Senhor? Por último vem o Jordão, o lugar do sobrenatural, onde Jesus foi batizado. É o lugar de quem se abaixa e se rende por inteiro: já matei a minha carne, descobri que preciso de intimidade e oração, entendi que a vida natural é reflexo da sobrenatural, e agora me dobro e digo faz em mim a tua vontade. Isso é uma vida de arrependimento genuíno, a simplificação. Quatro lugares, até que ele venha.
Simplificar a vida
Com a igreja de pé, o pastor conduziu um tempo de oração e confissão: Jesus, me perdoa porque eu sou complicado. Ficamos presos a coisas do passado que já passaram, quando Deus já nos deu coisas maiores desde então. Santidade tem a ver com simplificação, com se livrar de peso, de pecado e de embaraços. Ele chamou a igreja a dar nome de pecado à ansiedade e à preguiça (Provérbios 6:6) e a ser simples como as pombas (Mateus 10:16). Muitas vezes vamos ao culto com mil perguntas sobre o almoço, o trabalho e o dinheiro, e isso rouba a paz e a presença. O melhor da vida com Deus é ele mesmo. No cenáculo, os discípulos ficaram livres das preocupações de fora, oraram e esperaram até que veio a manifestação do céu, e o pastor profetizou uma manifestação maior e mais intensa nestes dias.
Os simples são os que terminam a corrida. Há gente boa, que prega bem e tem muitos dons, mas que se complicou correndo atrás de perguntas que não são centrais. O resumo é amar a Deus sobre todas as coisas, amar o irmão, viver em oração e na expectativa da volta de Jesus. O resto orbita em torno do que é central, que é Cristo. Quando o Espírito Santo vem sobre nós, um dos propósitos dele é nos carregar até o fim. Ele é o selo e o penhor (Efésios 1:13-14), e está em nós para nos levar a um lugar de simplicidade e leveza.
Um voto diante de Deus
Por fim, ele pediu que cada um fizesse o seu voto para os 21 dias, não diante do pastor, mas diante de Deus, porque é dele que vem a recompensa. Contou os propósitos da casa dele, só para inspirar: períodos de jejum, menos açúcar e televisão para as crianças, e um tempo fora das redes sociais. E pediu objetividade. Quem diz só que vai orar, sem dizer quando, nunca ora. Tirar pelo menos uma refeição por dia e, quem já jejuou antes, ir um pouco além do que já fez. Na oração final, ele lembrou que não estamos barganhando com Deus: o que queremos é mais da presença dele. Orou por um tempo de jejum coletivo em toda a rede Zoe, que leve ao quebrantamento e a um arrependimento genuíno, e encerrou com a bênção do amor do Pai, da graça do Filho e da comunhão do Espírito Santo, o grande presente de Pentecostes.
Esta ministração foi parte do culto de 3 de maio de 2026. Assista ao culto completo.