Um coração de boa terra
Na parábola do semeador, Jesus mostra que a mesma semente cai em corações diferentes: o que não entende, o que não tem raiz, o que se sufoca de preocupações e o que dá fruto. O Pr. Vitor Coutinho olhou para Calebe, que perseverou em seguir o Senhor por 45 anos, e chamou a igreja a tirar os olhos dos reinos desta terra e ser solo preparado para o que Deus quer fazer.
A Palavra foi trazida pelo Pr. Vitor Coutinho, a partir da explicação que Jesus dá para a parábola do semeador, em Mateus 13. O semeador lança a mesma semente em todo lugar, e Jesus explica os tipos de solo que a recebem. Cada solo é um tipo de coração.
Quando alguém ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o Maligno e arranca o que foi semeado no seu coração. Esse é o que foi semeado à beira do caminho. (Mateus 13:19)
Precisamos entender a Palavra
O primeiro coração é o de quem ouve e não entende. Quando isso acontece, o inimigo vem rápido e rouba o que foi lançado, e a semente não produz nada. Experiências com Deus são muito boas, cultos em que choramos e sentimos a presença de Jesus também. Mas Jesus é claro: se não entende, não frutifica. O apóstolo Pedro diz que precisamos saber explicar a razão da nossa fé (1 Pedro 3:15). O pastor lembrou do pitch de elevador do mundo dos negócios, explicar em um minuto o que você faz, e perguntou se sabemos dizer com clareza aquilo em que cremos.
Ninguém é enganado porque pediu. Na maioria das vezes, o engano vem da falta de conhecimento. Logo depois da ascensão de Jesus já havia crenças e teorias rondando o povo de Deus, e Judas escreve exortando a igreja a batalhar pela fé entregue aos santos de uma vez por todas, porque certos homens tinham se infiltrado sem ser notados (Judas 3-4). É o sincretismo: misturar um pouco do que eu gosto, um pouco do que faz sentido, um pouco do que dá engajamento, como o prato feito com as sobras da geladeira, e chamar isso de cristianismo.
Tirar as pedras do caminho de alguém
O terreno pedregoso é o de quem recebe a Palavra com alegria, mas não tem raiz. Quando vem a tribulação ou a perseguição por causa da Palavra, logo desiste. A pessoa disse que Deus é real, começou a deixar o pecado, foi perseguida e voltou atrás.
Por isso, quem já permanece há um tempo precisa se levantar como responsável pela próxima geração de cristãos. Saber que somos responsáveis e agir como responsáveis são coisas completamente diferentes, assim como ser pai e ser um pai responsável. Somos chamados a ajudar a tirar as pedras do coração de quem está bem pertinho de nós.
Os espinhos das preocupações
O terceiro solo tem espinhos: é quem ouve a Palavra, mas as preocupações desta vida e o engano das riquezas a sufocam, e ela fica infrutífera (Mateus 13:22). Não dá para mexer em espinho sem se ferir. Quem tira os espinhos é o agricultor, e é pela Palavra que Ele vai nos santificando. O pastor disse que tem percebido muitos de nós preocupados, com a cabeça longe, no almoço, no trabalho, na família, em mil coisas, e essas preocupações impedem que a Palavra seja absorvida e que a gente frutifique em todos os aspectos da vida espiritual.
Esperando o reino errado
João Batista preparou o caminho para Jesus, foi preso por confrontar o pecado de gente poderosa e, da prisão, mandou os discípulos perguntarem se Jesus era mesmo aquele que havia de vir (Mateus 11:2-6). Jesus não respondeu com argumentos: curou os enfermos, purificou os leprosos, libertou os oprimidos e mandou contar o que tinham visto. Muitos esperavam um Messias que reconstruísse Jerusalém e libertasse o povo politicamente, depois de séculos de exílio e domínio estrangeiro.
O pastor confessou que não consegue entender uma igreja que coloca a esperança em quem vai governar, como se esse fosse o centro de tudo. Há irmãos na Coreia do Norte que pagam com a vida por serem crentes, e esse é o cristianismo deles. A mensagem de Jesus é arrependei-vos, porque o Reino dos céus chegou. No Reino as coisas estão em ordem: em João 6, Jesus multiplica pães, anda sobre as águas e diz que Ele é o verdadeiro alimento. Nascemos com fome e sede de algo eterno, que só se sacia em Jesus, e a criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8:19). Nós somos a resposta de Deus para esta geração: na internet, no mundo corporativo, nos hospitais e nas escolas. Deus não vai mandar um anjo nem outro salvador, porque já enviou Jesus, e Ele nos deu autoridade e uma missão que não dá para terceirizar. Tínhamos como única herança a morte eterna, e agora somos herdeiros de Deus.
Calebe perseverou em seguir o Senhor
Em Josué 14, Calebe lembra a Josué o dia em que Moisés o enviou, com 40 anos, para espiar a terra. Ele trouxe um relatório sincero, enquanto os outros espias fizeram o coração do povo derreter de medo. Calebe perseverou em seguir o Senhor. Quarenta e cinco anos depois, com 85 anos, ele diz que continua tão forte quanto naquele dia e pede o monte que Deus lhe havia prometido, mesmo sendo terra de gigantes e de cidades fortificadas.
Dos doze espias, dez foram pessimistas diante de uma promessa de Deus, e a Bíblia conta que morreram de uma praga (Números 14:36-38). Só Josué e Calebe confiaram. Calebe atravessou o Jordão que parou para o povo passar, e por 45 anos esperou o dia da promessa. Todos enfrentamos lutas, dúvidas e uma rotina pesada. Quando vivemos o propósito juntos, a caminhada fica mais leve, e o Senhor vai tirando os espinhos da nossa vida.
A fidelidade deixa herança
Não podemos esquecer a nossa identidade. Num tempo de tanta informação, começamos a acreditar em coisas que deixam Jesus fora do centro, o arrependimento de lado e a santificação sem valor. Quando Josué repartiu a terra, Calebe pôde dizer qual era a sua parte, porque tinha vivido com Deus algo que os outros não viveram. Seguir o Senhor de todo o coração passa para a próxima geração. O pastor resumiu:
- Ser fiel ao Senhor traz força sobrenatural em tempos difíceis.
- Ser fiel ao Senhor mantém a nossa casa sobre a rocha firme, independente do que aconteça na nação.
- Ser fiel ao Senhor dá alegria para viver o chamado, porque estamos de passagem aqui.
Deus quer fazer algo poderoso, mas a semente precisa de solo preparado. O pastor perguntou se estamos com os dez espias ou com Calebe, e se temos nos parecido com os que só se preocupam com o que comer, beber e vestir (Mateus 6:31-32). Muitas vezes olhamos o cisco no olho do outro sem ver a trave no nosso (Mateus 7:3), enquanto a missão de cuidar de alguém e ganhar almas fica esquecida. Na oração final, a igreja pediu um coração como o de Calebe, que deseje as coisas eternas e viva o céu na terra, com o Senhor como a luz que mostra o caminho.
Esta ministração foi parte do culto de 4 de outubro de 2026. Assista ao culto completo.