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Série Mesa

Transformação na mesa

Pra. Jéssica Coutinho, 25 de setembro de 2022, João 13:21-38

Na segunda mensagem da série Mesa, a Pra. Jéssica Coutinho mostrou que, à mesa com Jesus, o coração é revelado. Judas, Pedro e João estavam na última ceia: um saiu e traiu, outro negou e foi restaurado em outra mesa, e o terceiro aprendeu a amar como Jesus amou. Todos são chamados para essa mesa, mas só é transformado quem abre o coração.

No segundo domingo da série Mesa, a Pra. Jéssica Coutinho retomou o que foi pregado na semana anterior: a mesa é lugar de comunhão e de ajuntamento, e Jesus nos convida, como convidados especiais, a nos assentarmos com Ele. Desta vez a pergunta foi o que acontece nessa mesa. Ela contou que esta é uma das mensagens de que mais gosta, que veio dos seus momentos no secreto com o Senhor, e que era a primeira vez que a ministrava. O texto foi João 13, a última ceia de Jesus com os discípulos antes da cruz.

Depois de dizer isso, Jesus perturbou-se em espírito e declarou: Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá. Seus discípulos olharam uns para os outros, sem saber a quem ele se referia. (João 13:21-22)

Na mesa, o coração é revelado

Naquela ceia, o Senhor revelou o coração de alguns dos doze. É assim também conosco: quando estamos em comunhão com Jesus, o nosso coração aparece. Nada fica escondido diante de Deus, e Ele pode usar um líder ou um pastor para trazer à luz o que está guardado dentro de nós. A pastora contou que já teve um coração obstinado e que Deus usou a sua pastora para mostrar isso a ela, para que mudasse. Foi o que vimos no domingo anterior: Jesus corrige a quem ama, e por isso está à porta e bate.

Muitos são chamados, nem todos são transformados

O culto também é uma mesa, e a Palavra de Deus é um banquete. Podemos chegar de um jeito e sair de outro, ou sair exatamente do mesmo jeito. A Palavra não volta vazia, e o Senhor já está fazendo a parte dele, mas depende de nós abrir o coração. Muitos são chamados, mesmo sendo indignos, e nem todos aceitam o convite. Tiago nos manda não sermos apenas ouvintes da Palavra, mas praticantes (Tiago 1:22). Naquela ceia, Jesus partiu o pão e deu o vinho, falando do seu corpo entregue e do seu sangue que purifica, e os discípulos não entenderam nada. Por isso Ele prometeu o Espírito Santo, que daria testemunho dele (João 15:26). Sem o Espírito nos convencer, podemos estar em todos os cultos e continuar sem entender a Palavra.

Saber muito não basta. Jesus chamou os fariseus de hipócritas porque falavam muito e viviam o contrário, e disse aos discípulos que fizessem o que eles ensinavam, mas não o que eles faziam (Mateus 23:3). Gente de verdade vive o que fala. À mesa com Jesus falamos de quem Ele é para nós, de quem somos nele e do que Ele faz por meio de nós. E à mesa todos estão no mesmo campo de visão, todos iguais, porque no Reino não há favoritismo nem acepção de pessoas. Mas é quando nos levantamos da mesa que se revela quem somos de verdade. A pastora falou de três pessoas que estavam ali.

Judas: sabia quem Jesus era, mas o coração não era dele

Judas foi chamado por Jesus como os outros e andou com Ele por cerca de três anos. Viu milagres, ouviu a Palavra e conhecia o propósito de Jesus na terra. Ele cuidava do dinheiro do grupo. Na opinião da pastora, o único caminho para alguém assim trair Jesus é que o coração dele não estava em Jesus, e sim nas suas próprias coisas, talvez no dinheiro. Quando Jesus deu a ele o pedaço de pão molhado, Satanás entrou nele por uma brecha que já existia, e Judas saiu da mesa. E era noite.

Por trinta moedas de prata (Mateus 26:15), Judas não vendeu a si mesmo: vendeu uma informação, quem Jesus era e onde Ele estava. E só sabe disso quem caminha com Ele. Judas levou os perseguidores ao lugar onde Jesus se reunia com os discípulos (João 18:2). Nem todo mundo que caminha com Jesus e sabe onde Ele está pertence a Ele. A pastora confessou o temor de, por muito menos que trinta moedas, sair da mesa e trair Jesus. O primeiro conselho foi vigiar: ver se o coração está mesmo em Jesus, porque são as pequenas coisas do dia a dia que revelam a quem pertencemos.

Pedro: negou, mas recebeu outra mesa

Pedro deixou tudo quando Jesus o chamou para ser pescador de homens. Andou sobre as águas, estava entre os três mais próximos, viu a transfiguração e, quando muitos abandonaram Jesus, disse: para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna (João 6:68). Na ceia, prometeu ir aonde Jesus fosse e dar a vida por Ele, e ouviu que o negaria três vezes antes de o galo cantar. Depois da terceira negação, Jesus olhou para ele (Lucas 22:61). Diferente de Judas, Pedro saiu e caiu em si: não era quem achava que era.

Mas Pedro teve uma segunda chance, como nós. Depois da ressurreição, à beira do mar, houve outra refeição, e Jesus perguntou três vezes: Pedro, tu me amas? E disse: apascenta as minhas ovelhas (João 21:15-17). Negamos o nosso amor por Jesus toda vez que negligenciamos uma ovelha dele, e toda pessoa é uma possível ovelha de Cristo. Aquele tempo de mesa transformou Pedro para sempre. A tradição conta que ele pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por não se achar digno de morrer como o seu Mestre. Cheio do Espírito Santo, pregou e muitos se converteram, e nunca mais negou Jesus, nem na perseguição, nem por aprovação de ninguém, porque agora o coração dele pertencia a Jesus.

João: o discípulo amado

João chamava a si mesmo de o discípulo a quem Jesus amava. Era provavelmente um dos mais jovens, com um temperamento forte, um dos filhos do trovão (Marcos 3:17). Mas entendeu quem Jesus era e quem ele era em Jesus, e teve a identidade restaurada. Na ceia, estava reclinado junto a Jesus, só aproveitando aquele tempo de mesa. Depois que Judas saiu, é João quem registra os ensinos preciosos daquela noite: a videira verdadeira, os discípulos chamados de amigos e não mais de servos (João 15), e a oração de Jesus por eles, que estão no mundo, mas não são do mundo (João 17). Na crucificação, mesmo com medo, João ficou aos pés da cruz (João 19:26). Depois foi um dos que mais evangelizaram e recebeu a revelação do Apocalipse. Ele saía da mesa e voltava para ela, e ia sendo transformado.

Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele: aquele que afirma que permanece nele deve andar como ele andou. (1 João 2:3-6)

Naquela ceia, Jesus deu um novo mandamento: amem-se uns aos outros como eu os amei (João 13:34-35). Amar o próximo já estava na Lei (Levítico 19:18). O novo era amar como Jesus amou, dando a vida, com sacrifício. João entendeu e cumpriu essa palavra, e testemunha nas suas cartas que amou como Jesus amava. À mesa houve transformação na vida dele.

O que a mesa tem feito em nós?

Só uma coisa faz os incrédulos crerem, sejam da família, dos amigos ou do trabalho: o amor. A pastora chamou cada um a uma análise pessoal: as palavras que saem da boca de Jesus nesses tempos de mesa estão nos transformando? Ele tem sido suficiente? Ela orou como o salmista, pedindo que o Espírito Santo sonde o nosso coração e veja se há em nós algum caminho mau (Salmo 139:23-24). Não queremos uma vida falsa com Jesus, como a de Judas, nem negar a sua presença quando estamos tristes, frustrados ou indignados. Ela levou a igreja a pedir perdão e a dizer: quero ser transformado neste ambiente de mesa.

Ela pediu que a igreja meditasse nessa palavra durante a semana, para participar dignamente do banquete do Senhor no domingo seguinte. E encorajou cada um a nunca negligenciar o secreto: toda vez que sairmos da mesa, que possamos ir ao quarto e ter um tempo a sós com Jesus, porque é nesse lugar de intimidade que o Senhor transforma a nossa vida.

Esta ministração foi parte do culto de 25 de setembro de 2022. Assista ao culto completo.