O Evangelho custou tudo
No encerramento do Mês da Família e dos 21 dias de jejum, o Pr. Vitor Coutinho lembrou que Deus sempre pediu uma coisa só à família de Jesus: ser o único Pai dela. A desobediência custou o sangue do próprio Filho, e por isso o Evangelho não pode virar festa nem negócio. O convite foi ao arrependimento, a uma vida devota depois do jejum e a consagrar de novo a vida a quem é dono dela.
No domingo de encerramento do Mês da Família e dos 21 dias de jejum, a Palavra foi trazida pelo Pr. Vitor Coutinho. Ele lembrou dos amigos que ministraram nas semanas anteriores e explicou por que fazemos esse mês todos os anos. É como o aviso no elevador, que manda verificar se ele está parado no andar antes de entrar: parece óbvio, mas se existe o aviso, existe uma história por trás. A família é um desses temas que não podemos deixar passar. A mensagem passou por Oseias, Gênesis 3, Lamentações 2 e Hebreus 10.
Não esquece de mim
O pastor contou que, numa tarde em que precisava sair para trabalhar, a filha mais velha não queria deixá-lo ir. Quando ele finalmente fechou o portão, ela ficou ali e disse: tchau, não esquece de mim. Aquilo mexeu com ele o dia inteiro, e ele começou a imaginar o pior. Conversando com a irmã, que é psicóloga, falaram da dor de perder um filho, uma dor tão grande que nem tem nome. Quem perde o cônjuge é viúvo, quem perde os pais é órfão, mas não há palavra para quem perde um filho. Depois ele entendeu que o Senhor estava lhe mostrando o que é o amor de um pai por um filho.
A família de Jesus começa num impossível
A Bíblia é a história da família de Jesus. Na nossa igreja, quem tem mais de dois anos de caminhada já deveria saber abrir a Bíblia sem procurar no índice, porque uma vida sem jejum, sem a Palavra e sem comunhão com Deus não é vida cristã. Essa família começa em Abraão, um homem velho e sem filhos, casado com uma mulher que não podia ter filhos. A família de Jesus começa dependendo de um milagre. Havia uma promessa, e ela se cumpriu. Se existe uma promessa de Deus sobre a sua família, ela vai acontecer. Não sabemos quando nem como, e não é o nosso esforço que faz a igreja avançar: o segredo da vida cristã é ser achado fiel.
O Evangelho não muda
O pastor avisou que a Palavra não seria tão animadora. Ele não estava irritado, mas incomodado: estamos nos acostumando com coisas com que Jesus não se acostumou. A igreja não é um centro de eventos. Jesus virou as mesas de quem vendia sacrifícios na entrada do templo. Não podemos aceitar um evangelho que só emociona e faz a pessoa achar que pode tudo, porque fomos chamados a morrer para nós mesmos. Em Oseias 11:1, Deus chama Israel de filho. E em João 14:15, Jesus diz que quem o ama obedece aos seus mandamentos. Cantar, erguer as mãos, chorar ou se arrepiar não significa nada se não há obediência.
Uma geração sem referência de pai
O inimigo é um estrategista. Nos anos 60 surgiu nos Estados Unidos o movimento de contracultura conhecido como paz e amor, com três ideias: rejeitar as regras, liberdade sexual e paz e amor. Duas ou três gerações depois, temos os maiores índices de divórcio e de filhos que não conhecem os pais. Hoje, no discipulado, encontramos homens e mulheres sem referência de pai. Antes de dizer a alguém que Deus é um bom pai, muitas vezes é preciso tratar a paternidade que essa pessoa não teve. E o mais difícil é ser pai sem ter tido um. O pastor deixou claro que não falava de culpa, e sim de estratégia, e que o Senhor pode curar essa ferida.
Deixem eu ser o pai de vocês
O Antigo Testamento cabe numa frase: Deus pedia à família de Jesus que não tivesse outro deus. Deixem eu cuidar de vocês, proteger e prover. A tarefa de vocês é só confiar em mim. O pastor contou que a filha assistiu escondida a vídeos que não estavam liberados e que ele avisou que aquela era a última chance. Deus também foi dando chances, mandando profetas, até que deixou o povo à própria sorte. O reino do norte, com a capital em Samaria, foi destruído por volta de 722 a.C., e depois Jerusalém também caiu. Deus não muda. Imagine o coração do Pai tendo que agir assim com aquele povo que ele chamou de filho.
Custou o sangue do Filho
Em Gênesis 3:15, depois da queda, Deus promete um descendente da mulher que esmagaria a cabeça da serpente: a promessa do Redentor. No versículo 21, Deus faz roupas de pele para o homem e a mulher. Para isso foi preciso matar um animal, e ali acontece o primeiro sacrifício de sangue por causa do pecado, já apontando para Jesus. A desobediência custou caro, porque Deus abomina o pecado como a água rejeita o óleo. E não custou só o sangue de um animal, custou o sangue do próprio Filho, que nunca errou. Se só imaginar uma tragédia estragou o dia do pastor, como deve ser entregar um filho em sacrifício? Esse é o Evangelho que pregamos.
Mesmo assim, estamos transformando o Evangelho num tudo posso, tudo consigo, como se as coisas dependessem da vibração de cada um. Muitos são levados por ventos de doutrina confortáveis. O acesso ao Pai custou tudo, e há quem pense que é uma festa ou um arrepio. Jejum é sobre arrependimento e mudança de vida, e o Senhor não virá buscar uma igreja de vestes sujas. Também não se trata de ir ao extremo dos fariseus, tão fanáticos pela letra que não reconheceram o autor da Palavra quando ele chegou.
As últimas chances
Em Oseias 5, Deus diz ao povo que ele o abandonou, se prostituiu e já não conhece o Senhor. Quando trouxeram sacrifícios, não o encontraram, porque ele tinha se afastado. Achamos que isso era só para aquela época, mas Deus não faz concessões agora porque temos Jesus. Em Lamentações 2, Jeremias chora sobre Jerusalém destruída: os muros derrubados, as crianças desfalecendo de fome nas ruas, uma tristeza sem fim.
Seus profetas anunciaram visões inúteis e mentirosas; não lhe mostraram seus pecados para salvá-la do exílio. Em vez disso, anunciaram mensagens enganosas e a encheram de falsa esperança. (Lamentações 2:14)
Em Hebreus 10, o mesmo texto que diz que podemos entrar com toda confiança no lugar santíssimo pelo sangue de Jesus continua com um alerta. É o mesmo Deus e o mesmo padrão. A diferença é que pregar sobre isso não dá engajamento nem curtida. Em Apocalipse 22:11-15, felizes são os que lavam as vestes, e do lado de fora ficam os que praticam o mal, inclusive quem acha que uma mentirinha não faz mal.
Se continuarmos a pecar deliberadamente depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não há sacrifício que cubra esses pecados. Resta apenas a terrível expectativa do julgamento e do fogo intenso que consumirá os inimigos. (Hebreus 10:26-27)
O pastor deixou claro que não falava de usos e costumes, de roupa ou jeito de falar. O Senhor nos chama de volta a uma devoção santa e a uma fome pela sua presença. Falamos muito da graça, mas ela só foi necessária porque houve desobediência. Ainda assim, a proposta de Deus nunca foi nos atacar com a sua ira: o ímpio deve abandonar o seu caminho e voltar para o Senhor (Isaías 55:7). Em Isaías 58, o jejum que Deus escolhe vem com mudança de atitude e prática da justiça, e então a luz rompe como a alvorada. Não existe Cristo e negócio, nem promessa de uma vida sempre bem-sucedida. Em Cristo, podemos nos arrepender e mudar de vida.
Três convites
- Arrepender-se: pedir ao Senhor mais fome da sua presença e voltar a se apaixonar por ele, porque o Reino dos céus é chegado.
- Manter-se depois do jejum: continuar numa vida devota a Jesus. Não é sobre ser membro desta ou daquela igreja. De que adianta demônios caírem com jejum e oração se a pessoa continua no caminho da perdição?
- Lembrar que a nossa vida e a nossa igreja têm um dono, e consagrar-se de novo a ele.
Antes da Santa Ceia e da entrega do jejum, o Pr. Vitor orou pedindo perdão por termos aceitado, e às vezes até tolerado, um evangelho mentiroso que levou muitos à condenação. Pediu que o Senhor nos transforme à imagem de Cristo, para vivermos como o Filho e termos intimidade com o Pai, reconhecendo que ele é Deus nas nossas vidas.
Esta ministração foi parte do culto de 6 de setembro de 2026. Assista ao culto completo.