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Filhos, não órfãos

Pra. Jéssica Coutinho, 13 de setembro de 2026, Lucas 15:11-32

Na parábola do filho pródigo, os dois filhos viviam como órfãos: o mais novo voltou pedindo para ser tratado como escravo, e o mais velho servia o pai sem conhecê-lo. A Pra. Jéssica Coutinho mostrou os sinais da orfandade e chamou a igreja a vencê-la, porque temos um Pai que nunca é indiferente a nós e só quem se torna filho pode ser pai e mãe de outros.

Com o Pr. Vitor Coutinho em viagem a trabalho, a Palavra foi trazida pela Pra. Jéssica Coutinho. Ela contou que o Senhor tem falado com ela sobre a parábola do filho pródigo e sobre o chamado para fazer discípulos de todas as nações (Mateus 28:19-20). Antes de fazer discípulos, precisamos ser formados como discípulos, e esse chamado é para todo aquele que se define como cristão. Numa semana com as mulheres, ela perguntou quem ali era discípula: algumas disseram que sim, outras que estavam tentando, outras que ainda tinham dúvida. É essencial ter certeza de quem somos. O tema da mensagem foi a paternidade: um Pai, que é Deus, e os filhos, que somos nós.

Jesus continuou: Um homem tinha dois filhos. O filho mais novo disse ao pai: Quero a minha parte da herança. E o pai dividiu seus bens entre os filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo arrumou suas coisas e se mudou para uma terra distante, onde desperdiçou tudo que tinha por viver de forma desregrada. (Lucas 15:11-13)

Uma parábola contada aos religiosos

As parábolas eram a forma de Jesus explicar como é o Reino de Deus, quem é Deus e como os filhos de Deus devem se comportar. Em Lucas 15, os cobradores de impostos e os pecadores se aproximavam para ouvir Jesus, e os fariseus o criticavam por comer com eles. Jesus não contou essa parábola para os pecadores. Ele a contou para os religiosos, gente que conhecia as Escrituras, assim como nós.

O filho que pediu a herança

Herança só se recebe depois que alguém morre. Ao pedir a sua parte, o filho mais novo disse ao pai, na prática, que preferia vê-lo morto, porque queria o que achava ser seu direito. Era a maior desonra que um filho podia fazer. Mesmo assim o pai repartiu os bens entre os dois. O filho mais velho também recebeu a sua parte e ficou calado: não repreendeu o irmão nem defendeu o pai. O mais novo foi para uma terra distante, longe da sua cultura, e gastou tudo de forma irresponsável. Veio a escassez, e ele passou fome. O problema não começou quando o dinheiro acabou, mas quando ele pediu a herança. Toda vida longe de Deus leva à miséria espiritual, a uma vida sem sentido e sem propósito. Foi ali que ele decidiu voltar e dizer: não sou digno de ser chamado seu filho, trate-me como um dos seus empregados.

O filho que nunca saiu de casa

O filho mais velho estava sempre com o pai, servindo, ajudando e obedecendo. Mas, quando o irmão voltou e houve festa, ele ficou indignado e não quis entrar em casa. Ele vivia uma vida performática: estava com o pai e não conhecia o pai. Os dois filhos se comportavam como órfãos. Um voltou pedindo para ser tratado como escravo. O outro não entendeu que era herdeiro de tudo. Órfão é quem não tem pai, e nós temos um Pai. Há muitas crianças órfãs de pais vivos, e na igreja também existe um coração de órfão que precisa ser vencido. Fomos libertos da escravidão pela graça, e precisamos de mentalidade e coração de filho.

A marca dos últimos tempos

Malaquias 4:5-6 promete que o Senhor converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais. A Pra. Jéssica entende que essa é a marca do último tempo: filhos que conhecem o Pai e se comportam como filhos, não como escravos nem como órfãos. Jesus definiu muito bem quem é esse Pai quando nos ensinou a orar: Pai nosso. Aba quer dizer papai. Em teoria é lindo, mas a pergunta é pessoal: Deus é o seu Pai?

O pai da terra e o Pai do céu

É comum compararmos o pai terreno com o Pai celestial, e isso aparece no comportamento. A Pra. Jéssica contou que teve um pai maravilhoso, que estava no culto. Mas talvez essa não tenha sido a sua realidade. Quem teve um pai ausente sente que Deus está ausente. Quem teve um pai agressivo ou opressor acha que Deus só briga. Quem teve um pai permissivo tem dificuldade de se submeter. Todo pai terreno, bom ou ruim, é muito inferior ao Pai celestial, que é justo, amoroso e também corrige. Não é só moranguinho: tem disciplina e tem correção.

O pai da parábola se importou mais com a volta do filho do que com o motivo que o fez sair. O que importava era que o filho voltasse, ficasse perto e entendesse que era filho. O problema do filho é que ele não permitia que o pai fosse pai dele de verdade, porque ainda se via como escravo. Toda vez que temos contato com a graça de Deus, somos transformados. Mas é preciso reconhecer se temos vivido a partir de um sentimento de órfão ou de escravo.

Cinco sinais de orfandade

A Pra. Jéssica compartilhou os sinais de orfandade que ouviu na pregação de outro pastor e que a ajudaram a examinar a própria vida:

  • Falta de identidade e de destino: o órfão não sabe quem é nem para onde vai, e a mente oscila entre não sou suficiente e está tudo errado. Quem conhece o Pai sabe quem é, e repreende esses pensamentos dizendo: eu sou filho.
  • Falta de pertencimento: não se sentir parte de nada e enxergar a igreja como instituição, não como o corpo de Cristo. Jesus volta para buscar a igreja, e deixar as noventa e nove para buscar a ovelha perdida é tarefa nossa. Somos da família de Deus.
  • Carência: o órfão sempre precisa de aplauso e de reconhecimento. O filho se preocupa com o que o Pai pensa e em fazer o que o Pai mandou.
  • Mentalidade de escassez: sempre falta alguma coisa. O louvor foi uma bênção, mas. A pregação foi boa, mas. O órfão tem sempre uma crítica.
  • Solidão: não é gostar de ficar sozinho. É a sensação de que ninguém ajuda, a desconexão com o Pai. O filho sabe que não está sozinho, no pior e no melhor dia da vida.

Herdeiros com Cristo

Para terminar, ela leu Romanos 8:15-18. Não recebemos um espírito que nos torna escravos, mas o Espírito que nos adotou como filhos, e por isso clamamos Aba, Pai. O Espírito confirma que somos filhos de Deus, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, e o sofrimento de agora não se compara à glória que será revelada. Se não vencermos a orfandade, vamos morrer órfãos. E quem se comporta como órfão não tem autoridade para tirar outros da orfandade.

Ela contou que, em 2017, o Senhor lhe disse que a faria mãe, quando ela nem queria ter filhos. Antes, ela teve que se tornar filha. Foram três anos e duas perdas até a primeira filha nascer, enquanto Deus tratava o seu coração. Depois chegou o tempo de ser mãe e pai também para muitos na fé. As mulheres têm sido levantadas como mães espirituais, e ela chamou os homens a se levantarem como pais, porque não existe pai ou mãe espiritual na condição de órfão. Quer ser um pai maravilhoso? Torne-se filho. A criação aguarda a revelação dos filhos de Deus (Romanos 8:19).

Ela contou ainda a história de duas meninas que, há cerca de onze anos, viram a mãe ser agredida e foram parar na casa dela. Ela orou por elas e falou de Jesus, a avó e uma tia assumiram os cuidados, e ela nunca deixou de orar por elas. Há pouco tempo, uma delas mandou mensagem: tinha tido uma experiência com Deus, faz parte de uma igreja, e o Senhor a mandou procurar a Pra. Jéssica para ser orientada. Hoje aquelas meninas são filhas de Deus. Chega de orfandade.

No tempo de resposta, com o ministério de louvor, a igreja declarou que não quer ser como o filho que se desviou nem como o filho que anda com o Pai sem conhecê-lo, mas como filhos que sabem quem Deus é e quem são nele, e que não ficam indiferentes aos que se perdem. Na oração final, a Pra. Jéssica declarou que toda orfandade seja quebrada, que temos um Pai que nunca é indiferente à nossa existência e um propósito, e pediu que sejamos voz profética para anunciar que o Cordeiro de Deus está vivo e que, por causa dele, podemos ser filhos de Deus e viver como filhos.

Esta ministração foi parte do culto de 13 de setembro de 2026. Assista ao culto completo.