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Fé para viver

Pr. Vitor Coutinho, 25 de fevereiro de 2024, 1 Crônicas 4:9-10

Sem fé é impossível agradar a Deus, e a fé não é emoção nem positividade: é a certeza do que não vemos, mostrada na prática. Com a oração de Jabez, o homem cujo nome significava dor, o Pr. Vitor Coutinho ensinou que Deus pode mudar a nossa história quando oramos com sinceridade e ousamos pedir.

No culto de domingo à noite, antes de abrir a Palavra, o Pr. Vitor Coutinho orou com a igreja pelos enfermos, num tempo de surto de dengue, e pelas famílias, repreendendo a opressão, a tristeza e as mentiras que muitos têm ouvido sobre a própria identidade. Depois lembrou que o justo viverá pela fé (Habacuque 2:4) e que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6). O texto base foi a oração de Jabez, em 1 Crônicas 4.

A fé não é tolice

Muita gente trata quem crê em Deus como alguém ingênuo, que não tem mais nada a que se apegar. Mas a vida de quem confessa Jesus como Senhor precisa ser pela fé, e não pela emoção, porque a emoção engana. Todos temos dias de tristeza, cansaço e irritação. O pastor contou que, nesses dias, se esforça para ficar quieto, como ensina Tiago sobre controlar a língua, e só fala depois de se acalmar e organizar o pensamento.

Quando uma pessoa querida contou a ele que estava em crise de fé, ele respondeu que estava tudo bem: ela tinha sido sincera, e agora podiam pedir a Deus que aumentasse a fé, como os discípulos pediram a Jesus (Lucas 17:5). A fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17). Deus não está chateado com quem duvida, porque o amor dele não depende das nossas emoções: já foi demonstrado na cruz. E Tiago 1 diz que as provações fortalecem a fé. Às vezes, quem acha que não crê mais está justamente perseverando, e a fé está crescendo.

Usar o que já está disponível

Por muito tempo, o pastor achou que não tinha problema com a fé, mas diante de Deus só conseguia dizer que era pecador demais para pedir qualquer coisa. Ele comparou isso a fazer a compra do mês aos poucos, por falta de dinheiro, quando na verdade há saldo infinito na conta. Ninguém faria isso. Não se trata de salvação, que é só pela obra de Cristo, nem de seguir no pecado, e sim de deixar de exercer a fé por medo de ser ousado demais. O centurião ousou crer que Jesus curaria o seu servo à distância, com uma só palavra, e por causa dele cremos nisso até hoje.

Alguém está doente? Chame os presbíteros da igreja para que venham e orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. Essa oração feita com fé curará o enfermo, e o Senhor o restabelecerá. E, se tiver cometido pecados, será perdoado. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo tem grande poder e produz grandes resultados. (Tiago 5:14-16)

Segundo a Bíblia, a nossa oração pode produzir cura em outras pessoas. Como Jesus vai nos usar se nem cremos que Ele ouve a nossa oração? Quem se sente pecador demais deve se arrepender, porque o Senhor tem poder para perdoar, e então se colocar diante dele. Foi o que Jesus fez com o paralítico que os amigos desceram pelo telhado: primeiro perdoou os seus pecados e, para mostrar que tinha autoridade para isso, mandou que ele se levantasse e andasse. O maior interessado em que a nossa fé não seja usada é Satanás, porque sem fé praticada não agradamos a Deus.

Fé não é positividade

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem. (Hebreus 11:1)

Fé não é esperança nem pensamento positivo. A positividade quer garantir que tudo aconteça do jeito que eu quero. A fé tem certeza de que o Senhor está ouvindo e submete tudo o que pede à vontade dele. Pela fé os antigos alcançaram bom testemunho (Hebreus 11:2): Abraão, e Raabe, que entrou na genealogia de Jesus. Todos os exemplos de fé da Bíblia são de gente que agiu. Hebreus 11 é um catálogo de heróis cujo único superpoder era a fé, gente que sabia que pertencia a uma pátria superior.

O homem que se chamava dor

Para os povos antigos, o nome carregava um significado. Abraão quer dizer pai de multidões. O nome de Jesus era comum na época, como certos nomes da moda hoje, e o anjo anunciou também que Ele seria chamado Emanuel, Deus conosco. Já o nome de Jabez significava angústia, sofrimento de alma. É como o pai ou a mãe que diz ao filho que ele não vai dar em nada. O pastor contou de um rapaz que conhece, para quem tudo dá errado e que carrega dentro de si a voz da mãe dizendo que ele erraria em tudo. Só Jesus pode curar uma identidade assim. Antes de entrar no deserto, Jesus ouviu do Pai que era o Filho amado, em quem Ele tinha alegria, e isso antes de começar o ministério.

Havia um homem chamado Jabez, mais respeitado que qualquer um de seus irmãos. Sua mãe lhe deu o nome de Jabez, porque disse: Eu o dei à luz com muita dor. Jabez orou ao Deus de Israel: Ah, como seria bom se me abençoasses e ampliasses o meu território! Sê comigo em tudo que eu fizer e guarda-me de toda aflição. E Deus atendeu ao seu pedido. (1 Crônicas 4:9-10)

Muitos têm uma aparência que todos admiram, mas por dentro lutam para ser aceitos pelo que fazem ou pelo que oferecem. Existe um lugar onde não é preciso fingir nada para ser aceito: a presença de Deus. Na igreja também somos livres para ser sinceros sobre o que ainda precisa mudar. A nossa identidade não é o nome que nos deram nem o que vivemos, e sim o que Deus disse a Jesus: você é filho, você é filha amada. Deus nos amou antes de termos qualquer coisa para oferecer (João 3:16).

Primeiro: orar com sinceridade

O pastor explicou que Jabez não pôs uma condição para Deus, e que o sentido da oração é quando o Senhor me abençoar, e não se o Senhor me abençoar. Pedir que o território fosse ampliado não era pedir riqueza: naquela época, a bênção era vista numa descendência grande, e Jabez pedia espaço para as gerações que viriam dele. Ele clamou ao Deus Todo-Poderoso para que escrevesse uma nova história. Oração com fé não é barganha. O pastor lembrou de um homem que, depois de ganhar o carro novo pelo qual orou, não quis seguir pela estrada de chão até um batismo para não sujar o carro. Dizer a Deus que vamos ao curso de casais se Ele restaurar o casamento é meninice espiritual. Deus não entra no nosso joguinho emocional e não se deixa escarnecer (Gálatas 6:7).

Quase ninguém gosta de ler as genealogias de Crônicas. Mas, no meio da genealogia de Judá, o texto para tudo para contar que um homem orou e Deus mudou a sua história, e depois volta à lista. Alguma coisa Deus quer nos dizer ali. Pela fé entendemos que o que se vê foi feito do que não se vê (Hebreus 11:3). Deus continua criando o que não existe e faz de nós novas criaturas (2 Coríntios 5:17). Uma história de derrota pode ser reescrita.

Segundo: ousar pedir

Jabez ousou pedir que a mão de Deus estivesse com ele, como Moisés pede no Salmo 90 que o Senhor confirme a obra das nossas mãos, e que fosse guardado do mal, como Jesus ensina no Pai Nosso e pede ao Pai pelos discípulos em João 17: não que fossem tirados do mundo, mas que fossem guardados. Deus respondeu, e Jabez se tornou o mais respeitado da família. Não se trata de querer ser melhor que os outros, mas, quando Deus abençoa alguém, todos percebem. Alguém ouviu dele essa oração e a deixou registrada no meio da genealogia, como uma chave para Deus mudar a nossa história.

Com a igreja em pé, o pastor fez o convite: sermos tão ousados que só Deus possa responder às nossas orações. Nas células, nas devocionais e nos cultos, não vamos mais admitir orações que qualquer um poderia resolver. Jesus está vivo, à direita do Pai, atento aos nossos corações, e podemos chegar com confiança ao trono da graça (Hebreus 4:16). Ele orou pelas famílias, pelos que ouviram mentiras sobre quem são, pelos enfermos e pelos oprimidos, lembrando que o medo é o contrário da fé, e pediu que a semana fosse marcada por atos de fé, de filhos e filhas que não se contentam em viver à beira da mesa sem aproveitar o que o Pai tem disponível.

Esta ministração foi parte do culto de 25 de fevereiro de 2024. Assista ao culto completo.