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Cuidar da próxima geração

Pr. Vitor Coutinho, 27 de setembro de 2026, 1 Samuel 14:24-44 e Gênesis 11

Saul preferiu condenar o próprio filho a voltar atrás numa ordem impensada, enquanto Deus, em Babel, viu que um povo unido num propósito não teria limites. O Pr. Vitor Coutinho chamou a igreja a ser encontrada em unidade, cuidando da próxima geração e fiel ao Senhor, mesmo com os problemas que todos nós temos.

A Palavra foi trazida pelo Pr. Vitor Coutinho a partir de 1 Samuel 14. Israel estava em guerra contra os filisteus, e Saul, o primeiro rei de Israel, obrigou o exército a jurar que ninguém comeria até o fim do dia. Jônatas, filho de Saul, não sabia do juramento, provou um pouco de mel e recuperou as forças. Quando Saul descobriu, declarou que o filho deveria morrer.

Os israelitas estavam exaustos naquele dia, pois Saul os havia obrigado a fazer um juramento, dizendo: Maldito seja todo o que comer antes do anoitecer, antes que eu me vingue dos meus inimigos! Por isso ninguém tocou em comida. (1 Samuel 14:24)

O que chamou a atenção de Deus em Babel

Antes de voltar a Saul, o pastor foi a Gênesis 11, na torre de Babel. Aquelas pessoas se uniram para construir uma torre que chegasse ao céu, e o objetivo era tornar o próprio nome famoso. No versículo 5, o próprio Deus desce para ver a obra, como quem vai fiscalizar uma construção. A obra não estava atrasada nem havia nada errado nela. O que chamou a atenção do Senhor foi outra coisa: eles eram um só povo e falavam a mesma língua, e, se continuassem assim, nada do que planejassem seria impossível para eles (Gênesis 11:6). Deus não mandou terremoto nem guerra. A solução foi confundir a língua deles, e a obra parou.

Ele lembrou o livro Cartas de um diabo a seu aprendiz, de C. S. Lewis, em que um demônio ensina outro a atrapalhar a vida de um cristão. Uma das estratégias é causar confusão e só assistir, porque as pessoas mesmas se destroem. O inimigo não inventa nada, só copia o que Deus fez em Babel. Falamos muito de persistência, de resiliência e de não desistir, mas falamos pouco do poder que existe em pessoas unidas.

Encontrados em unidade

Jesus disse que um reino dividido contra si mesmo não subsiste (Mateus 12:25-26). Unidade exige conversas difíceis. Muitas empresas já criaram o hábito de sentar com o líder para receber e dar retorno, e as que não têm isso vivem de aparência. O pastor comparou com o amigo que avisa quando estamos com mau hálito: quem ama fala. Se você não concorda com algo na igreja, no trabalho ou em casa, procure a pessoa e converse. Talvez ela diga que você tem razão e que não tinha pensado nisso. Talvez explique uma direção de Deus que você não conhecia. O que não pode é a divergência virar divisão.

Saul se tornou o primeiro rei porque o povo pediu um rei, quando o propósito de Deus era governar Israel ele mesmo (1 Samuel 8). A nação ficou unida por pouco tempo e depois se dividiu entre o reino do norte, com capital em Samaria, e o reino do sul, com capital em Jerusalém. Nós também somos o povo de Deus, chamados a representar o Reino aqui na terra.

Os problemas não nos desqualificam

Quem está qualificado para representar o céu? Todos nós temos dificuldades, e o pastor citou três que são comuns a todos: problemas emocionais, que cresceram muito desde 2020, problemas de relacionamento e problemas externos, de circunstância. O perigo é achar que, por causa desses problemas, estamos desqualificados para fazer parte do que Deus está fazendo, ou olhar para o problema do outro e concluir que ele é que está desqualificado. Todos estamos no mesmo lugar.

Isso não quer dizer cruzar os braços. Para cada problema, orar e resolver: tratar o emocional, conversar para acertar o relacionamento, enfrentar a situação de fora. Deus não vai conversar com o seu chefe nem com a sua esposa no seu lugar, nem vai ao psiquiatra por você. Essa parte é nossa.

Encontrados cuidando da próxima geração

Quando estamos no meio da tempestade, a tendência é olhar só para o nosso próprio problema. Mas a obra de Deus não termina em nós. Se recebemos uma palavra, é para que ela chegue a outra pessoa. Na Bíblia, a próxima geração são as crianças e também as pessoas que ainda não ouviram falar de Jesus. Dentro de casa, isso é orar com os filhos e ensinar a eles quem é o Senhor. É também protegê-los: saber com quem estão, ensinar que ninguém pode tocar nas partes íntimas deles e que podem confiar nos pais para contar qualquer coisa. Essa responsabilidade é do pai e da mãe.

Saul foi rejeitado porque desobedeceu, e obedecer é melhor do que sacrificar (1 Samuel 15:22). No texto lido, ele está obstinado em vencer a qualquer custo e impõe ao povo uma regra que só traz sofrimento. Quando a próxima geração, na pessoa de Jônatas, tem a sua oportunidade, Saul não ensina nem corrige: condena à morte, para continuar sendo a autoridade. Ele preferiu sacrificar a próxima geração a confiar no Senhor, quando quem vencia as batalhas de Israel era Deus.

Davi, escolhido e aprovado por Deus, treinava pessoas. Salomão pediu sabedoria quando Deus lhe ofereceu o que quisesse (1 Reis 3), porque aprendeu com o pai. E os homens que se juntaram a Davi na caverna, quando ele fugia de Saul, eram os aflitos, os endividados e os descontentes (1 Samuel 22:2). Davi os treinou, e eles se tornaram os seus valentes. Jesus fez o mesmo: depois de ressuscitar, no momento mais poderoso, ficou quarenta dias e foi embora, deixando a missão para a geração seguinte. Ele confiou o Reino a homens improváveis.

Encontrados fiéis

O nosso chamado não é para sermos perfeitos. É para nos levantarmos como pessoas que ainda têm problemas, mas que servem ao Senhor e são encontradas fiéis. Será que o Senhor pode contar com você para cuidar da próxima geração? O pastor disse que aquele era um tempo de recomeçar a jornada para quem estava perdido em tanta coisa para resolver, como Saul, decidido a vencer nem que alguém precisasse morrer. As batalhas são do Senhor, que vai à frente. Davi aprendeu a consultar Deus antes de cada batalha e a esperar o sinal de que o Senhor já tinha saído adiante dele (2 Samuel 5:23-24).

Na oração final, o Pr. Vitor pediu que o Senhor nos encontre fiéis, cuidando da nossa geração e no espírito de unidade, e repreendeu todo espírito de comparação e de competição. A igreja renovou o compromisso de ser o povo de Deus, de usar a sabedoria para resolver os problemas que cabem a nós e de confiar no Senhor mais do que em tudo.

Esta ministração foi parte do culto de 27 de setembro de 2026. Assista ao culto completo.