Crescer até a estatura de Cristo
A Palavra nos chama a crescer até ficarmos parecidos com Cristo. Esse crescimento não acontece de uma vez: leva tempo, pede prática, passa por correção e não deixa a gente pular etapas. E quanto mais maduros ficamos, mais dependentes de Deus nos tornamos.
O texto base foi Efésios 4:11-15. Paulo diz que Deus deu à igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres para preparar o povo para a obra e edificar o corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus e à medida completa da estatura de Cristo. Então não seremos mais como crianças, levados por qualquer vento de doutrina, mas, falando a verdade em amor, cresceremos em tudo naquele que é a cabeça.
Um alvo ousado, mas um alvo
Chegar à estatura de Cristo parece impossível. John Wesley, porém, pregava que a perfeição cristã não estava reservada só para a eternidade: para ele, santificação e perfeição eram dois nomes para a mesma coisa, e quem a alcança tem a mente de Cristo. Se a própria Palavra nos convida a sermos imitadores de Cristo, existe um alvo, e Deus nos chama a buscá-lo.
Somos salvos pela fé, e não pelo esforço próprio. Mas isso não nos dá licença para parar de lutar. Tiago lembra que a fé sem obras é morta, e que quem ouve a Palavra e não pratica é como quem se olha no espelho e logo esquece como é.
Quanto mais maduros, mais dependentes
Com os filhos é o contrário. A criança depende de tudo, cresce, e um dia caminha com as próprias pernas sem precisar do pai e da mãe. Com Deus, quanto mais amadurecemos, mais percebemos o nosso limite e mais dependentes dele nos tornamos. O maior risco é achar que crescemos o suficiente para sermos independentes.
Por isso a presença de Deus vale mais do que conhecimento. Não vamos ganhar vidas com teologia, e sim com amor, com atitude e com obras que edificam o corpo de Cristo. Os dons existem para que o corpo cresça e para que Cristo seja exaltado, não nós.
O exemplo é o próprio Cristo
Jesus veio para servir, andou com os pecadores e fez a vontade do Pai, não a sua. Pela queda de um homem nascemos com uma natureza carnal; por meio de outro homem veio a redenção. Jesus não nos tirou só da condenação do pecado: ele nos impulsiona para uma vida nova, e para isso o velho homem precisa morrer.
Esse chamado não é exclusivo de pastores e mestres. Todos são chamados a imitar Cristo e a levar outras vidas até ele.
Como saber que estamos crescendo
O crescimento não acontece da noite para o dia. Às vezes você não vê o broto, mas está semeando. As evidências aparecem no fruto do Espírito, em Gálatas 5:22-23: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.
Rafael contou de pessoas que a igreja acompanha há dois anos: foram batizadas, passaram pelo Encontro, pela Escola e pelo Reencontro, e hoje já tocam outras vidas. A transformação é nítida, e o único motivo é a presença de Deus nelas. Vale a pergunta: se eu continuo a mesma pessoa de um ano atrás, cometendo os mesmos erros, algo está parado na minha caminhada.
Em Marcos 4:26-29, o Reino é como a semente que o lavrador lança na terra. Ele dorme e acorda, a semente cresce e ele não sabe como. Primeiro a folha, depois a espiga, por fim o grão maduro, e então chega a colheita. Um dia alguém diz: como você mudou, antes você teria explodido nessa situação. É o fruto aparecendo.
Não é só tempo: é prática
Tempo sozinho não faz ninguém crescer. Hebreus 5:11-14 fala de quem já deveria estar ensinando e ainda precisa aprender o básico, que ainda toma leite e não consegue comer alimento sólido. O alimento sólido é para os maduros, que pela prática constante aprenderam a discernir o bem e o mal.
Crescer passa por processos: não fugir das conversas difíceis com quem nos discipula e com quem discipulamos, dizer não à própria vontade e enfrentar a luta constante entre a natureza carnal e o Espírito.
Quando Deus incomoda para a gente avançar
Rafael contou que a empresa em que trabalha usou o mesmo sistema de gestão por 20 anos. Na troca, apareceu a imaturidade de líderes que estavam lá havia muito tempo e não queriam mudar. Na vida com Deus acontece o mesmo: ele nos chama para algo novo, e a gente se acomoda porque acha que o jeito antigo já basta. Deus incomoda para que a gente avance.
Ele lembrou também de um tempo em que a própria igreja achou que estava fazendo algo errado, porque as pessoas não chegavam. Na verdade, Deus estava preparando a raiz. O propósito não é ter a igreja cheia: é crescer em unidade, com pessoas que têm um único propósito, que o Senhor seja engrandecido.
Não pule etapas
No sistema novo da empresa, depois de seis meses, a equipe ainda está aprendendo, e não dá para exigir tudo no começo. Com Deus é igual: não exija demais de quem está começando, mas, se você já caminha há tempo, veja se não pulou fases. Se pulou, volte ao começo: à forma como você lia a Palavra, à intimidade que tinha com Deus. Intimidade é relacionamento. Não é só conhecer a Palavra, é conhecer o autor.
Em Isaías 49:2, Deus esconde o profeta na sombra da sua mão e faz dele uma flecha polida guardada na aljava. No secreto ele nos molda e nos prepara, mas não nos chama para ficarmos escondidos: ele nos prepara para sermos luz onde estivermos.
A correção também é preparo
Paciência, em algumas versões, é traduzida como perseverança, e ela é fruto do Espírito. Vai haver tempo de correção, de disciplina e de provação. Não é agradável, assim como não é agradável corrigir um filho, mas sem isso ele não cresce. Tiago 1:2-4 diz para considerarmos motivo de alegria passar por provações, porque a fé provada produz perseverança, e a perseverança nos torna maduros e completos.
Se Deus está nos corrigindo, está nos preparando para algo maior. Seja qual for o seu chamado, ele chamou todos para levar esse amor. Não importa a circunstância: nunca tire os olhos do alvo, que é Cristo. Temos a mente de Cristo, e somos chamados a pensar como ele pensou e a andar como ele andou.
A mensagem terminou em Hebreus 10:35-39: não abram mão da confiança, que tem grande recompensa; precisamos perseverar para, depois de fazer a vontade de Deus, receber o que ele prometeu. Não somos dos que retrocedem, mas dos que creem.
Esta ministração foi parte do culto de 11 de outubro de 2026. Assista ao culto completo.