Série A carta de Paulo aos Maringaenses
Cada um no seu quadrado
Continuando a série A carta de Paulo aos Maringaenses, o Pr. Vitor Coutinho mostrou em Efésios 4 e 5 que Jesus concedeu um dom a cada um de nós para que a igreja amadureça e seja um corpo saudável. Para acessar essa herança, precisamos abandonar a velha vida, viver para agradar a Deus e ser cheios do Espírito Santo, cada um no seu lugar, todos ligados à mesma cabeça.
Na segunda noite da série A carta de Paulo aos Maringaenses, que estuda a carta aos Efésios como se tivesse sido escrita para a nossa cidade, o Pr. Vitor Coutinho começou recapitulando o domingo anterior. Paulo orava para que Deus desse sabedoria e entendimento aos crentes, porque em Jesus temos uma herança. Ele é a pedra angular, o modelo em que nós vamos sendo replicados, e agora somos uma família que vai acessar essa herança. A partir do capítulo 4, Paulo mostra o que Jesus opera no meio dessa família: Ele concede dons.
Tolerar uns aos outros em amor
Antes de falar dos dons, Paulo suplica que vivamos de modo digno dessa família e desse Reino: sempre humildes e amáveis, tolerando uns aos outros em amor (Efésios 4:1-3). Não é fácil tolerar os irmãos, mas isso faz parte de quem somos em Jesus. E não vale só para quem está ao nosso lado no culto. Há um só corpo, um só Espírito, uma só fé, um só batismo (Efésios 4:4-6). O nome da igreja pode ser diferente, mas o irmão do outro lado do mundo faz parte do mesmo Reino. E Paulo explica por que suplica: a cada um de nós Cristo concedeu uma dádiva, por meio da sua generosidade (Efésios 4:7).
Um dom para cada um
Ele designou uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres. Eles são responsáveis por preparar o povo santo para realizar sua obra e edificar o corpo de Cristo, até que todos alcancemos a unidade que a fé e o conhecimento do Filho de Deus produzem e amadureçamos, chegando à completa medida da estatura de Cristo. (Efésios 4:11-13)
Quando a igreja amadurece, ninguém mais é levado por qualquer vento de ensinamento, e passamos a falar a verdade em amor, cada vez mais parecidos com Cristo, que é a cabeça (Efésios 4:14-15). Deus não precisa de nós, mas nos enxertou nessa família e conta com cada um, porque tem alguém precisando que a gente aja. Se o dom não for colocado para fora, a igreja não será madura nem saudável. Em vez de reclamar que tal lugar é imaturo, cada um contribui para que os irmãos cresçam onde estão: em casa, no trabalho, na família.
O pastor alertou para um engano antigo: transformar em cargo o que Jesus concedeu como dom. Ninguém fez isso por mal, mas confundimos o dom com a profissão e enlatamos o que Deus deu. O dom não é implantado por uma função na igreja. Nascemos com um propósito, e por isso quem é profeta, pastor, evangelista ou mestre percebe isso desde cedo. O dom é uma ferramenta. Um evangelista que recebeu do Espírito o dom de cura sabe que pode evangelizar orando pelos enfermos, e num tempo de céus abertos quem conhece o seu dom se move com mais facilidade. Deus está nos dando sabedoria agora para que, quando o derramar vier, saibamos usar as ferramentas certas.
Livrar-se da velha vida
Em Efésios 4:17-19, Paulo fala com autoridade: não vivam mais como os que estão fora da família, levados por pensamentos vazios, com a mente na escuridão, vivendo em função dos prazeres e da impureza. Quem ainda vive assim, sem propósito, ainda não acessou a herança. Por isso precisa voltar uma casa e conhecer Jesus de novo. A ordem é livrar-se da antiga natureza e deixar que o Espírito renove os pensamentos e as atitudes, revestindo-se da nova natureza, justa e santa (Efésios 4:22-24). Não basta prometer que não vamos mais fazer, porque amanhã estaremos fazendo de novo. Quem muda a nossa vida é Deus, quando pedimos que Ele nos transforme.
Paulo é bem prático sobre o que deixar. Abandonar a mentira e falar a verdade, mesmo quando dói, porque a verdade liberta. Quem roubava, pare de roubar e trabalhe com honestidade para ajudar quem precisa. Nada de linguajar sujo e insultante: as palavras servem para dar ânimo (Efésios 4:25-29). O pastor contou que, quando criança, xingava muito, e Deus mudou isso. E deu um teste simples: se você não consegue usar uma palavra quando ora a Deus, ela não deveria estar na sua boca. Livrem-se também da amargura, da raiva, da ira, das palavras ásperas e da calúnia, e sejam bondosos e compassivos, perdoando-se como Deus nos perdoou em Cristo (Efésios 4:31-32). Ele confessou que também tem dificuldade de perdoar, mas lembra de quanto Jesus o perdoou. A decisão de perdoar vem primeiro, e Deus traz a cura do coração com o tempo.
Viver para agradar a Deus
Efésios 5:1 manda viver como filhos amados de Deus e imitá-lo em tudo. Não temos desculpa. Cuidar das emoções é necessário, e ninguém precisa atropelar o que sente, mas espiritualmente as desculpas ficam na cruz e nós avançamos. O alvo não é encher uma célula ou um lugar, e sim viver exatamente o que Deus quer que vivamos. Quem vive assim fica grato onde estiver. Paulo repete que imoralidade, impureza, ganância e piadas vulgares não são para nós, e que quem vive nisso não herda o Reino (Efésios 5:3-5). Jesus derramou dons com generosidade, mas só acessamos essa herança quando decidimos abandonar a velha vida.
Procurem descobrir o que agrada o Senhor (Efésios 5:10). Esse versículo responde a quem vive perguntando o que é ou não é pecado. Quem está focado em agradar a Deus nem tem tempo para isso. Vivam como sábios, aproveitando as oportunidades nesses dias maus (Efésios 5:15-17). E não se embriaguem com vinho, mas sejam cheios do Espírito (Efésios 5:18): a nossa alegria vem do Espírito Santo. Viver o que está na Bíblia é mais difícil do que seguir um sistema de regras, mas a verdadeira graça liberta: quem acessou a herança abandonou o pecado e não volta a ele.
Cada um no seu quadrado, um só corpo
Daí vem o tema da noite. Quando cada um descobre o seu dom, está cada um no seu quadrado, mas ao mesmo tempo é um só corpo. O dedinho não quer tomar o lugar do braço, e o pé não quer ser a mão, porque é tudo pelo mesmo Espírito e para o mesmo Senhor. Até a unha do dedinho do pé é importante. Com o seu dom você não só acessa a herança, mas ajuda outras pessoas a encontrarem o seu lugar no corpo. O pastor deu um exemplo: dá para fazer um jantar só com água, fria ou quente, mas com tempero sai uma comida boa. Deus pode usar quem não conhece o próprio dom, mas quem conhece é usado melhor. E daqui a trinta anos os nossos filhos vão viver com naturalidade o que hoje estamos aprendendo.
Nada disso é possível sem o Espírito Santo. Ele conecta e move o corpo. A chave está em Efésios 6:18: orar no Espírito em todos os momentos. Quem já foi batizado com o Espírito pode orar em línguas no seu dia a dia e assim edificar o próprio espírito. Quem ainda não foi cheio do Espírito deve fazer disso a sua oração.
Na oração final, o Pr. Vitor pediu um toque de Jesus para quem estava travado e enferrujado. Orou para que o rio de Deus lavasse e curasse os corações, para que voltassem os sonhos, a alegria, a fé e a perseverança, e para que corações esfriados fossem incendiados pela presença de Deus. Orou também pelos comércios e pelos hospitais em volta da igreja, como sinal do que Deus ativa ali, e a igreja se comprometeu a se mover, neste tempo de céus abertos, de acordo com o chamado que recebeu. Depois do amém, ele ainda orou pelas pessoas que foram à frente e declarou sobre a igreja um espírito de ousadia.
Esta ministração foi parte do culto de 13 de junho de 2021. Assista ao culto completo.