Buscando a maturidade
Diante do chamado de Deus, Moisés respondeu com dúvidas: quem sou eu, quem é o Senhor, e se não acreditarem em mim. Essas perguntas revelam a imaturidade que também nos impede de viver coisas profundas em Deus. Crescer dói, mas começa quando reconhecemos onde ainda somos crianças.
O texto foi o chamado de Moisés, em Êxodo 3 e 4. Deus aparece numa sarça que queima e não se consome e entrega a ele uma missão: voltar ao Egito, enfrentar o faraó de quem ele havia fugido e libertar um povo numeroso que vivia como escravo havia mais de quatrocentos anos. Deus nunca esteve indiferente àquela opressão. Ele faz as coisas certas, no tempo certo e do modo certo.
As perguntas de Moisés
Diante de uma experiência sem igual com Deus, Moisés respondeu com questionamentos. Primeiro: quem sou eu? Depois: quem é o Senhor, quando me perguntarem quem me enviou? Em seguida: e se eles não acreditarem em mim? Por fim, em Êxodo 4:10-13, ele diz que nunca teve facilidade para falar e pede que Deus envie outra pessoa. A ira do Senhor se acendeu, e Arão passou a falar no lugar dele.
Esse é o ponto da mensagem: por causa da nossa imaturidade, deixamos de viver coisas profundas em Deus, e as pessoas ao nosso redor são afetadas por isso. Hebreus fala de quem ainda precisa de leite quando já deveria comer alimento sólido. A imaturidade tem tudo a ver com as nossas dúvidas, inseguranças e com a falta de consciência de quem verdadeiramente somos. E não importa a idade: jovem ou velho, quem é imaturo não avança.
Crescer dói
Quando a criança cresce, sente dor nas pernas e nas articulações. Na vida com Deus é igual: crescer muitas vezes vai custar e vai doer. Por isso não podemos ficar focados só no que gostamos de fazer, mas também no que nos ajuda a crescer.
A Pra. Jéssica citou o livro Fora do alcance de crianças, que compara as bênçãos de Deus aos produtos que trazem esse aviso no rótulo: são bons, mas podem ferir em mãos imaturas. Muitas vezes o que nos afasta do que é bom não é falta de oração, de jejum ou de frequência aos cultos, e sim falta de maturidade.
O primeiro passo é reconhecer
Para sermos diferentes do que somos, precisamos ter consciência do que somos. A transformação começa com o reconhecimento: nada muda se não admitimos que precisamos de ajuda. E isso é humilhante, porque é mais fácil esperar que o outro mude.
Ela contou que, no próprio casamento, percebeu que esperava sempre que o marido mudasse primeiro. A mudança veio quando ela reconheceu a sua parte. Hoje os dois conversam com amor sobre o que ofendeu cada um, e é reconhecendo que as coisas começam a mudar ao redor.
Se formos maduros na vida com Deus, seremos maduros no casamento, na criação dos filhos, no trabalho e em todas as áreas.
Quem sou eu?
Moisés teve uma experiência extraordinária e ainda assim perguntou quem era. Experiências com Deus edificam, mas não sustentam ninguém: o que nos faz permanecer é uma vida inteira com Ele, todo dia.
Não saber quem somos não agrada a Deus. Ele nos amou de tal maneira que deu o seu Filho (João 3:16), e quem crê é chamado filho de Deus. Duvidar de quem somos é duvidar dessa obra. Romanos 12:3 nos manda não pensar de nós mesmos além do que convém, mas com moderação.
Existem dois extremos. Um é a autodepreciação, que parece humildade, mas não é. O outro é o orgulho de quem acha que não precisa mudar nada e chama isso de identidade formada. Deus resiste aos orgulhosos e dá graça aos humildes, e humildade não é pensar menos de si, é pensar menos em si.
Quem somos não é definido pela nossa história, mas pela graça de Cristo. Paulo se chamou o menor dos apóstolos, porque perseguiu a igreja, e mesmo assim disse: pela graça de Deus sou o que sou, e a sua graça para comigo não foi inútil (1 Coríntios 15:9-10). Uma pessoa madura, quando é chamada, sabe quem é em Cristo.
Quem é o Senhor?
Não saber quem nos enviou revela um relacionamento raso com Deus. Moisés desenvolveu a maturidade no relacionamento com o Senhor, a ponto de passar quarenta dias e quarenta noites no monte ouvindo a Deus. Foi isso que o sustentou diante de um povo difícil.
Muitos de nós não avançamos porque negligenciamos esse relacionamento e achamos normal não orar, não jejuar, não ter comunhão e não se submeter. Quando dizemos sim ao chamado, vamos enfrentar todo tipo de coisa, e quem não confia em Deus desiste. Fazemos o que fazemos porque Deus nos chamou e nos enviou.
E se não acreditarem em mim?
A terceira pergunta também revela imaturidade. Uma pessoa ofendida nunca vai amadurecer. Quem se compara o tempo todo, quem não vence a vontade de ser igual a outra pessoa, não amadurece.
A transmissão ao vivo foi interrompida neste ponto da ministração, por isso o vídeo e este resumo terminam aqui.
Esta ministração foi parte do culto de 26 de julho de 2026. Assista ao culto completo.